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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

24
Fev19

A vida nas pedras

Pedras, rochas e Calhaus. A mera menção destas palavras transporta-nos mentalmente para ambientes áridos e estéreis onde a sobrevivência é improvável... Nada mais falso. Os diversos habitats rochosos que podem ser encontrados no nosso país estão repletos de vida e cor.

 

Nos esporões pedregosos das praias da frente atlântica de Almada, podemos encontrar várias espécies de aves, entre elas a rola-do-mar. Estas belas aves percorrem as pedras deixadas a descoberto pela baixa-mar em busca de invertebrados e pequenos caranguejos.  

 

Rola-do-mar (Arenaria interpres)

- Rola-do-mar (Arenaria interpres)

- Cova do Vapor - Almada (25-11-2016)

 

Aves, mamíferos, répteis, insectos, plantas... alguns utilizam as pedras como casa, outros como território de caça, zona de repouso ou meio de protecção. Seja como for, a vida adapta-se a todos os ambientes e encontra forma de prosperar. Até um calhau nu e molhado pode ser um precioso aliado para algum réptil em processo de termorregulação (os répteis são ectotérmicos, ou seja, necessitam de uma fonte externa de calor para regularem a sua temperatura corporal).

 

Embora os seus números aparentem estar a diminuir em favor da proliferação das exóticas tartarugas-da-florida, ainda vamos podendo encontrar, pelos nosso cursos de água, alguns cágados-mediterrânicos a tomar plácidos banhos de sol em cima de alguma pedra que se projecte um pouco fora do elemento líquido.

 

Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

- Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

- ZPE Castro Verde (11-06-2016)

 

Alguns animais especializam-se nestes habitats, onde passam toda a sua vida, chegando a um ponto em que isso os define e lhes confere identidade.

 

Este pequeníssimo passeriforme ocorre em escarpas e grandes paredes rochosas, tornando bastante difícil a sua localização. É nestas fragas que se alimenta, repousa e procria, o que lhe granjeou o nome de trepadeira-dos-muros ou trepa-fragas.

 

Trepadeira-dos-muros (Tichodroma muraria) Cabo Sardão (31-03-2018) (42b).JPG

- Trepa-fragas ou Trepadeira-dos-muros (Tichodroma muraria)

- Cabo Sardão - Odemira (31-03-2018)

 

E, se alguns bichos dominam por completo estes ambientes, calcorreando cada centímetro de pedra, investigando cada irregularidade, explorando cada anfractuosidade, outros há que apenas os conhecem superficialmente, utilizando estas estruturas como mero auxiliar para os seus afazeres do dia-a-dia.

 

Em cima de uma rocha saliente num dos muitos ribeiros de águas frias e límpidas que ainda hidratam o norte do país, encontramos vigilante um ser delicado, de cor iridescente. No centro do seu território, o macho de donzelinha aguarda a passagem de uma fêmea enquanto defende ameaçadoramente as suas fronteiras dos seus potenciais rivais. Em cima daquelas pedras desenrola-se o terrível - ainda que belo - jogo da vida.

 

Donzelinha (Calopteryx virgo)

- Donzelinha (Calopteryx virgo)

- Rio Caima - Vale de Cambra (08-09-2018)

 

Alguns animais há que, sem serem fiéis a estes biótopos, usufruem deles quando as circunstâncias assim o ditam.

 

Os pilritos-das-praias são mais conhecidos por serem observados a correr freneticamente pela areia, junto à linha de espuma do mar. O seu vai e vem quase pendular reflecte a cadência das ondas e marca o ritmo segundo o qual estas pequenas aves procuram na areia molhada os minúsculos invertebrados dos quais se alimentam. No entanto, na maré cheia podemos vê-los a repousar em grupo nos rochedos fora do alcance das águas. Da mesma forma, não é incomum vê-los a procurar alimento entre mesmas rochas na maré vazante. Na vida há que saber aproveitar as oportunidades e estes pequenos não deixam os seus créditos por mãos alheias... 

 

Pilrito-das-praias (Calidris alba)

- Pilrito-das-praias (Calidris alba)

- Cova do Vapor - Almada (28-01-2016)

 

[EN]

Life on the rocks

 

Stones, rocks and pebbles. The mere mention of these words mentally transports us to arid and barren environments where survival is unlikely... Well, thats not true at all. The various rocky habitats that can be found in Portugal are full of life and color.

 

In the stony spurs of the beaches of the Atlantic front of Almada, we can find several species of birds, among them the Ruddy Turnstone. These beautiful birds scour the rocks uncovered by the low tide in search of invertebrates and small crabs.

Picture 1

- Ruddy Turnstone (Arenaria interpres)

- Almada - Portugal (25-11-2016)

 

Birds, mammals, reptiles, insects, plants... some use rocks as housing, others as hunting territory, resting area or for protection. In any case, life adapts to all environments and finds a way to prosper. Even a bare and wet stone can be a precious ally to some reptile in thermoregulation process (reptiles are ectothermic as they require an external source of heat to regulate their body temperature).

 

Although their numbers seem to be diminishing in favor of the proliferation of exotic florida turtles, we can still find, through portuguese waterways, some mediterranean turtles placidly sunbathing on some stone.

Picture 2

- Mediterranean Turtle (Mauremys leprosa)

- Castro Verde - Portugal (11-06-2016)

 

Some animals specialize in these habitats, where they spend their entire lives, reaching the point where it defines them and provides them identity.

 

This small passeriform occurs on cliffs and large rocky walls, quite difficulting finding it. It is in these cliffs that it feeds, rests and breed, what earned him the name of Wallcreeper.

Picture 3

- Wallcreeper (Tichodroma muraria)

- Odemira - Portugal (31-03-2018)

 

And if some animals completely master these environments, knowing every inch of stone, investigating each irregularity, exploring each anfractuosity, others there are that just use these structures as mere auxiliaries to their day-to-day tasks.

 

On top of a protruding rock in one of the many cold and clear water brooks that still moisten the north of the country, we find a delicate being of iridescent color. In the center of its territory, the male demoiselle waits for a female to pass while threateningly defends its borders against its potential rivals. On top of these stones the terrible - though beautiful - game of life unfolded.

Picture 4

- Beautiful Demoiselle  (Calopteryx virgo)

- Vale de Cambra - Portugal (08-09-2018)


Some animals there are that, without being faithful to these biotopes, enjoy them when circumstances so dictates.

 

Sandpipers are best known for being seen running at the sand, along the sea foam line. Its almost pendular back and forth reflects the cadence of the waves and marks the rhythm by which these little birds seek out the tiny invertebrates from which they feed on the wet sand. However, at full tide we can see them resting in groups on the rocks, above the shore line. Likewise, it is not uncommon to see them searching for food among the same rocks in the ebb tide. In life you have to know how to take advantage of the opportunities and these little ones do not fall short...

Picture 5

- Sanderling (Calidris alba)

- Almada - Portugal (28-01-2016)

04
Fev19

Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és

A questão dos nomes das aves é uma "guerra antiga" em Portugal. Havendo quem defenda que o nome comum deve reflectir a taxonomia, há também quem julgue que deve ser seguida a nomenclatura vernacular que, habitualmente, é baseada nas características físicas ou comportamentais do animal em questão.

   Ora um dos argumentos dos defensores dos "nomes taxonómicos" é que, muitas vezes, não se conhecem as origens destas nomenclaturas populares, o que pode resultar em designações aparentemente pouco coerentes, estranhas ou até enganadoras. Entre os vários exemplos desta questão temos a Perdiz-do-mar e o Papa-ratos, que ninguém sabe bem a razão de serem chamados assim...

 

Pelo menos para mim, um destes mistérios ficou finalmente resolvido. 

 

Sempre ouvi críticas à designação desta ave... supostamente não havia registos de que ela realmente se alimentasse de ratos. Sendo esta a minha primeira observação da espécie, estive mais de meia hora relativamente perto do bicho, pude fotografá-lo, vê-lo a descansar um pouco, limpar as penas e fazer um pequeno voo para a outra margem da vala onde, após um breve momento de espera, capturou um "rato" (aparentemente era uma espécie de musaranho) que afogou antes de ingerir. Depois, como que "para empurrar", foi beber um golinho de água. Impossível ter certezas com base apenas numa observação, mas este fantástico comportamento talvez deixe uma pista para as origens populares do seu nome. Papa-ratos... nunca um nome fez, como naquele dia, tanto sentido.

 

Papa-ratos (Ardeola ralloides)

- Papa-ratos (Ardeola ralloides)
- Barroca d'Alva - Alcochete (17-12-2016)

 

Já estas pequenas limícolas não ocorrem propriamente no mar, apesar de gostarem de habitats húmidos. A sua garganta aparenta ter um "babete" creme debruado a preto que traz à memória as belas perdizes-vermelhas tão comuns no nosso território, o que torna fácil intuir as origens do seu nome vernáculo.

 

Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

- Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)
- Lezíria Grande - VFX (10-04-2016)

 

[EN]

Tell me your name, I'll tell you who you are.


The question of bird names is an "old war" in Portugal. If some argue that the common name should reflect the taxonomy, there are also those who think that the vernacular nomenclature (which is usually based on the physical or behavioral characteristics of the animal in question) should be followed.

   One of the defenders of "taxonomic names" arguments is that the origins of this popular nomenclatures are often unknown, which may result in apparently inconsistent, strange or even misleading designations. Among the various examples of this matter we have the Collared Pratincole (Sea Partridge in portuguese) and the Squacco Heron (Mice Eater in portuguese). No one really knows the reason for these names.

 

At least for me, one of these mysteries has finally been resolved.

 

I've always heard criticism of the designation of this bird... supposedly there were no records that it really fed on mice. This being my first observation of the species, I spent more than half an hour relatively close to the animal, took a few photographies, watch it resting a little after grooming and then take a small flight to the other side of the ditch where, after a a brief moment of waiting, captured a "mouse" (apparently it was a kind of shrew) that he drowned before ingesting. Then, it went to drink a sip of water. Impossible to be certain on the basis of just one observation, but this fantastic behavior may leave a clue to the popular origins of its name. Mice Eater... never  a name made, as on that day, so much sense.

 

- Squacco Heron (Ardeola ralloides)

- Barroca d'Alva - Alcochete - Portugal (12/17/2016)

 

These small waders do not occur at the sea, although they like wetlands. They have a creamy black-trimmed throat that brings immediatly to mind the beautiful red partridges so common in Portugal. This makes it easy to guess the origins of its vernacular name.

 

- Collared Pratincole (Glareola pratincola)

- Vila Franca de Xira - Portugal (10-04-2016)

18
Out18

A vizinha das pernas longas

Muito presente no imaginário popular (considerada até responsável pelos "descuidos" de alguns casalinhos), longe vão os tempos em que esta ave sofreu um forte declínio populacional na Península Ibérica. Hoje a recuperação da espécie é notória e cada vez se torna mais fácil observá-la em plena alimentação, seja nos nos campos onde caçam pequenos animais ou nos aterros sanitários enquanto buscam comida no meio do nosso lixo.

 

Facilmente as observamos também nos postes que são o seu local de eleição para a nidificação, inclusivamente nas imediações das nossas casas. Nalgumas zonas do país, formam autênticos condomínios com dezenas de ninhos. "Vizinhas" que não passam despercebidas a ninguém... 

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cabo Sardão (31-03-2018)

 

No baixo alentejo, as populações costeiras destas aves constroem os seus ninhos nas falésias viradas ao mar, comportamento que aparentemente é único no mundo.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cabo Sardão (13-07-2017)

 

Uns quilómetros mais para oriente, é possível vê-las à caça nas quintas e quintais adjacentes às casas, quase indiferente às actividades humanas em redor.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cercal do Alentejo (21-04-2016)

 

Já nas lezírias de Vila Franca de Xira podemos encontrar bandos de centenas destas enormes aves nos arrozais, em perfeita cinergia com as actividades agrícolas. Os agricultores certamente agradecem que haja quem controle a população dos exóticos lagostins-vermelhos que por ali proliferam.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

 

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Lezíria grande - Vila Franca de Xira (05-11-2017)

 

[EN]

The neighbour with long legs

 

Ever present in the popular imaginary, far goes the times in which the White Stork suffered a strong population decline in the Iberian Peninsula. Today the recovery of the species is notorious and it is becoming easier to observe it feeding in the fields where they hunt for small animals or in the landfills while they search for food in the middle of our trash.

 

We can also easily observe them on the poles that are their place of choice for nesting, even in the immediate vicinity of our houses. In some areas of Portugal they form authentic condos with dozens of nests. "Neighbours" that do not go unnoticed by anyone...

 

In the lower Alentejo, the coastal populations of these birds build their nests on the cliffs facing the sea, a behavior that is apparently unique in the world.

A few kilometers further east, it is possible to see them hunting in the small farms and backyards adjacent to the houses, almost indifferent to the human activities around.

Meanwhile, in the meadowlands of Vila Franca de Xira we can find flocks of hundreds of these enormous birds in the rice fields, in perfect cinergy with the agricultural activities. Farmers are certainly grateful that there are those who control the population of the exotic red crayfish that thrive there.

11
Out18

Os Fenótipos e a Etologia - Penas

Preciosas auxiliares para o voo, a presença destas estruturas é uma das características distintivas da Classe Aves. No entanto, as penas podem ter uma série de outras funções tais como o isolamento térmico, a impermeabilização e a camuflagem. São também muitas vezes utilizadas como acolchoamento para os ninhos e até como objecto de atracção sexual. O número e tipo de penas que um animal apresenta depende em grande parte da sua etologia e habitat.

 

Esta bela ave, devido ao seu modo de alimentação, desenvolveu uma plumagem que, além de ser um regalo para a vista, permite mantê-la seca, quente e aerodinâmica mesmo ao mergulhar nas águas onde captura as suas presas.

 

Guarda-rios (Alcedo atthis)

- Guarda-rios (Alcedo atthis
Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (08-10-2016)

 

Já no caso de algumas aves estepárias como o alcaravão e o sisão, as penas desenvolveram-se no sentido de lhes garantir uma boa camuflagem contra os predadores.

 

Sisão (Tetrax tetrax)

- Sisão (Tetrax tetrax)

- Sagres (30-09-2016)

 

As suas cores e padrões mimetizam os habitats que frequentam e permitem-lhes passar despercebidos até aos olhos dos observadores mais atentos.

 

Alcaravão (Burhinus oedicnemus)

- Alcaravão (Burhinus oedicnemus)

- Vila Nova de Milfontes (21-01-2017)

 

[EN]

Phenotypes and Ethology - Feathers

 

Precious flight aids, the presence of these structures is one of the distinctive features of the Aves Class. However feathers may also have a number of other functions such as thermal insulation, waterproofing and camouflage. They are also often used as cushioning for nests and even as an object of sexual attraction. The number and type of feathers an animal exhibits depends to a large extent on their ethology and habitat.

 

This beautiful bird, due to its feeding behaviour, has developed a plumage that besides being a gift for the eyes, allows to keep him dry, warm and aerodynamic even when diving in the waters where it captures his prey.

 

- Common Kingfisher (Alcedo atthis

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra - Portugal (08-10-2016)

 

In some steppe birds like the Stone Curlew or the Little Bustard, the feathers developed in order to guarantee them a good camouflage against predators. Their colors and patterns mimic their habitats and allow them to go unnoticed even to the eyes of the most attentive observers.

 

- Little Bustard (Tetrax tetrax)

- Sagres - Portugal (30-09-2016)

 

- Stone Curlew (Burhinus oedicnemus)

- Vila Nova de Milfontes - Portugal (21-01-2017)

08
Out18

A sua identificação, por favor!

No que toca a descobrir a identidade de uma ave, há dois tipos básicos de pessoas: aqueles que pesquisam, estudam, procuram e chegam a uma conclusão (correcta ou não) e aqueles que entregam a alguém essa responsabilidade, preferindo aguardar que a "papinha" lhes seja feita.

No entanto, o processo de pesquisa é essencial para se aprender e crescer como observador (ou fotógrafo de natureza). O conceito até é relativamente simples: com o auxílio de um bom guia de campo, procurar o conjunto de características físicas visíveis que definem aquela ave como uma espécie. Se necessário, há que tentar enquadrar o local e data em que o animal foi observado, ter em consideração o seu comportamento e até as suas vocalizações.

 

Pardal (Passer domesticus)

- Pardal (Passer domesticus
- Cercal do Alentejo (22-01-2016)

 

É óbvio que, na práctica, as coisas não são assim tão lineares. Há bichos muito similares e há características que não são óbvias aos olhos de qualquer um... aí sim deve ser solicitado auxílio aos mais experientes.

Não devemos temer o erro, mas sim encará-lo como algo positivo e como parte da nossa evolução. Ninguém sabe tudo... mas devemos tentar, pois nada ultrapassa o gozo de conseguir superar uma dificuldade pelos nossos próprios meios.

 

Pardal-espanhol (Passer hispaniolensis)

- Pardal-espanhol (Passer hispaniolensis)

- IBA Planícies de Évora (09-05-2016)

 

[EN]

Your ID please!

 

When it comes to discovering the identity of a bird, there are two basic types of people: those who research, study, seek and come to a conclusion (right or wrong) and those who give someone that responsibility, preferring to wait for the work to be made for them.

However, the research process is essential for learning and growing as an observer (or nature photographer). The concept is relatively simple: with the help of a good field guide look for the set of visible physical features that define that bird as a species. If necessary, consider the place and date on which the animal was observed, take into account their behavior and even their vocalizations.

 

Obviously, things are not so linear. There are very similar birds and there are characteristics not quite obvious for everyone... then yes it should be requested help from the most experienced.

We should not fear to be mistaken, but look upon it as something positive and as part of our evolution. Nobody knows everything... but we must try, because nothing surpasses the joy of being able to overcome a difficulty by our own means.

 

- House Sparrow (Passer domesticus)

- Cercal do Alentejo - Portugal (22-01-2016)

 

- Spanish Sparrow (Passer hispaniolensis)

- Important Bird Area Planícies de Évora - Portugal (09-05-2016)

25
Set18

Pequenos, fortes e maus

Os picanços são um dos grupos mais carismáticos da nossa avifauna. O seu comportamento e os seus hábitos tendem a despertar paixões entre os observadores, pois estas são autênticas mini-rapinas de reconhecido "mau feitio". No nosso país ocorrem 3 espécies - duas das quais são estivais e uma residente - que frequentam genericamente zonas abertas com árvores ou arbustos dispersos e se alimentam essencialmente de insectos e pequenos vertebrados. 

 

Surgindo geralmente na primeira quinzena de Maio (um dos últimos migradores estivais a chegar ao nosso território), este é o picanço mais cobiçado por observadores e fotógrafos, devido à sua restrita distribuição geográfica: o picanço-de-dorso-ruivo nidifica apenas nas serras mais setentrionais do país, geralmente acima dos 700 m de cota.

 

Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio)

- Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio)

- Montalegre (11-05-2018)

 

Das três espécies, esta é a maior. Apesar de se alimentar também de insectos, chega a caçar répteis, aves de pequeno porte ou ratos aos quais dá o seu famoso tratamento: o piçanço-real armazena comida empalando as suas presas em espinhos ou arame farpado para mais tarde as devorar. Tem uma distribuição geral pelo país, sendo mais comum nas regiões do sul.

 

Picanço-real (Lanius meridionalis)

- Picanço-real (Lanius meridionalis)

- Barragem de Morgavel - Sines (06-11-2016)

 

Começam a chegar a Portugal no início de Março e os últimos indivíduos regressam às suas zonas de invernada na África subsariana no princípio de Outubro... enquanto estão por cá distribuem-se maioritariamente pelo sul do país, mas também pelo interior norte e centro. O picanço-barreteiro é uma bela e aguerrida ave, sendo conhecida por defender ferozmente os seus ninhos, inclusivamente contra humanos.

 

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Ponta dos Corvos - Seixal (23-04-2016)

 

[EN]

Small, strong and bad

 

The shrikes are one of the most charismatic groups of the portuguese birdlife. Their behavior and habits tend to arouse passions among observers, for these are authentic mini birds of prey of well known "bad temper". In Portugal there are 3 species that generally occour in open areas with scattered trees or shrubs and feed mainly on insects and small vertebrates.

Generally appearing in the first fortnight of May (one of the last summer migrators to arrive at portuguese territory), this is the most coveted shrike by observers and photographers, due to its restricted geographic distribution: the Red-backed Shrike nests only in the northernmost mountains of the country, generally above 700 m.

- Red-backed Shrike (Lanius collurio)

- Montalegre - Portugal (11-05-2018)

 

Of the three species, this is the largest. Although it also feeds on insects, it even catches reptiles, small birds or mice to which it gives its famous treatment: the Southern Grey Shrike stores food impaling its prey in thorns or barbed wire to later devour them. It has a general distribution throughout the country, being more common in the southern regions.

- Southern Grey Shrike (Lanius meridionalis)

- Sines - Portugal (06-11-2016)

 

They begin arriving in Portugal at the beginning of March and the last individuals return to their wintering areas in sub-Saharan Africa in early October... while they are mostly distributed in the south of the country, they also occour in the interior north and center. The Woodchat Shrike is a beautiful and brave bird known for fiercely defending its nests, including against humans.

- Woodchat Shrike (Lanius senator)

- Seixal - Portugal (23-04-2016)

10
Jul18

Palavra do dia: Egregófito

Como não podem mastigar os seus alimentos, as aves de rapina ingerem-nos inteiros ou em grandes pedaços. Mas o seu sistema digestivo não consegue processar alguns dos materiais engolidos e, depois de absorvidos todos os nutrientes, eles são expulsos sob a forma de um egregófito (também designado por plumada, egagrópila ou bola de regurgitação). Nas grandes rapinas diurnas esta regurgitação contém geralmente penas, pelo e ossos, dependendo das presas das mesmas. Já as corujas expelem essencialmente o pelo e ossos dos pequenos mamíferos dos quais se alimentam. Junto aos seus dormitórios é comum encontrar grandes quantidades destes egregófitos, contendo milhares de pequenos ossos.

 

As ossadas na foto abaixo foram encontradas junto a uma Coruja-das-torres que dormia tranquilamente na sua "toca". O animal não foi incomodado, pois limitámo-nos a observar as suas regurgitações. Na imagem é possível observar crânios e mandíbulas de diversos formatos e dimensões, o que indica que a ave se alimentou de várias espécies de ratos.

 

Coruja-das-torres (Tyto alba)

- Regurgitações de Coruja-das-torres (Tyto alba)

- Lezíria Grande - Vila Franca de Xira (07-01-2017)

 

Nos egregófitos de predadores menores, como é o caso deste pequeno picanço, encontramos geralmente restos de quitina das carapaças dos insectos que constituem a base da sua alimentação.

 

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Ponta dos Corvos - Seixal (23-04-2016)

 

[EN]

Word of the day: Pellet

 

Birds of prey can not chew their food so they swallow their pray whole or in large pieces. But as their digestive system can not process some of the swallowed materials, after absorbing all the nutrients they are expelled in the form of a pellet. In large daytime birds of prey this regurgitation usually contains feathers, hair and bones, depending on their prey. Owls, however, essentially exude the hair and bones of the small mammals from which they feed. Next to their dorms it is common to find large quantities of these pellets, containing thousands of small bones.

 

The bones in the picture were found next to a Barn Owl that was peacefully sleeping. The animal was not disturbed, for we merely observed its regurgitations. In the image you can see skulls and jaws of various shapes and sizes, which indicates that the bird has fed on several species of mice.

 

In the pellets of smaller predators, as in the case of this small shrike, we can generally find chitin remains from the shells of the insects that form the basis of their subsistence.

 

Pictures:

 

- Mice remains from the pellets of Barn Owl (Tyto alba)

- Vila Franca de Xira - Portugal (07-01-2017)

 

- Woodchat Shrike (Lanius senator)

- Seixal - Portugal (23-04-2016)

 

20
Jun18

Cigarras - Uma vida a cantar

"A Cigarra e a Formiga" é umas das mais conhecidas fábulas de La Fontaine - embora na verdade a sua autoria seja atribuída ao escritor grego Esopo (620 a.C. - 564 a.C.) - e fala-nos da importância de, em época de abundância, continuarmos a trabalhar e a poupar os nossos recursos para termos como subsistir em tempos de dificuldades.

 

No conto, a cigarra passa o verão a cantar e a comer folhas verdes enquanto a formiga apenas trabalha e armazena comida... chegado o inverno, a cigarra passa mal e vê-se obrigada a recorrer à formiga para sobreviver.

 

Cigarra/Cicada (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque Tejo - Lisboa (23-08-2016)

 

Nas nossas matas ou nos parques e jardins das nossas cidades, naquelas tardes tórridas de verão em que nenhuma brisa se sente e nenhum outro som se ouve, o estridente "canto" dos machos destes insectos eleva-se no ar - pode rondar os 100 decibéis e é gerado pela vibração de uma membrana no seu primeiro segmento abdominal - na tentativa de atrair uma fêmea para acasalar.

 

Aquele som vibrante e constante - até eventualmente irritante - leva-nos a pensar: "afinal a fábula tem uma razão de ser". Mas onde estão os bichos? O som que ouvimos parece não ter uma origem definida: olhamos, procuramos e... nada. Pois, estes insectos são extremamente crípticos, sendo bastante difícil localizá-los. E quando finalmente conseguimos ver um deles, supresa das surpresas! "Mas não deviam ser parecidos a gafanhotos?"

 

De facto não o são, o aspecto das cigarras mais facilmente faz lembrar uma enorme mosca, com os seus grandes olhos redondos e as suas asas transparentes. Sim, os ilustradores das histórias andaram a "enganar-nos" durante todo este tempo... 

 

Cigarra (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque da Paz - Almada (10-07-2016)

 

Pelo menos os contos acertaram numa coisa: as cigarras passam o verão a cantar. E no resto do ano? Serão hóspedes das formigas tal como La Fontaine sugeriu? De todo.

 

A cigarra fêmea é atraida pela cantoria de uma macho, é fecundada, põe os seus ovos e morre. Depois da eclosão, as ninfas saídas desses ovos - estes artrópodes sofrem uma metamorfose incompleta (não passam pela fase de pupa) - caem ao chão onde se enterram e onde sobrevivem de 1 a 17 anos - consoante a espécie - alimentando-se da seiva retirada das raizes das plantas.

 

Chegado o pico do verão, emergem do subsolo e passam por uma transformação para o estágio adulto (ecdise). Durante umas semanas alimentam-se da seiva obtida pelos caules e folhas e os machos cantam sob o sol tórrido até que o ciclo se complete uma vez mais.

 

Elas de facto passam toda a sua vida adulta a cantar.

 

[EN]

Cicadas - A life singing

 

In our woods or in the parks and gardens of our cities, on those scorching summer afternoons when no breeze is felt and no other sound is heard, the loud "singing" of these male insects rises in the air - the sound can be around 100 decibels and is generated by the vibration of a membrane in its first abdominal segment - in an attempt to attract a female to mate.

 

That screechy, constant sound drives us crazy . " But where are the bugs?" The sound does not seem to have a definite origin: we look, we search and... nothing. These insects are extremely cryptic, making quite difficult to locate them. And when we finally got to see one of them, surprise surprise! "Should not they look like locusts?" (In the original french, La Fontaines "The grasshopper and the Ant" is "The cicada and the ant". So thanks to the ilustrators, basically everyone thinks a cicada looks like a grasshopper)

 

In fact they do not. The aspect of the cicadas most easily resembles a huge fly, with their large round eyes and their transparent wings. Yes, storytellers have been "cheating" us all this time... At least the tales hit one thing: cicadas spend the summer singing. And the rest of the year? Will they be guests of the ants as La Fontaine suggested? Not at all. 

 

The female cicada is attracted by the singing of a male, is fertilized, lays its eggs and dies. After hatching, the nymphs coming out of these eggs - these arthropods undergo an incomplete metamorphosis (they do not pass through the pupa stage) - fall to the ground where they are buried and where they survive from 1 to 17 years - depending on the species - feeding on sap from the roots of plants.

 

When the peak of summer arrives, they emerge from underground and go through a transformation to the adult stage (ecdysis). For a few weeks they feed on the sap taken from the stalks and leaves and the males sing in the blazing sun until the cycle is once more completed.

 

They actually spend their entire adult life singing

 

Pictures:

- Cicada (family Cicadidae)

- Lisbon - Portugal (08-23-2016)

 

 - Cicada (family Cicadidae)

- Almada - Portugal (07-10-2016)

31
Mai18

Onde observar: As aves cosmopolitas de Lisboa

Quando ouvimos falar em observar aves na região de Lisboa, é natural que a nossa mente viaje imediatamente para o exuberante estuário do Tejo, ou talvez para a verdejante serra de Sintra... quem sabe para as praias da linha ou até da margem sul. Ou mesmo para o Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena, porque não?

 

Mas... e porque não fazê-lo dentro da cidade? Porque só há prédios, carros e barulho, certo? Bem, talvez não seja tão linear quanto isso...

 

Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca)

- Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Migrador de passagem: presente de agosto a princípios de novembro

 

A verdade é que, prestando atenção, podemos observar aves em qualquer sítio: a voar por cima das barulhentas ruas da cidade, alimentando-se nos relvados, a saltitar nas ramagens das árvores nos passeios ou poisados nos beirais dos prédios, por exemplo.

 

Periquito-de-colar (Psittacula krameri)

- Periquito-de-colar (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exótica residente: observável todo o ano

 

Mas o verdadeiro tesouro natural da "cidade de Ulisses" está nos seus vários parques e jardins. As aves autóctones - sejam elas residentes, invernantes, estivais ou migradoras de passagem - convivem com as coloridas exóticas que hoje pululam ruidosamente pela metrópole, proporcionando verdadeiros espectáculos de vida selvagem.

 

Gaio (Garrulus glandarius)

- Gaio (Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Um dos locais mais interessantes para observação é a zona do Parque das Nações, pois a sua localização junto ao rio Tejo permite encontrar não só as aves típicas dos jardins, como também várias espécies de limícolas e até alguns patos.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

Todo este enquadramento de urbanidade cria, aos olhos do observador atento, um contraste e um aparente contra-senso... mas é sabido que a melhor estratégia de sobrevivência na natureza é a adaptação e estes animais vão tendo (felizmente) a capacidade de se adaptarem e de prosperarem no meio semi-artificial criado belo bicho-homem.

 

Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian (21-03-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Embora qualquer parque ou jardim tenha potencial para proporcionar uma interessante experiência a este nível, existem alguns já identificados como pontos de maior interesse (os chamados hotspots), quer pelos habitats que apresentam, quer pelo número de espécies que lá podemos encontrar. O supracitado Parque das Nações é um deles, tal como o sobejamente conhecido Jardim da Gulbenkian ou mesmo o espaçoso Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. Mas existem vários outros... Para aqueles que têm a intenção de explorar mais os meandros da ornitologia citadina, mas não sabem por onde começar, o portal Aves de Portugal disponibiliza uma página com a informação essencial acerca dos locais e espécies existentes na urbe: Aves de Lisboa

 

Não há desculpas. Toca a sair de casa e ir apreciar um pouco a natureza, ainda que seja no meio da cidade.

 

Poupa (Upupa epops)

- Poupa (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

[EN]

 The cosmopolitan birds of Lisbon

 

 When we think about birdwatching in the Lisbon region, our mind travels immediately to the luxuriant Tagus estuary or perhaps to the verdant Serra de Sintra... maybe to the beaches of Lisbon northern shore line or Caparica. Or even to the Interpretive Centre at Lagoa de Albufeira, why not? But... why not do it in the heart of the city? Because there are only buildings, cars and noise, right? Well, maybe it's not as linear as that...

 

But the true natural treasure of the "Ulysses city" lies in its many parks and gardens. Native birds - whether they are resident, wintering, summer, or passing migrants - thrive alongside the colorful exotic birds that now roam around the metropolis, providing us true wildlife shows. One of the most interesting places to birdwatch is Parque das Nações, because its location along the Tagus River allows us to find not only the typical garden birds, but also several species of waders and even some ducks.

 

All this urbanity framework creates, at the eyes of the attentive observer, a contrast and an apparent paradox... but it is known that the best survival strategy in nature is adaptation, and these animals are fortunate to have the ability to adapt and thrive in the semi-artificial environment created by humankind.

 

Although any park or garden has the potential to provide an interesting experience at this level, there are some already identified points of interest (so-called hotspots), because both the habitats they present and the number of species that can be found there. The aforementioned Parque das Nações is one of them, such as the well-known gardens of the Gulbenkian Fundation or even the spacious Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. But there are several others... For those who intend to explore more the meanders of the city's ornithology but do not know where to start, the portal Birds of Portugal provides a page with the essential information about the places and species in the city: Birds of Lisbon.

 

There are no excuses. Just leave the house and go enjoy nature a little, even if it is in the middle of the city.

 

Photos:

- European Pied Flycatcher (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Passing migrant: present from August to early November

 

- Rose-ringed Parakeet (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exotic resident: present all year round

 

- Eurasian Jay(Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Resident: present all year round

 

- Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

 

- Eurasian Wren (Troglodytes troglodytes)

- Gardens of the Calouste Gulbenkian foundation (21-03-2017)

- Resident: present all year round

 

- Common Hoopoe (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

23
Mai18

A Falsa Serpente

Bastas vezes confundido com uma cobra, o licranço é na verdade um lagarto desprovido de patas. Podendo crescer até aos 50cm, estes animais gozam de uma longevidade pouco comum entre os lagartos, chegando a viver até aos 30 anos.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Sendo um animal ovovivíparo, a fêmea dá à luz crias totalmente desenvolvidas. A sua pele composta por escamas (não sobrepostas) lisas e brilhantes valeu-lhe a alcunha de cobra-de-vidro mas, tal como os restantes lagartos, a sua muda de pele ocorre por farrapos e não toda de uma vez. Possuem também a faculdade da autotomia, podendo perder parte da sua cauda como medida de protecção contra predadores.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Ao contrário da crença popular, não possui qualquer tipo de veneno sendo por isso um animal perfeitamente inofensivo e até muito útil, pois alimenta-se de lagartas, lesmas e outros invertebrados. 

 

Licranço (Anguis fragilis)

- Licranço (Anguis fragilis) 

- Montalegre (11-05-2018)

 

[EN]

The Fake Snake

 

Sometimes mistaken for a snake, the slow-worm is actually a legless lizard. Growing up to 50cm these animals enjoy a rare longevity among lizards, reaching up to 30 years.

Being an ovoviviparous animal, the female gives birth to fully developed offspring. His skin made up of smooth and shiny scales earned him the nickname of glass-snake (in Portugal) but like the other lizards, his skin change occurs in patches rather than all at once. Also, they have the faculty of autotomy - the ability to shed the tail as protection against predators.

Contrary to popular belief, it does not possess any type of poison and is therefore a perfectly harmless and even very useful animal, as it feeds on caterpillars, slugs and other invertebrates.

- Slow-worm (Anguis fragilis

- Montalegre - Portugal (11-05-2018)

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