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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

18
Out18

A vizinha das pernas longas

Muito presente no imaginário popular (considerada até responsável pelos "descuidos" de alguns casalinhos), longe vão os tempos em que esta ave sofreu um forte declínio populacional na Península Ibérica. Hoje a recuperação da espécie é notória e cada vez se torna mais fácil observá-la em plena alimentação, seja nos nos campos onde caçam pequenos animais ou nos aterros sanitários enquanto buscam comida no meio do nosso lixo.

 

Facilmente as observamos também nos postes que são o seu local de eleição para a nidificação, inclusivamente nas imediações das nossas casas. Nalgumas zonas do país, formam autênticos condomínios com dezenas de ninhos. "Vizinhas" que não passam despercebidas a ninguém... 

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cabo Sardão (31-03-2018)

 

No baixo alentejo, as populações costeiras destas aves constroem os seus ninhos nas falésias viradas ao mar, comportamento que aparentemente é único no mundo.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cabo Sardão (13-07-2017)

 

Uns quilómetros mais para oriente, é possível vê-las à caça nas quintas e quintais adjacentes às casas, quase indiferente às actividades humanas em redor.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cercal do Alentejo (21-04-2016)

 

Já nas lezírias de Vila Franca de Xira podemos encontrar bandos de centenas destas enormes aves nos arrozais, em perfeita cinergia com as actividades agrícolas. Os agricultores certamente agradecem que haja quem controle a população dos exóticos lagostins-vermelhos que por ali proliferam.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

 

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Lezíria grande - Vila Franca de Xira (05-11-2017)

 

[EN]

The neighbour with long legs

 

Ever present in the popular imaginary, far goes the times in which the White Stork suffered a strong population decline in the Iberian Peninsula. Today the recovery of the species is notorious and it is becoming easier to observe it feeding in the fields where they hunt for small animals or in the landfills while they search for food in the middle of our trash.

 

We can also easily observe them on the poles that are their place of choice for nesting, even in the immediate vicinity of our houses. In some areas of Portugal they form authentic condos with dozens of nests. "Neighbours" that do not go unnoticed by anyone...

 

In the lower Alentejo, the coastal populations of these birds build their nests on the cliffs facing the sea, a behavior that is apparently unique in the world.

A few kilometers further east, it is possible to see them hunting in the small farms and backyards adjacent to the houses, almost indifferent to the human activities around.

Meanwhile, in the meadowlands of Vila Franca de Xira we can find flocks of hundreds of these enormous birds in the rice fields, in perfect cinergy with the agricultural activities. Farmers are certainly grateful that there are those who control the population of the exotic red crayfish that thrive there.

11
Out18

Os Fenótipos e a Etologia - Penas

Preciosas auxiliares para o voo, a presença destas estruturas é uma das características distintivas da Classe Aves. No entanto, as penas podem ter uma série de outras funções tais como o isolamento térmico, a impermeabilização e a camuflagem. São também muitas vezes utilizadas como acolchoamento para os ninhos e até como objecto de atracção sexual. O número e tipo de penas que um animal apresenta depende em grande parte da sua etologia e habitat.

 

Esta bela ave, devido ao seu modo de alimentação, desenvolveu uma plumagem que, além de ser um regalo para a vista, permite mantê-la seca, quente e aerodinâmica mesmo ao mergulhar nas águas onde captura as suas presas.

 

Guarda-rios (Alcedo atthis)

- Guarda-rios (Alcedo atthis
Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (08-10-2016)

 

Já no caso de algumas aves estepárias como o alcaravão e o sisão, as penas desenvolveram-se no sentido de lhes garantir uma boa camuflagem contra os predadores.

 

Sisão (Tetrax tetrax)

- Sisão (Tetrax tetrax)

- Sagres (30-09-2016)

 

As suas cores e padrões mimetizam os habitats que frequentam e permitem-lhes passar despercebidos até aos olhos dos observadores mais atentos.

 

Alcaravão (Burhinus oedicnemus)

- Alcaravão (Burhinus oedicnemus)

- Vila Nova de Milfontes (21-01-2017)

 

[EN]

Phenotypes and Ethology - Feathers

 

Precious flight aids, the presence of these structures is one of the distinctive features of the Aves Class. However feathers may also have a number of other functions such as thermal insulation, waterproofing and camouflage. They are also often used as cushioning for nests and even as an object of sexual attraction. The number and type of feathers an animal exhibits depends to a large extent on their ethology and habitat.

 

This beautiful bird, due to its feeding behaviour, has developed a plumage that besides being a gift for the eyes, allows to keep him dry, warm and aerodynamic even when diving in the waters where it captures his prey.

 

- Common Kingfisher (Alcedo atthis

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra - Portugal (08-10-2016)

 

In some steppe birds like the Stone Curlew or the Little Bustard, the feathers developed in order to guarantee them a good camouflage against predators. Their colors and patterns mimic their habitats and allow them to go unnoticed even to the eyes of the most attentive observers.

 

- Little Bustard (Tetrax tetrax)

- Sagres - Portugal (30-09-2016)

 

- Stone Curlew (Burhinus oedicnemus)

- Vila Nova de Milfontes - Portugal (21-01-2017)

08
Out18

A sua identificação, por favor!

No que toca a descobrir a identidade de uma ave, há dois tipos básicos de pessoas: aqueles que pesquisam, estudam, procuram e chegam a uma conclusão (correcta ou não) e aqueles que entregam a alguém essa responsabilidade, preferindo aguardar que a "papinha" lhes seja feita.

No entanto, o processo de pesquisa é essencial para se aprender e crescer como observador (ou fotógrafo de natureza). O conceito até é relativamente simples: com o auxílio de um bom guia de campo, procurar o conjunto de características físicas visíveis que definem aquela ave como uma espécie. Se necessário, há que tentar enquadrar o local e data em que o animal foi observado, ter em consideração o seu comportamento e até as suas vocalizações.

 

Pardal (Passer domesticus)

- Pardal (Passer domesticus
- Cercal do Alentejo (22-01-2016)

 

É óbvio que, na práctica, as coisas não são assim tão lineares. Há bichos muito similares e há características que não são óbvias aos olhos de qualquer um... aí sim deve ser solicitado auxílio aos mais experientes.

Não devemos temer o erro, mas sim encará-lo como algo positivo e como parte da nossa evolução. Ninguém sabe tudo... mas devemos tentar, pois nada ultrapassa o gozo de conseguir superar uma dificuldade pelos nossos próprios meios.

 

Pardal-espanhol (Passer hispaniolensis)

- Pardal-espanhol (Passer hispaniolensis)

- IBA Planícies de Évora (09-05-2016)

 

[EN]

Your ID please!

 

When it comes to discovering the identity of a bird, there are two basic types of people: those who research, study, seek and come to a conclusion (right or wrong) and those who give someone that responsibility, preferring to wait for the work to be made for them.

However, the research process is essential for learning and growing as an observer (or nature photographer). The concept is relatively simple: with the help of a good field guide look for the set of visible physical features that define that bird as a species. If necessary, consider the place and date on which the animal was observed, take into account their behavior and even their vocalizations.

 

Obviously, things are not so linear. There are very similar birds and there are characteristics not quite obvious for everyone... then yes it should be requested help from the most experienced.

We should not fear to be mistaken, but look upon it as something positive and as part of our evolution. Nobody knows everything... but we must try, because nothing surpasses the joy of being able to overcome a difficulty by our own means.

 

- House Sparrow (Passer domesticus)

- Cercal do Alentejo - Portugal (22-01-2016)

 

- Spanish Sparrow (Passer hispaniolensis)

- Important Bird Area Planícies de Évora - Portugal (09-05-2016)

25
Set18

Pequenos, fortes e maus

Os picanços são um dos grupos mais carismáticos da nossa avifauna. O seu comportamento e os seus hábitos tendem a despertar paixões entre os observadores, pois estas são autênticas mini-rapinas de reconhecido "mau feitio". No nosso país ocorrem 3 espécies - duas das quais são estivais e uma residente - que frequentam genericamente zonas abertas com árvores ou arbustos dispersos e se alimentam essencialmente de insectos e pequenos vertebrados. 

 

Surgindo geralmente na primeira quinzena de Maio (um dos últimos migradores estivais a chegar ao nosso território), este é o picanço mais cobiçado por observadores e fotógrafos, devido à sua restrita distribuição geográfica: o picanço-de-dorso-ruivo nidifica apenas nas serras mais setentrionais do país, geralmente acima dos 700 m de cota.

 

Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio)

- Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio)

- Montalegre (11-05-2018)

 

Das três espécies, esta é a maior. Apesar de se alimentar também de insectos, chega a caçar répteis, aves de pequeno porte ou ratos aos quais dá o seu famoso tratamento: o piçanço-real armazena comida empalando as suas presas em espinhos ou arame farpado para mais tarde as devorar. Tem uma distribuição geral pelo país, sendo mais comum nas regiões do sul.

 

Picanço-real (Lanius meridionalis)

- Picanço-real (Lanius meridionalis)

- Barragem de Morgavel - Sines (06-11-2016)

 

Começam a chegar a Portugal no início de Março e os últimos indivíduos regressam às suas zonas de invernada na África subsariana no princípio de Outubro... enquanto estão por cá distribuem-se maioritariamente pelo sul do país, mas também pelo interior norte e centro. O picanço-barreteiro é uma bela e aguerrida ave, sendo conhecida por defender ferozmente os seus ninhos, inclusivamente contra humanos.

 

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Ponta dos Corvos - Seixal (23-04-2016)

 

[EN]

Small, strong and bad

 

The shrikes are one of the most charismatic groups of the portuguese birdlife. Their behavior and habits tend to arouse passions among observers, for these are authentic mini birds of prey of well known "bad temper". In Portugal there are 3 species that generally occour in open areas with scattered trees or shrubs and feed mainly on insects and small vertebrates.

Generally appearing in the first fortnight of May (one of the last summer migrators to arrive at portuguese territory), this is the most coveted shrike by observers and photographers, due to its restricted geographic distribution: the Red-backed Shrike nests only in the northernmost mountains of the country, generally above 700 m.

- Red-backed Shrike (Lanius collurio)

- Montalegre - Portugal (11-05-2018)

 

Of the three species, this is the largest. Although it also feeds on insects, it even catches reptiles, small birds or mice to which it gives its famous treatment: the Southern Grey Shrike stores food impaling its prey in thorns or barbed wire to later devour them. It has a general distribution throughout the country, being more common in the southern regions.

- Southern Grey Shrike (Lanius meridionalis)

- Sines - Portugal (06-11-2016)

 

They begin arriving in Portugal at the beginning of March and the last individuals return to their wintering areas in sub-Saharan Africa in early October... while they are mostly distributed in the south of the country, they also occour in the interior north and center. The Woodchat Shrike is a beautiful and brave bird known for fiercely defending its nests, including against humans.

- Woodchat Shrike (Lanius senator)

- Seixal - Portugal (23-04-2016)

10
Jul18

Palavra do dia: Egregófito

Como não podem mastigar os seus alimentos, as aves de rapina ingerem-nos inteiros ou em grandes pedaços. Mas o seu sistema digestivo não consegue processar alguns dos materiais engolidos e, depois de absorvidos todos os nutrientes, eles são expulsos sob a forma de um egregófito (também designado por plumada, egagrópila ou bola de regurgitação). Nas grandes rapinas diurnas esta regurgitação contém geralmente penas, pelo e ossos, dependendo das presas das mesmas. Já as corujas expelem essencialmente o pelo e ossos dos pequenos mamíferos dos quais se alimentam. Junto aos seus dormitórios é comum encontrar grandes quantidades destes egregófitos, contendo milhares de pequenos ossos.

 

As ossadas na foto abaixo foram encontradas junto a uma Coruja-das-torres que dormia tranquilamente na sua "toca". O animal não foi incomodado, pois limitámo-nos a observar as suas regurgitações. Na imagem é possível observar crânios e mandíbulas de diversos formatos e dimensões, o que indica que a ave se alimentou de várias espécies de ratos.

 

Coruja-das-torres (Tyto alba)

- Regurgitações de Coruja-das-torres (Tyto alba)

- Lezíria Grande - Vila Franca de Xira (07-01-2017)

 

Nos egregófitos de predadores menores, como é o caso deste pequeno picanço, encontramos geralmente restos de quitina das carapaças dos insectos que constituem a base da sua alimentação.

 

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Ponta dos Corvos - Seixal (23-04-2016)

 

[EN]

Word of the day: Pellet

 

Birds of prey can not chew their food so they swallow their pray whole or in large pieces. But as their digestive system can not process some of the swallowed materials, after absorbing all the nutrients they are expelled in the form of a pellet. In large daytime birds of prey this regurgitation usually contains feathers, hair and bones, depending on their prey. Owls, however, essentially exude the hair and bones of the small mammals from which they feed. Next to their dorms it is common to find large quantities of these pellets, containing thousands of small bones.

 

The bones in the picture were found next to a Barn Owl that was peacefully sleeping. The animal was not disturbed, for we merely observed its regurgitations. In the image you can see skulls and jaws of various shapes and sizes, which indicates that the bird has fed on several species of mice.

 

In the pellets of smaller predators, as in the case of this small shrike, we can generally find chitin remains from the shells of the insects that form the basis of their subsistence.

 

Pictures:

 

- Mice remains from the pellets of Barn Owl (Tyto alba)

- Vila Franca de Xira - Portugal (07-01-2017)

 

- Woodchat Shrike (Lanius senator)

- Seixal - Portugal (23-04-2016)

 

20
Jun18

Cigarras - Uma vida a cantar

"A Cigarra e a Formiga" é umas das mais conhecidas fábulas de La Fontaine - embora na verdade a sua autoria seja atribuída ao escritor grego Esopo (620 a.C. - 564 a.C.) - e fala-nos da importância de, em época de abundância, continuarmos a trabalhar e a poupar os nossos recursos para termos como subsistir em tempos de dificuldades.

 

No conto, a cigarra passa o verão a cantar e a comer folhas verdes enquanto a formiga apenas trabalha e armazena comida... chegado o inverno, a cigarra passa mal e vê-se obrigada a recorrer à formiga para sobreviver.

 

Cigarra/Cicada (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque Tejo - Lisboa (23-08-2016)

 

Nas nossas matas ou nos parques e jardins das nossas cidades, naquelas tardes tórridas de verão em que nenhuma brisa se sente e nenhum outro som se ouve, o estridente "canto" dos machos destes insectos eleva-se no ar - pode rondar os 100 decibéis e é gerado pela vibração de uma membrana no seu primeiro segmento abdominal - na tentativa de atrair uma fêmea para acasalar.

 

Aquele som vibrante e constante - até eventualmente irritante - leva-nos a pensar: "afinal a fábula tem uma razão de ser". Mas onde estão os bichos? O som que ouvimos parece não ter uma origem definida: olhamos, procuramos e... nada. Pois, estes insectos são extremamente crípticos, sendo bastante difícil localizá-los. E quando finalmente conseguimos ver um deles, supresa das surpresas! "Mas não deviam ser parecidos a gafanhotos?"

 

De facto não o são, o aspecto das cigarras mais facilmente faz lembrar uma enorme mosca, com os seus grandes olhos redondos e as suas asas transparentes. Sim, os ilustradores das histórias andaram a "enganar-nos" durante todo este tempo... 

 

Cigarra (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque da Paz - Almada (10-07-2016)

 

Pelo menos os contos acertaram numa coisa: as cigarras passam o verão a cantar. E no resto do ano? Serão hóspedes das formigas tal como La Fontaine sugeriu? De todo.

 

A cigarra fêmea é atraida pela cantoria de uma macho, é fecundada, põe os seus ovos e morre. Depois da eclosão, as ninfas saídas desses ovos - estes artrópodes sofrem uma metamorfose incompleta (não passam pela fase de pupa) - caem ao chão onde se enterram e onde sobrevivem de 1 a 17 anos - consoante a espécie - alimentando-se da seiva retirada das raizes das plantas.

 

Chegado o pico do verão, emergem do subsolo e passam por uma transformação para o estágio adulto (ecdise). Durante umas semanas alimentam-se da seiva obtida pelos caules e folhas e os machos cantam sob o sol tórrido até que o ciclo se complete uma vez mais.

 

Elas de facto passam toda a sua vida adulta a cantar.

 

[EN]

Cicadas - A life singing

 

In our woods or in the parks and gardens of our cities, on those scorching summer afternoons when no breeze is felt and no other sound is heard, the loud "singing" of these male insects rises in the air - the sound can be around 100 decibels and is generated by the vibration of a membrane in its first abdominal segment - in an attempt to attract a female to mate.

 

That screechy, constant sound drives us crazy . " But where are the bugs?" The sound does not seem to have a definite origin: we look, we search and... nothing. These insects are extremely cryptic, making quite difficult to locate them. And when we finally got to see one of them, surprise surprise! "Should not they look like locusts?" (In the original french, La Fontaines "The grasshopper and the Ant" is "The cicada and the ant". So thanks to the ilustrators, basically everyone thinks a cicada looks like a grasshopper)

 

In fact they do not. The aspect of the cicadas most easily resembles a huge fly, with their large round eyes and their transparent wings. Yes, storytellers have been "cheating" us all this time... At least the tales hit one thing: cicadas spend the summer singing. And the rest of the year? Will they be guests of the ants as La Fontaine suggested? Not at all. 

 

The female cicada is attracted by the singing of a male, is fertilized, lays its eggs and dies. After hatching, the nymphs coming out of these eggs - these arthropods undergo an incomplete metamorphosis (they do not pass through the pupa stage) - fall to the ground where they are buried and where they survive from 1 to 17 years - depending on the species - feeding on sap from the roots of plants.

 

When the peak of summer arrives, they emerge from underground and go through a transformation to the adult stage (ecdysis). For a few weeks they feed on the sap taken from the stalks and leaves and the males sing in the blazing sun until the cycle is once more completed.

 

They actually spend their entire adult life singing

 

Pictures:

- Cicada (family Cicadidae)

- Lisbon - Portugal (08-23-2016)

 

 - Cicada (family Cicadidae)

- Almada - Portugal (07-10-2016)

31
Mai18

Onde observar: As aves cosmopolitas de Lisboa

Quando ouvimos falar em observar aves na região de Lisboa, é natural que a nossa mente viaje imediatamente para o exuberante estuário do Tejo, ou talvez para a verdejante serra de Sintra... quem sabe para as praias da linha ou até da margem sul. Ou mesmo para o Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena, porque não?

 

Mas... e porque não fazê-lo dentro da cidade? Porque só há prédios, carros e barulho, certo? Bem, talvez não seja tão linear quanto isso...

 

Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca)

- Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Migrador de passagem: presente de agosto a princípios de novembro

 

A verdade é que, prestando atenção, podemos observar aves em qualquer sítio: a voar por cima das barulhentas ruas da cidade, alimentando-se nos relvados, a saltitar nas ramagens das árvores nos passeios ou poisados nos beirais dos prédios, por exemplo.

 

Periquito-de-colar (Psittacula krameri)

- Periquito-de-colar (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exótica residente: observável todo o ano

 

Mas o verdadeiro tesouro natural da "cidade de Ulisses" está nos seus vários parques e jardins. As aves autóctones - sejam elas residentes, invernantes, estivais ou migradoras de passagem - convivem com as coloridas exóticas que hoje pululam ruidosamente pela metrópole, proporcionando verdadeiros espectáculos de vida selvagem.

 

Gaio (Garrulus glandarius)

- Gaio (Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Um dos locais mais interessantes para observação é a zona do Parque das Nações, pois a sua localização junto ao rio Tejo permite encontrar não só as aves típicas dos jardins, como também várias espécies de limícolas e até alguns patos.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

Todo este enquadramento de urbanidade cria, aos olhos do observador atento, um contraste e um aparente contra-senso... mas é sabido que a melhor estratégia de sobrevivência na natureza é a adaptação e estes animais vão tendo (felizmente) a capacidade de se adaptarem e de prosperarem no meio semi-artificial criado belo bicho-homem.

 

Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian (21-03-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Embora qualquer parque ou jardim tenha potencial para proporcionar uma interessante experiência a este nível, existem alguns já identificados como pontos de maior interesse (os chamados hotspots), quer pelos habitats que apresentam, quer pelo número de espécies que lá podemos encontrar. O supracitado Parque das Nações é um deles, tal como o sobejamente conhecido Jardim da Gulbenkian ou mesmo o espaçoso Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. Mas existem vários outros... Para aqueles que têm a intenção de explorar mais os meandros da ornitologia citadina, mas não sabem por onde começar, o portal Aves de Portugal disponibiliza uma página com a informação essencial acerca dos locais e espécies existentes na urbe: Aves de Lisboa

 

Não há desculpas. Toca a sair de casa e ir apreciar um pouco a natureza, ainda que seja no meio da cidade.

 

Poupa (Upupa epops)

- Poupa (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

[EN]

 The cosmopolitan birds of Lisbon

 

 When we think about birdwatching in the Lisbon region, our mind travels immediately to the luxuriant Tagus estuary or perhaps to the verdant Serra de Sintra... maybe to the beaches of Lisbon northern shore line or Caparica. Or even to the Interpretive Centre at Lagoa de Albufeira, why not? But... why not do it in the heart of the city? Because there are only buildings, cars and noise, right? Well, maybe it's not as linear as that...

 

But the true natural treasure of the "Ulysses city" lies in its many parks and gardens. Native birds - whether they are resident, wintering, summer, or passing migrants - thrive alongside the colorful exotic birds that now roam around the metropolis, providing us true wildlife shows. One of the most interesting places to birdwatch is Parque das Nações, because its location along the Tagus River allows us to find not only the typical garden birds, but also several species of waders and even some ducks.

 

All this urbanity framework creates, at the eyes of the attentive observer, a contrast and an apparent paradox... but it is known that the best survival strategy in nature is adaptation, and these animals are fortunate to have the ability to adapt and thrive in the semi-artificial environment created by humankind.

 

Although any park or garden has the potential to provide an interesting experience at this level, there are some already identified points of interest (so-called hotspots), because both the habitats they present and the number of species that can be found there. The aforementioned Parque das Nações is one of them, such as the well-known gardens of the Gulbenkian Fundation or even the spacious Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. But there are several others... For those who intend to explore more the meanders of the city's ornithology but do not know where to start, the portal Birds of Portugal provides a page with the essential information about the places and species in the city: Birds of Lisbon.

 

There are no excuses. Just leave the house and go enjoy nature a little, even if it is in the middle of the city.

 

Photos:

- European Pied Flycatcher (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Passing migrant: present from August to early November

 

- Rose-ringed Parakeet (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exotic resident: present all year round

 

- Eurasian Jay(Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Resident: present all year round

 

- Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

 

- Eurasian Wren (Troglodytes troglodytes)

- Gardens of the Calouste Gulbenkian foundation (21-03-2017)

- Resident: present all year round

 

- Common Hoopoe (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

23
Mai18

A Falsa Serpente

Bastas vezes confundido com uma cobra, o licranço é na verdade um lagarto desprovido de patas. Podendo crescer até aos 50cm, estes animais gozam de uma longevidade pouco comum entre os lagartos, chegando a viver até aos 30 anos.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Sendo um animal ovovivíparo, a fêmea dá à luz crias totalmente desenvolvidas. A sua pele composta por escamas (não sobrepostas) lisas e brilhantes valeu-lhe a alcunha de cobra-de-vidro mas, tal como os restantes lagartos, a sua muda de pele ocorre por farrapos e não toda de uma vez. Possuem também a faculdade da autotomia, podendo perder parte da sua cauda como medida de protecção contra predadores.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Ao contrário da crença popular, não possui qualquer tipo de veneno sendo por isso um animal perfeitamente inofensivo e até muito útil, pois alimenta-se de lagartas, lesmas e outros invertebrados. 

 

Licranço (Anguis fragilis)

- Licranço (Anguis fragilis) 

- Montalegre (11-05-2018)

 

[EN]

The Fake Snake

 

Sometimes mistaken for a snake, the slow-worm is actually a legless lizard. Growing up to 50cm these animals enjoy a rare longevity among lizards, reaching up to 30 years.

Being an ovoviviparous animal, the female gives birth to fully developed offspring. His skin made up of smooth and shiny scales earned him the nickname of glass-snake (in Portugal) but like the other lizards, his skin change occurs in patches rather than all at once. Also, they have the faculty of autotomy - the ability to shed the tail as protection against predators.

Contrary to popular belief, it does not possess any type of poison and is therefore a perfectly harmless and even very useful animal, as it feeds on caterpillars, slugs and other invertebrates.

- Slow-worm (Anguis fragilis

- Montalegre - Portugal (11-05-2018)

09
Mai18

Os primos de cauda ruiva

Avistado com frequência nas nossas aldeias e vilas (principalmente no norte e centro do país), podemos encontrar o rabirruivo-preto também em castelos, casas de pedra, ruínas e em zonas escarpadas do litoral. Esta pequena ave insectivora é essencialmente residente mas a sua população é reforçada no outono e inverno por migradores chegados de norte. 

 

Menos bem distribuído, o seu congénere rabirruivo-de-testa-branca é comum apenas em algumas regiões do território e, apesar de poder viver em zonas humanizadas, prefere um habitat mais florestal, como montados ou carvalhais. 

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Sendo uma ave cosmopolita e por isso habituada à presença humana, é frequente que o rabirruivo-preto nidifique em buracos ou reentrâncias de casas e prédios (há vários relatos de ninhos em caixas de estores).

 

Rabirruivo (Phoenicurus ochruros)

- Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

 

Já o seu "primo" de testa branca, embora também possa construir o seu ninho em edificações, tende a preferir buracos de árvores ou rochas.

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Até ao momento, foram registadas 54 espécies de aves neste parque urbano da Quinta da Marialva em Corroios. Algumas invernantes, outras estivais e também algumas residentes, como um casal nidificante de rabirruivos-pretos, extremamente tolerantes aos seres humanos que por ali passeiam todos os dias.

Ocorrem também amiúde alguns migradores de passagem, principalmente entre o final de agosto e meados de novembro. Encontrar uma destas aves é sempre uma agradável surpresa e foi exactamente esse o caso deste rabirruivo-de-testa-branca. Terá ido visitar os "primos"?

 

[EN]

Redstart cousins

 

Frequently spotted in portuguese villages and towns (mainly in the north and center of the country), we can also find black redstarts in castles, stone houses, ruins and cliffs at coastal areas. This small insectivorous bird is essentially resident but its population increases in the fall and winter with migrators from the north. Less well distributed, its congener common redstarter is common only in some regions of the territory and although it may live in humanized areas, it prefers a more forested habitat, such as oak and cork oak woods.

 

Being a cosmopolitan bird and therefore accustomed to human presence, it is common for the black redstart to nest in holes or recesses of houses and buildings (there are several reports of nests in boxes of blinds). His white-headed "cousin", though he may also build his nest in buildings, tends to prefer holes in trees or rocks. 


To date, 54 bird species have been registered in this urban park of Quinta da Marialva in Corroios. Some are just wintering, some arrive in summer and there are also some residents like a nesting couple of black redstarts, extremely tolerant to the humans who walk around every day.

There are also a number of migratory passers-by, especially between late August and mid-November. Finding one of these birds is always a pleasant surprise and that is exactly the case for this common redstart. Could he be visiting his "cousins"?

 

- Common Redstart (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios - Portugal (04-11-2017)

 

- Black Redstart (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

13
Abr18

Onde observar: Lezíria Grande - O Shangri-la da passarada

Se há locais que merecem ser visitados pelo menos uma vez antes de morrermos, há aqueles que se pudéssemos visitávamos todos os dias da nossa vida... Penso que para qualquer "birdwatcher", a Lezíria é um daqueles sítios em que poderíamos viver felizes para sempre.

 

Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)

- Águia-sapeira ou Tartaranhão-ruivo-dos-pauis / Eurasian Marsh Harrier (Circus aeruginosus)

- Lezíria Grande (23-12-2017) 

 

É verdade que não são as paisagens mais deslumbrantes... uma planície infindável emoldurada por dois rios (Tejo e Sorraia) e recortada por várias linhas de água, talhões de arroz a perder de vista, alguns estradões, uma ermida, umas poucas construções decrépitas e a ausência quase total de árvores e vegetação arbustiva são tudo o que podemos esperar ver num passeio pela Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. Bem, tudo talvez não...

 

Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa)

- Milherango ou Maçarico-de-bico-direito / Black-tailed Godwit (Limosa limosa) et al.

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Os apreciadores da natureza - e acima de tudo os observadores de aves - têm aqui um ponto de passagem quase obrigatório, pelo menos uma vez na vida. Para mim, este será um dos poucos locais no nosso país onde as actividades humanas parecem estar em razoável equilíbrio com uma exuberante explosão de vida selvagem.

 

Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

- Perdiz-do-mar / Collared Pratincole (Glareola pratincola)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Enormes bandos de íbis-pretas, gansos-bravos, milherangos, cegonhas e patos interagem com as aves de rapina que deles se alimentam, águias-pesqueiras devoram as suas presas no topo dos seus poisos preferidos, miríades de pequenas aves coexistem com lebres, javalis, raposas, sacarrabos... e todo este fervilhar de vida acontece lado a lado com o pastoreio do gado e com a actividade agrícola intensiva dos Homens e da sua maquinaria. Ainda assim a vida prospera.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro / Eurasian Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Aqui, quase todos os dias há algo novo para ver, seja uma espécie nova que chegou, um comportamento interessante ou uma raridade que, literalmente, desce dos céus. 

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Águia-pesqueira / Osprey (Pandion haliaetus

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Para mim este é, sem sombra de dúvidas, o paraíso das aves.

 

Sisão (Tetrax tetrax)

- Sisão / Little Bustard (Tetrax tetrax)

- Lezíria Grande (11-03-2017)

 

[EN]

If there are places that deserve to be visited at least once before we die, there are those that we could visit every day of our lives... I think that Lezíria Grande in Vila franca de Xira (Portugal) is one of those places where any birdwatcher could live happily ever after.

 

It is true that those are not the most breathtaking landscapes... an endless plain framed by two rivers (Tejo and Sorraia) and cut by several water lines, rice fields everywere, some dirt roads, a hermitage, a few decrepit constructions and the almost total absence of trees and shrubby vegetation are all that we can expect to see on a stroll through the marshlands of Vila Franca de Xira. Well, maybe not all...

 

Nature lovers - and most of all birdwatchers - have an almost obligatory crossing point here, at least once in their lifetime. To me, this will be one of the few places in Portugal where human activities seem to be in reasonable balance with a lush burst of wildlife.

 

Enormous flocks of glossy ibis, wild geese, black-tailed godwits, storks and ducks interact with the birds of prey that feed on them, ospreys devour their prey at the top of their favorite spots, myriads of small birds coexist with hares, wild boars, foxes, mongooses... and all this buzzing of life happens side by side with cattle grazing and the intensive agricultural activity of Men and their machinery. Yet life thrives.

 

Here, almost every day there is something new to see, whether it is a new species that has arrived, an interesting behavior or a rarity that literally descends from the heavens. For me this is, without a doubt, the paradise of birds.

Eu

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