Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

10
Jul18

Palavra do dia: Egregófito

Como não podem mastigar os seus alimentos, as aves de rapina ingerem-nos inteiros ou em grandes pedaços. Mas o seu sistema digestivo não consegue processar alguns dos materiais engolidos e, depois de absorvidos todos os nutrientes, eles são expulsos sob a forma de um egregófito (também designado por plumada, egagrópila ou bola de regurgitação). Nas grandes rapinas diurnas esta regurgitação contém geralmente penas, pelo e ossos, dependendo das presas das mesmas. Já as corujas expelem essencialmente o pelo e ossos dos pequenos mamíferos dos quais se alimentam. Junto aos seus dormitórios é comum encontrar grandes quantidades destes egregófitos, contendo milhares de pequenos ossos.

 

As ossadas na foto abaixo foram encontradas junto a uma Coruja-das-torres que dormia tranquilamente na sua "toca". O animal não foi incomodado, pois limitámo-nos a observar as suas regurgitações. Na imagem é possível observar crânios e mandíbulas de diversos formatos e dimensões, o que indica que a ave se alimentou de várias espécies de ratos.

 

Coruja-das-torres (Tyto alba)

- Regurgitações de Coruja-das-torres (Tyto alba)

- Lezíria Grande - Vila Franca de Xira (07-01-2017)

 

Nos egregófitos de predadores menores, como é o caso deste pequeno picanço, encontramos geralmente restos de quitina das carapaças dos insectos que constituem a base da sua alimentação.

 

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Ponta dos Corvos - Seixal (23-04-2016)

 

[EN]

Word of the day: Pellet

 

Birds of prey can not chew their food so they swallow their pray whole or in large pieces. But as their digestive system can not process some of the swallowed materials, after absorbing all the nutrients they are expelled in the form of a pellet. In large daytime birds of prey this regurgitation usually contains feathers, hair and bones, depending on their prey. Owls, however, essentially exude the hair and bones of the small mammals from which they feed. Next to their dorms it is common to find large quantities of these pellets, containing thousands of small bones.

 

The bones in the picture were found next to a Barn Owl that was peacefully sleeping. The animal was not disturbed, for we merely observed its regurgitations. In the image you can see skulls and jaws of various shapes and sizes, which indicates that the bird has fed on several species of mice.

 

In the pellets of smaller predators, as in the case of this small shrike, we can generally find chitin remains from the shells of the insects that form the basis of their subsistence.

 

Pictures:

 

- Mice remains from the pellets of Barn Owl (Tyto alba)

- Vila Franca de Xira - Portugal (07-01-2017)

 

- Woodchat Shrike (Lanius senator)

- Seixal - Portugal (23-04-2016)

 

20
Jun18

Cigarras - Uma vida a cantar

"A Cigarra e a Formiga" é umas das mais conhecidas fábulas de La Fontaine - embora na verdade a sua autoria seja atribuída ao escritor grego Esopo (620 a.C. - 564 a.C.) - e fala-nos da importância de, em época de abundância, continuarmos a trabalhar e a poupar os nossos recursos para termos como subsistir em tempos de dificuldades.

 

No conto, a cigarra passa o verão a cantar e a comer folhas verdes enquanto a formiga apenas trabalha e armazena comida... chegado o inverno, a cigarra passa mal e vê-se obrigada a recorrer à formiga para sobreviver.

 

Cigarra/Cicada (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque Tejo - Lisboa (23-08-2016)

 

Nas nossas matas ou nos parques e jardins das nossas cidades, naquelas tardes tórridas de verão em que nenhuma brisa se sente e nenhum outro som se ouve, o estridente "canto" dos machos destes insectos eleva-se no ar - pode rondar os 100 decibéis e é gerado pela vibração de uma membrana no seu primeiro segmento abdominal - na tentativa de atrair uma fêmea para acasalar.

 

Aquele som vibrante e constante - até eventualmente irritante - leva-nos a pensar: "afinal a fábula tem uma razão de ser". Mas onde estão os bichos? O som que ouvimos parece não ter uma origem definida: olhamos, procuramos e... nada. Pois, estes insectos são extremamente crípticos, sendo bastante difícil localizá-los. E quando finalmente conseguimos ver um deles, supresa das surpresas! "Mas não deviam ser parecidos a gafanhotos?"

 

De facto não o são, o aspecto das cigarras mais facilmente faz lembrar uma enorme mosca, com os seus grandes olhos redondos e as suas asas transparentes. Sim, os ilustradores das histórias andaram a "enganar-nos" durante todo este tempo... 

 

Cigarra (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque da Paz - Almada (10-07-2016)

 

Pelo menos os contos acertaram numa coisa: as cigarras passam o verão a cantar. E no resto do ano? Serão hóspedes das formigas tal como La Fontaine sugeriu? De todo.

 

A cigarra fêmea é atraida pela cantoria de uma macho, é fecundada, põe os seus ovos e morre. Depois da eclosão, as ninfas saídas desses ovos - estes artrópodes sofrem uma metamorfose incompleta (não passam pela fase de pupa) - caem ao chão onde se enterram e onde sobrevivem de 1 a 17 anos - consoante a espécie - alimentando-se da seiva retirada das raizes das plantas.

 

Chegado o pico do verão, emergem do subsolo e passam por uma transformação para o estágio adulto (ecdise). Durante umas semanas alimentam-se da seiva obtida pelos caules e folhas e os machos cantam sob o sol tórrido até que o ciclo se complete uma vez mais.

 

Elas de facto passam toda a sua vida adulta a cantar.

 

[EN]

Cicadas - A life singing

 

In our woods or in the parks and gardens of our cities, on those scorching summer afternoons when no breeze is felt and no other sound is heard, the loud "singing" of these male insects rises in the air - the sound can be around 100 decibels and is generated by the vibration of a membrane in its first abdominal segment - in an attempt to attract a female to mate.

 

That screechy, constant sound drives us crazy . " But where are the bugs?" The sound does not seem to have a definite origin: we look, we search and... nothing. These insects are extremely cryptic, making quite difficult to locate them. And when we finally got to see one of them, surprise surprise! "Should not they look like locusts?" (In the original french, La Fontaines "The grasshopper and the Ant" is "The cicada and the ant". So thanks to the ilustrators, basically everyone thinks a cicada looks like a grasshopper)

 

In fact they do not. The aspect of the cicadas most easily resembles a huge fly, with their large round eyes and their transparent wings. Yes, storytellers have been "cheating" us all this time... At least the tales hit one thing: cicadas spend the summer singing. And the rest of the year? Will they be guests of the ants as La Fontaine suggested? Not at all. 

 

The female cicada is attracted by the singing of a male, is fertilized, lays its eggs and dies. After hatching, the nymphs coming out of these eggs - these arthropods undergo an incomplete metamorphosis (they do not pass through the pupa stage) - fall to the ground where they are buried and where they survive from 1 to 17 years - depending on the species - feeding on sap from the roots of plants.

 

When the peak of summer arrives, they emerge from underground and go through a transformation to the adult stage (ecdysis). For a few weeks they feed on the sap taken from the stalks and leaves and the males sing in the blazing sun until the cycle is once more completed.

 

They actually spend their entire adult life singing

 

Pictures:

- Cicada (family Cicadidae)

- Lisbon - Portugal (08-23-2016)

 

 - Cicada (family Cicadidae)

- Almada - Portugal (07-10-2016)

31
Mai18

Onde observar: As aves cosmopolitas de Lisboa

Quando ouvimos falar em observar aves na região de Lisboa, é natural que a nossa mente viaje imediatamente para o exuberante estuário do Tejo, ou talvez para a verdejante serra de Sintra... quem sabe para as praias da linha ou até da margem sul. Ou mesmo para o Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena, porque não?

 

Mas... e porque não fazê-lo dentro da cidade? Porque só há prédios, carros e barulho, certo? Bem, talvez não seja tão linear quanto isso...

 

Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca)

- Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Migrador de passagem: presente de agosto a princípios de novembro

 

A verdade é que, prestando atenção, podemos observar aves em qualquer sítio: a voar por cima das barulhentas ruas da cidade, alimentando-se nos relvados, a saltitar nas ramagens das árvores nos passeios ou poisados nos beirais dos prédios, por exemplo.

 

Periquito-de-colar (Psittacula krameri)

- Periquito-de-colar (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exótica residente: observável todo o ano

 

Mas o verdadeiro tesouro natural da "cidade de Ulisses" está nos seus vários parques e jardins. As aves autóctones - sejam elas residentes, invernantes, estivais ou migradoras de passagem - convivem com as coloridas exóticas que hoje pululam ruidosamente pela metrópole, proporcionando verdadeiros espectáculos de vida selvagem.

 

Gaio (Garrulus glandarius)

- Gaio (Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Um dos locais mais interessantes para observação é a zona do Parque das Nações, pois a sua localização junto ao rio Tejo permite encontrar não só as aves típicas dos jardins, como também várias espécies de limícolas e até alguns patos.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

Todo este enquadramento de urbanidade cria, aos olhos do observador atento, um contraste e um aparente contra-senso... mas é sabido que a melhor estratégia de sobrevivência na natureza é a adaptação e estes animais vão tendo (felizmente) a capacidade de se adaptarem e de prosperarem no meio semi-artificial criado belo bicho-homem.

 

Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian (21-03-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Embora qualquer parque ou jardim tenha potencial para proporcionar uma interessante experiência a este nível, existem alguns já identificados como pontos de maior interesse (os chamados hotspots), quer pelos habitats que apresentam, quer pelo número de espécies que lá podemos encontrar. O supracitado Parque das Nações é um deles, tal como o sobejamente conhecido Jardim da Gulbenkian ou mesmo o espaçoso Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. Mas existem vários outros... Para aqueles que têm a intenção de explorar mais os meandros da ornitologia citadina, mas não sabem por onde começar, o portal Aves de Portugal disponibiliza uma página com a informação essencial acerca dos locais e espécies existentes na urbe: Aves de Lisboa

 

Não há desculpas. Toca a sair de casa e ir apreciar um pouco a natureza, ainda que seja no meio da cidade.

 

Poupa (Upupa epops)

- Poupa (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

[EN]

 The cosmopolitan birds of Lisbon

 

 When we think about birdwatching in the Lisbon region, our mind travels immediately to the luxuriant Tagus estuary or perhaps to the verdant Serra de Sintra... maybe to the beaches of Lisbon northern shore line or Caparica. Or even to the Interpretive Centre at Lagoa de Albufeira, why not? But... why not do it in the heart of the city? Because there are only buildings, cars and noise, right? Well, maybe it's not as linear as that...

 

But the true natural treasure of the "Ulysses city" lies in its many parks and gardens. Native birds - whether they are resident, wintering, summer, or passing migrants - thrive alongside the colorful exotic birds that now roam around the metropolis, providing us true wildlife shows. One of the most interesting places to birdwatch is Parque das Nações, because its location along the Tagus River allows us to find not only the typical garden birds, but also several species of waders and even some ducks.

 

All this urbanity framework creates, at the eyes of the attentive observer, a contrast and an apparent paradox... but it is known that the best survival strategy in nature is adaptation, and these animals are fortunate to have the ability to adapt and thrive in the semi-artificial environment created by humankind.

 

Although any park or garden has the potential to provide an interesting experience at this level, there are some already identified points of interest (so-called hotspots), because both the habitats they present and the number of species that can be found there. The aforementioned Parque das Nações is one of them, such as the well-known gardens of the Gulbenkian Fundation or even the spacious Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. But there are several others... For those who intend to explore more the meanders of the city's ornithology but do not know where to start, the portal Birds of Portugal provides a page with the essential information about the places and species in the city: Birds of Lisbon.

 

There are no excuses. Just leave the house and go enjoy nature a little, even if it is in the middle of the city.

 

Photos:

- European Pied Flycatcher (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Passing migrant: present from August to early November

 

- Rose-ringed Parakeet (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exotic resident: present all year round

 

- Eurasian Jay(Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Resident: present all year round

 

- Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

 

- Eurasian Wren (Troglodytes troglodytes)

- Gardens of the Calouste Gulbenkian foundation (21-03-2017)

- Resident: present all year round

 

- Common Hoopoe (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

23
Mai18

A Falsa Serpente

Bastas vezes confundido com uma cobra, o licranço é na verdade um lagarto desprovido de patas. Podendo crescer até aos 50cm, estes animais gozam de uma longevidade pouco comum entre os lagartos, chegando a viver até aos 30 anos.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Sendo um animal ovovivíparo, a fêmea dá à luz crias totalmente desenvolvidas. A sua pele composta por escamas (não sobrepostas) lisas e brilhantes valeu-lhe a alcunha de cobra-de-vidro mas, tal como os restantes lagartos, a sua muda de pele ocorre por farrapos e não toda de uma vez. Possuem também a faculdade da autotomia, podendo perder parte da sua cauda como medida de protecção contra predadores.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Ao contrário da crença popular, não possui qualquer tipo de veneno sendo por isso um animal perfeitamente inofensivo e até muito útil, pois alimenta-se de lagartas, lesmas e outros invertebrados. 

 

Licranço (Anguis fragilis)

- Licranço (Anguis fragilis) 

- Montalegre (11-05-2018)

 

[EN]

The Fake Snake

 

Sometimes mistaken for a snake, the slow-worm is actually a legless lizard. Growing up to 50cm these animals enjoy a rare longevity among lizards, reaching up to 30 years.

Being an ovoviviparous animal, the female gives birth to fully developed offspring. His skin made up of smooth and shiny scales earned him the nickname of glass-snake (in Portugal) but like the other lizards, his skin change occurs in patches rather than all at once. Also, they have the faculty of autotomy - the ability to shed the tail as protection against predators.

Contrary to popular belief, it does not possess any type of poison and is therefore a perfectly harmless and even very useful animal, as it feeds on caterpillars, slugs and other invertebrates.

- Slow-worm (Anguis fragilis

- Montalegre - Portugal (11-05-2018)

09
Mai18

Os primos de cauda ruiva

Avistado com frequência nas nossas aldeias e vilas (principalmente no norte e centro do país), podemos encontrar o rabirruivo-preto também em castelos, casas de pedra, ruínas e em zonas escarpadas do litoral. Esta pequena ave insectivora é essencialmente residente mas a sua população é reforçada no outono e inverno por migradores chegados de norte. 

 

Menos bem distribuído, o seu congénere rabirruivo-de-testa-branca é comum apenas em algumas regiões do território e, apesar de poder viver em zonas humanizadas, prefere um habitat mais florestal, como montados ou carvalhais. 

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Sendo uma ave cosmopolita e por isso habituada à presença humana, é frequente que o rabirruivo-preto nidifique em buracos ou reentrâncias de casas e prédios (há vários relatos de ninhos em caixas de estores).

 

Rabirruivo (Phoenicurus ochruros)

- Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

 

Já o seu "primo" de testa branca, embora também possa construir o seu ninho em edificações, tende a preferir buracos de árvores ou rochas.

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Até ao momento, foram registadas 54 espécies de aves neste parque urbano da Quinta da Marialva em Corroios. Algumas invernantes, outras estivais e também algumas residentes, como um casal nidificante de rabirruivos-pretos, extremamente tolerantes aos seres humanos que por ali passeiam todos os dias.

Ocorrem também amiúde alguns migradores de passagem, principalmente entre o final de agosto e meados de novembro. Encontrar uma destas aves é sempre uma agradável surpresa e foi exactamente esse o caso deste rabirruivo-de-testa-branca. Terá ido visitar os "primos"?

 

[EN]

Redstart cousins

 

Frequently spotted in portuguese villages and towns (mainly in the north and center of the country), we can also find black redstarts in castles, stone houses, ruins and cliffs at coastal areas. This small insectivorous bird is essentially resident but its population increases in the fall and winter with migrators from the north. Less well distributed, its congener common redstarter is common only in some regions of the territory and although it may live in humanized areas, it prefers a more forested habitat, such as oak and cork oak woods.

 

Being a cosmopolitan bird and therefore accustomed to human presence, it is common for the black redstart to nest in holes or recesses of houses and buildings (there are several reports of nests in boxes of blinds). His white-headed "cousin", though he may also build his nest in buildings, tends to prefer holes in trees or rocks. 


To date, 54 bird species have been registered in this urban park of Quinta da Marialva in Corroios. Some are just wintering, some arrive in summer and there are also some residents like a nesting couple of black redstarts, extremely tolerant to the humans who walk around every day.

There are also a number of migratory passers-by, especially between late August and mid-November. Finding one of these birds is always a pleasant surprise and that is exactly the case for this common redstart. Could he be visiting his "cousins"?

 

- Common Redstart (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios - Portugal (04-11-2017)

 

- Black Redstart (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

13
Abr18

Onde observar: Lezíria Grande - O Shangri-la da passarada

Se há locais que merecem ser visitados pelo menos uma vez antes de morrermos, há aqueles que se pudéssemos visitávamos todos os dias da nossa vida... Penso que para qualquer "birdwatcher", a Lezíria é um daqueles sítios em que poderíamos viver felizes para sempre.

 

Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)

- Águia-sapeira ou Tartaranhão-ruivo-dos-pauis / Eurasian Marsh Harrier (Circus aeruginosus)

- Lezíria Grande (23-12-2017) 

 

É verdade que não são as paisagens mais deslumbrantes... uma planície infindável emoldurada por dois rios (Tejo e Sorraia) e recortada por várias linhas de água, talhões de arroz a perder de vista, alguns estradões, uma ermida, umas poucas construções decrépitas e a ausência quase total de árvores e vegetação arbustiva são tudo o que podemos esperar ver num passeio pela Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. Bem, tudo talvez não...

 

Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa)

- Milherango ou Maçarico-de-bico-direito / Black-tailed Godwit (Limosa limosa) et al.

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Os apreciadores da natureza - e acima de tudo os observadores de aves - têm aqui um ponto de passagem quase obrigatório, pelo menos uma vez na vida. Para mim, este será um dos poucos locais no nosso país onde as actividades humanas parecem estar em razoável equilíbrio com uma exuberante explosão de vida selvagem.

 

Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

- Perdiz-do-mar / Collared Pratincole (Glareola pratincola)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Enormes bandos de íbis-pretas, gansos-bravos, milherangos, cegonhas e patos interagem com as aves de rapina que deles se alimentam, águias-pesqueiras devoram as suas presas no topo dos seus poisos preferidos, miríades de pequenas aves coexistem com lebres, javalis, raposas, sacarrabos... e todo este fervilhar de vida acontece lado a lado com o pastoreio do gado e com a actividade agrícola intensiva dos Homens e da sua maquinaria. Ainda assim a vida prospera.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro / Eurasian Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Aqui, quase todos os dias há algo novo para ver, seja uma espécie nova que chegou, um comportamento interessante ou uma raridade que, literalmente, desce dos céus. 

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Águia-pesqueira / Osprey (Pandion haliaetus

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Para mim este é, sem sombra de dúvidas, o paraíso das aves.

 

Sisão (Tetrax tetrax)

- Sisão / Little Bustard (Tetrax tetrax)

- Lezíria Grande (11-03-2017)

 

[EN]

If there are places that deserve to be visited at least once before we die, there are those that we could visit every day of our lives... I think that Lezíria Grande in Vila franca de Xira (Portugal) is one of those places where any birdwatcher could live happily ever after.

 

It is true that those are not the most breathtaking landscapes... an endless plain framed by two rivers (Tejo and Sorraia) and cut by several water lines, rice fields everywere, some dirt roads, a hermitage, a few decrepit constructions and the almost total absence of trees and shrubby vegetation are all that we can expect to see on a stroll through the marshlands of Vila Franca de Xira. Well, maybe not all...

 

Nature lovers - and most of all birdwatchers - have an almost obligatory crossing point here, at least once in their lifetime. To me, this will be one of the few places in Portugal where human activities seem to be in reasonable balance with a lush burst of wildlife.

 

Enormous flocks of glossy ibis, wild geese, black-tailed godwits, storks and ducks interact with the birds of prey that feed on them, ospreys devour their prey at the top of their favorite spots, myriads of small birds coexist with hares, wild boars, foxes, mongooses... and all this buzzing of life happens side by side with cattle grazing and the intensive agricultural activity of Men and their machinery. Yet life thrives.

 

Here, almost every day there is something new to see, whether it is a new species that has arrived, an interesting behavior or a rarity that literally descends from the heavens. For me this is, without a doubt, the paradise of birds.

23
Mar18

O crescimento pelo conflicto

"Conflict is growth wanting to happen"
- Harville Hendrix, PhD.

 

A maioria das pessoas vê os conflictos como algo mau que deve ser evitado, mas fazê-lo pode significar o desperdício de uma oportunidade de aprendizagem... é no conflicto que ficam à vista as fracturas existentes nos relacionamentos inter-pessoais. Só assim se conhece a real separação entre os indivíduos e todos sabemos que é impossível construir pontes sem conhecer a distância que separa as margens.

 

À parte de teorias da psicologia organizacional, é comum vermos outros animais em conflito (inclusivamente físico). Haverá algo de construtivo a retirar de tais acontecimentos, ou somente representam uma manifestação de violência gratuita e caos? Pessoalmente tenho dificuldade em encontrar aleatoriedade nos comportamentos naturais.

 

É sabido que as lutas são uma das formas utilizadas pelas crias de predadores para desenvolverem as capacidades que irão no futuro necessitar. O confronto físico é também uma das formas de definir estruturas sociais em animais gregários e até de delimitar territórios.

Da confrontação, do desafio, do atrito, nasce organização e gera-se aprendizagem, crescimento e estrutura.

 

No caso destas gralhas, não sei a razão da sua "zaragata". Não me pareceram confrontos territoriais, estariam a brincar - estudos já demonstraram a capacidade dos corvídeos para a auto-recreação - ou estariam a esgrimir por questões de dominância dentro do grupo?

 

Aceitam-se opiniões. 

 

- Gralha-preta (Corvus corone)

- Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (01-11-2016)

 

[EN]

Growth by conflict

 

Most people see conflict as a bad thing to be avoided, but doing it can mean wasting a learning opportunity... conflict exposes the fractures in interpersonal relationships. This is the only way to know the real separation between individuals and we all know that it is impossible to build bridges without knowing the distance separating the banks.

 

Apart from theories of organizational psychology, it is common to see other animals in conflict (even physical). Is there anything constructive to learn from such events, or is it merely a manifestation of gratuitous violence and chaos? Personally I have difficulty finding randomness in natural behaviours...

 

It is well known that sparring is one of the forms used by predator cubs to develop the skills they will need in the future. Physical confrontation is also one of the ways to define social structures in gregarious animals and even to delimit territories. From confrontation organization is born. Challenge and friction generates learning, growth and structure.

 

In the case of these carrion crows I do not know the reason for their "ruckus". It did not seem like territorial clashes to me, were they kidding - the ability of corvids to self-recreation have been demonstrated by some studies - or are they arguing for dominance within the group?

 

- Carrion Crow (Corvus corone)

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra - Portugal (01-11-2016)

07
Mar18

Gaivotas em terra...

As gaivotas têm sido acarinhadas pelas gentes do mar desde os tempos em que a sua presença nos céus era a única forma dos navegadores perceberem que estavam próximos de terra. A sua importante acção de limpeza (ao devorarem os restos de peixe atirados borda fora) era apreciada por todos e os seus guinchos a ecoar nos ares eram sinónimo de bom agoiro. 
 

Gaivota-de patas-amarelas (Larus michahellis)

- Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis)

- Ilha da Berlenga (21-05-2017)

 

Hoje, o lixo nas ruas atraiu as gaivotas para o interior das cidades e os aterros a céu aberto fomentaram o aparecimento de enormes aglomerados junto a zonas urbanas, resultando numa alteração do paradigma. Estas aves são agora vistas como indesejáveis, sendo que muitos as consideram mesmo uma praga. 

  

Gaivota-de-bico-fino (Larus genei)

- Gaivota-de-bico-fino (Chroicocephalus genei)

- Castro Marim (03-12-2017)

 

A grande maioria das gaivotas que vemos pertence a uma das duas espécies mais comuns no nosso país - a gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus) e a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) - mas, segundo o portal avesdeportugal.info, ocorrem em Portugal mais de 20 espécies. 

 

Famego (Larus canus)

- Famego (Larus canus)

- Parque da Paz - Almada (03-02-2018)

 

Com vários tamanhos, formatos e plumagens, estas aves podem ser invernantes, residentes, ocasionais ou raras, havendo de tudo um pouco e para todos os gostos, assim as saibamos identificar.

 

Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla)

- Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla)

- Lagoa de Albufeira - Sesimbra (20-01-2018)

 

Algumas são distinguíveis essencialmente pelo tom de cinzento do manto, mas tentar identificá-las nos seus diversos estágios imaturos é o maior desafio e uma verdadeira dor de cabeça (requer bastante experiência de campo e algum estudo), razão pela qual este é geralmente dos últimos grupos de aves aos quais os observadores novatos se dedicam...

 

Gaivota-prateada (Larus argentatus)

- Gaivota-prateada (Larus argentatus)

- Trafaria (19-11-2016) 

 

Podemos encontrar várias espécies de gaivotas num qualquer parque urbano, mas algumas espécies (como a gaivota-tridáctila, por ex.) são essencialmente pelágicas e raramente se aproximam da costa. A melhor hipótese de encontrar um destes bichos em terra é visitar portos de abrigo ou praias durante ou imediatamente a seguir a tempestades no mar.

 

Gaivota-de-cabeça-preta (Larus melanocephalus)

- Gaivota-de-cabeça-preta (Ichthyaetus melanocephalus)

- Lagoa dos Salgados (03-12-2017)

 

O inverno é a melhor época do ano para observar gaivotas em Portugal continental, devido ao maior número de espécies presentes no nosso território.

 

Guincho-comum (Larus ridibundus)

- Guincho-comum (Chroicocephalus ridibundus)

- Cova da Piedade (20-12-2015)

 

Embora os sentimentos difiram em relação às gaivotas, poucos serão aqueles que não apreciam os espectáculos dados por estas aves, como aquele que ocorre na Caparica quando chegam os barcos dos pescadores da arte-xávega. Um verdadeiro turbilhão vivo de movimento, guinchos e penas que merece ser contemplado pelo menos uma vez na vida...

 

Gaivota-d'Asa-Escura (Larus fuscus)

- Gaivota-d'asa-Escura (Larus fuscus)

- Cais do Ginjal - Almada (08-03-2016)

 

[EN]

Seagulls ashore

 

Seagulls have been cherished by sea people since the days when their presence in the skies was the only way for navigators to realize that they were close to land. Its important cleaning action (by devouring the scraps of fish tossed overboard) was appreciated by all, and its squeals echoing in the sky were synonymous with good omen.

Today, the garbage in the streets has attracted seagulls into the cities and open-air landfills have encouraged the emergence of large clusters close to urban areas, resulting in a paradigm change. These birds are now seen as undesirable and many consider them to be a plague.

 

The vast majority of the seagulls we see in Portugal belong to one of the two most common species here - the Lesser Black-backed Gull (Larus fuscus) and the Yellow-legged Gull (Larus michahellis) - but according to avesdeportugal.info, more than 20 species occur in this country.

With various sizes shapes and plumages, these birds can be wintering, resident, occasional or rare.

 

Some are distinguishable essentially by the shade of gray in the mantle, but trying to identify them in their several immature stages is the biggest challenge and a real headache (requires a lot of field experience and some study). Which is why this is usually one of the last bird groups to which novice observers dedicate themselves...

We can find several species of seagulls in any urban park, but some species (such as the Black-legged Kittiwake, for example) are essentially pelagic and seldom approach the coast. The best chance to find one of these animals on land is to visit ports or beaches during or immediately following storms at sea.

Winter is the best time of year to observe seagulls in mainland Portugal, due to the greater number of species present in the territory.


Although the feelings differ in relation to seagulls, few will be those who do not appreciate the shows given by these birds, like the one that occurs in Costa da Caparica when the art-xávega fishing boats arrive. A real whirlwind of movement, squeals and feathers that deserves to be contemplated at least once in lifetime...

 

Picture 1

- Yellow-legged Gull (Larus michahellis)

- Berlenga Island - Peniche (05/21/2017)

 

Picture 2

- Slender-billed Gull (Chroicocephalus genei)

- Castro Marim (12/03/2017)

 

Picture 3

- Mew Gull (Larus canus)

- Almada (02/03/2018)

 

Picture 4

- Black-legged Kittiwake (Rissa tridactyla)

- Lagoa de Albufeira - Sesimbra (01-20-2018)

 

Picture 5

- European Herring Gull (Larus argentatus)

- Trafaria - Almada (11-19-2016)

 

Picture 6

- Mediterranean Gull (Ichthyaetus melanocephalus)

- Lagoa dos Salgados - Albufeira (12/03/2017)

 

Picture 7

- Black-headed Gull (Chroicocephalus ridibundus)

- Cova da Piedade - Almada (12/20/2015)

 

Picture 8

- Lesser Black-backed Gull (Larus fuscus)

- Almada (08-03-2016)

27
Fev18

Amigos da "vida alada"

Embora sempre tenha tido um interesse especial pelas aves e já colabore em censos da Spea desde 2012, apenas há pouco mais de dois anos resolvi fazer da observação o meu passatempo de eleição. 

 

Como tenho o meu "quê" de anti-social e gosto de andar pelos matos sozinho, nunca foi minha ideia fazer disto um hobbie de grupo. Ainda assim, em qualquer actividade que pratiquemos torna-se inevitável conhecermos pessoas com os mesmos gostos... colegas ou "correligionários". Dessas pessoas, algumas (a maioria) passam sem deixar grandes marcas, enquanto outras acabam por se tornar algo mais. 

 

1.jpg

 

Passeios de barco no mar alto; dormidas em casas que parecem fornos; aturar idiotas debaixo do sol algarvio; explorar serras, rios e matas; jogos de matraquilhos só com uma mão; sofrer ondas de calor seguidas de queda de granizo; jantaradas até às tantas (para de seguida ter de acordar ao nascer do sol); gozar com as parvoíces uns dos outros (cara-a-cara); fugir ao calor debaixo de aspersores da relva; adoptar um "photography" como mascote; apreciar balcões de café... 

 

2.jpg

 

Muitas aves observadas (a maioria identificadas, algumas por identificar); o Tejo, o Sado e o Guadiana; as lezírias, a frente marítima de Almada, a baía do Seixal, o Parque da Paz, Sagres e as beiras; momentos National Geographic que nos deixaram com aquela musiquinha na cabeça - "tatatatara tatatatara tatatatarara" - e a sensação de estar a viver um daqueles documentários de domingo à tarde; censos, observações e contagens; listas, listinhas e listeirinhos; aves raras, comuns, fatelas e lixo; fotografias, telescópios e as discussões sobre ambos... estas e tantas outras aventuras vividas não na companhia de qualquer um, mas entre amigos.

 

3.jpg

 

 Dois grandes anos de maluqueiras, sempre com as aves como pano de fundo. Venham os próximos!

 

4.jpg

 

27
Jan18

1º Censo Nacional de Garça-branca-grande

Na sequência do bem-sucedido Censo de Águia-pesqueira (2015, 2016 e 2017) organizado pelo portal Aves de Portugal, foi decidido levar a cabo o 1º Censo Nacional de Garça-branca-grande nos pretéritos dias 20 e 21 de Janeiro de 2018. Este projecto de ciência-cidadã resultou numa participação de 168 voluntários e na contabilização de 347 a 374 garças-brancas-grandes (Ardea alba), 691 a 778 colhereiros (Platalea leucorodia) e 19 a 21 cegonhas-pretas (Ciconia nigra).

 

Garça-branca-grande (Egretta alba)

- Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Estuário do Sado (24-01-2016)

 

Segundo João Tomás e Gonçalo Elias (equipa organizadora), "o intervalo obtido aponta para um total de 347 a 374 garças-brancas-grandes no território nacional. Analisando a tabela e o mapa de resultados é possível perceber que a população invernante desta espécie se concentra sobretudo em áreas de arrozal, como o vale e a foz do Mondego, as lezírias do baixo Tejo e ainda o estuário do Sado. Não menos importantes são as zonas húmidas costeiras com algumas produção de arroz associada, como é o caso da Ria de Aveiro. Também as albufeiras e açudes dos distritos de Santarém, Évora, e Beja têm um peso importante na escolha desta espécie para passar os meses de Inverno. Por fim, um pequeno número de indivíduos distribui-se ao longo da faixa costeira dos distritos de Viana do Castelo, Porto, Leiria e Faro e ainda em albufeiras e açudes dos distritos do interior centro-norte, como são os casos da Guarda, Castelo Branco e Portalegre."

 

Na opinião da organização, "este censo foi um sucesso a todos os níveis: grande adesão de voluntários, elevado grau de cobertura do território nacional, excelente organização das equipas nos locais de maior dimensão, condições meteorológicas muito favoráveis e acima de tudo muitas garças-brancas-grandes."

 

A situação desta espécie como como ave invernante no nosso país, que era essencialmente desconhecida, ganhou nova luz e a sua evolução poderá agora ser avaliada com a realização de futuros censos.

 

Os resultados detalhados, quer por local visitado (página 1) quer por distrito (página 2) podem ser consultados aqui.

Pode ainda ser visualizado o mapa nacional com os locais visitados e respectivos totais de indivíduos contados, neste link.
 
As diferentes cores significam:
  • branco: 0 aves observadas;
  • verde: 1-4 aves observadas;
  • laranja: 5-9 aves observadas;
  • vermelho: 10-19 aves observadas;
  • vermelho escuro: 20 ou mais aves observadas.
 

Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Alcochete (21-01-2018)

 
Neste censo coube-me a responsabilidade e o prazer de coordenar a região do Estuário do Tejo - Margem Sul, tarefa que foi facilitada pelo excelente desempenho dos 12 voluntários que comigo prospectaram toda a zona do estuário (e vales adjacentes) desde o Seixal até Benavente, passando pela Lagoa de Albufeira e pelo Sesimbra Natura Park. A nossa equipa logrou observar 46 a 47 garças e 117 a 118 colhereiros, não tendo sido observada qualquer cegonha-preta.
 
 
[EN]
 1st Great Egret Portuguese Census
 
Following the successful Osprey Census (2015, 2016 and 2017) organized by the Aves de Portugal portal, it was decided to carry out the 1st Great Egret Portuguese Census in the past 20 and 21 January 2018. This citizen science project resulted in a participation of 168 volunteers and in the accounting of 347 to 374 Great Egrets (Ardea alba), 691 to 778 spoonbills (Platalea leucorodia) and 19 to 21 black storks (Ciconia nigra).
 
According to João Tomás and Gonçalo Elias (national coordinators), "there were counted a total of 347 to 374 Great White Egrets in Portuguese territory. Analyzing the table and the results map it is possible to notice that the wintering population of this species is mainly in areas of rice fields, such as the valley and the mouth of the Mondego, the low Tagus river basins and the Sado estuary. No less important are the coastal wetlands with some associated rice production, such as Ria de Aveiro. In addition, the reservoirs and dams of the districts of Santarém, Évora and Beja play an important role in this species choice of wintering grounds. Finally, a small number of individuals are distributed along the coastal strip of the districts of Viana do Castelo, Porto, Leiria and Faro and also in reservoirs and dams of the north-central interior districts, such as Guarda, Castelo Branco and Portalegre."

According to the organization, "this census was a success at all levels: great volunteers adhesion, high degree of coverage of the portuguese territory, excellent teams organization at the largest sites, very favorable weather conditions and above all many great egrets. "
 
The situation of this species as a wintering bird in Portugal, which was essentially unknown, has gained new light and its evolution can now be evaluated with future censuses.

Detailed results, either by site visited (page 1) or by district (page 2) can be found here.

The national map with the visited sites and their individuals numbers can also be consulted in this link.
 
The different colors mean:
  • white: 0 birds observed;
  • green: 1-4 birds observed;
  • orange: 5-9 birds observed;
  • red: 10-19 birds observed;
  • dark red: 20 or more birds observed.
 
In this census it was my responsibility and pleasure to coordinate the Tagus Estuary - South Bank, a task that was facilitated by the excellent performance of the 12 volunteers who with me prospected the entire area of the estuary (and adjacent valleys) from Seixal to Benavente, passing by the Lagoa de Albufeira and Sesimbra Natura Park. Our team managed to observe 46 to 47 great egrets and 117 to 118 spoonbills as no black stork was observed.
 
Pictures:
 
  • Great Egret (Ardea alba)
  • Estuário do Sado - Setúbal - Portugal (24-01-2016)
  • Great Egret (Ardea alba)
  • Alcochete - Portugal (21-01-2018)

Eu

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts destacados

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D