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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

27
Set17

Testemunho de uma vida ephemera

A natureza oferece-nos constantes lições de adaptação, perseverança e superação... mas também nos presenteia com exemplos de delicadeza e fragilidade.

 

Este pequeno animal pertencente à ordem Ephemeroptera e é o único insecto que, passando por uma metamorfose incompleta, apresenta um estágio intermédio (subimago) de duração raramente superior a 24h, em que - apesar de ainda imaturo sexualmente - possui asas perfeitamente funcionais.

 

Ao contrário da sua fase larvar (ninfa) que pode durar vários anos, os adultos (imago) vivem vidas extremamente curtas, variando entre 5 minutos e um par de dias (conforme a espécie a que pertençam) e nunca se alimentarão, pois apenas dispõem de bocas vestigiais. O seu único objectivo é a reprodução.

 

Esta frágil criatura "decidiu" passar uma boa parte da sua vida adulta na porta do meu carro, permitindo-me um vislumbre da sua delicada beleza e, despertando em mim a natureza filosófica do ser humano, proporcionou-me a contemplação da sua (e da minha própria) efemeridade.

Efémera (Ephemera glaucops)Efémera (Ephemera glaucops) Barragem de Morgavel - Sines (23-09-2017)

19
Set17

1º Workshop de Iniciação à Observação de Aves do Projecto VEM

O recém-criado Projecto VEM (Valorização dos Ecossistemas do Montijo) organizou no pretérito sábado dia 16/09/2017 o seu primeiro Workshop de Iniciação  à Observação de Aves e tiveram a amabilidade (e a falta de bom senso) de me convidar para ser o formador/guia. 

Foto de Grupo por Eduardo Martins

 

Sendo esta a minha primeira aventura como "formador", diligenciei de forma a não aborrecer em demasia as pobres almas que tiveram a coragem de comparecer. Após uma pequena apresentação/conversa sobre aves, ecossistemas e natureza e motivados por um "coffee break" à maneira, dirigimo-nos até ao ponto do sapal do Montijo onde vai em breve nascer o 1º observatório de aves da região e tivémos a boa fortuna de dar logo de caras com uma águia-pesqueira (Pandion haliaetus). No entanto não há sorte que se sobreponha à ditadura das marés e não lográmos observar tantas aves como eu esperava... fica para a próxima vez. Ainda assim, segundo o feedback obtido, o saldo final parece ser bastante positivo. Para a próxima faremos ainda melhor!

VEM

 

Muito brigado a todos os que participaram.  

18
Set17

O maravilhoso mundo das aves

Geralmente, o "comum dos mortais" que nunca se aproximou de um estuário, nunca olhou com atenção para as rochas numa praia, nunca observou atentamente um parque urbano ou nunca teve qualquer interesse por aves, tende a julgar que a avifauna portuguesa se resume a gaivotas, pardais, melros, pombos-fatelas e pouco mais. Tais pessoas nem imaginam o quão longe estão da realidade. Segundo o avesdeportugal.info, "em Portugal Continental já foram registadas 439 espécies de aves em estado selvagem, às quais se podem somar 13 outras espécies sob as quais subsistem dúvidas acerca da sua origem".

 

Ao entrarem pela primeira vez neste mundo, estes "muggles" ornitológicos rapidamente se deparam com a imponência das rapinas, a variedade dos passeriformes, a graciosidade das garças, a "lata" das gaivotas, a simpatia" dos patos ou o colorido dos guarda-rios e abelharucos... depois descobrem aquelas aves especiais que, por serem raras ou de difícil observação, atraem todas as atenções quando resolvem mostrar-se. De repente abre-se todo um mundo novo de vida, cores, sons e movimento.

 

Para uns, é a primeira vez que observam a miríade de aves nos céus das lezírias. Para outros, uma rapina a capturar a sua presa ali mesmo à frente dos seus olhos, ou até a primeira raridade que encontram... certo é que é impossível não existir pelo menos um momento de deslumbre, uma imagem que os deixa literalmente de boca aberta, incrédulos.

 

Gaivota-prateada (Larus argentatus)Gaivota-prateada (Larus argentatus) Trafaria - Almada (19-11-2016)

16
Set17

Impactos e Interacções - Má Vizinhança

O Homem reformula o meio de acordo com as suas necessidades e com isso força os restantes animais a uma deslocalização ou nalguns casos, a uma adaptação a esse novo ambiente.

Segundo o avesdeportugal.info, o alcaravão é considerado uma ave "misteriosa e difícil de observar". De facto, com a sua plumagem críptica e os seus hábitos crepusculares e furtivos, raramente se deixa aproximar sem que entre em fuga ou "desapareça" na vegetação circundante. É apenas lógico considerar-se que um animal com tais características frequente exclusivamente zonas remotas, despidas de gente e da sua influência... mas a natureza não se deixa guiar pela lógica humana e, na sua fascinante adaptabilidade, apresenta-nos destas surpresas.

Neste dia, por volta das 8 da manhã, num lote vazio no meio de casas, oficinas, quintais e hortas, 56 olhos reptílicos perscrutavam as redondezas, vigilantes mas ainda assim tolerantes aos sons e às movimentações da população que despertava ao seu redor.

Não ouso tentar adivinhar o porquê da escolha do local, mas divirto-me a imaginar o que pensarão as pessoas nas casas vizinhas, ao ouvir os seus arrepiantes "lamentos" a ecoar pela noite... é assim que algumas lendas são criadas. 

Alcaravão (Burhinus oedicnemusAlcaravão (Burhinus oedicnemus) Vila Nova de Milfontes - Odemira (22-01-2017)

04
Set17

As terríveis hordas invasoras de passarinhos amarelos

De origem africana, estas exuberantes aves começaram a estabelecer-se no nosso país no final da década de 80 e desde então têm aumentado em número e em área de distribuição. Para o incauto observador iniciante, encontrar um destes pássaros será certamente um motivo de regozijo, devido à sua beleza. No entanto, para muitos estas são vis criatura escapadas de cativeiro cuja existência põe em causa a sobrevivência das espécies autóctones.

Tecelão-de-cabeça-preta (Ploceus melanocephalus)

Tecelão-de-cabeça-preta (Ploceus melanocephalus) Paúl do Boquilobo (02-09-2017)

 

Será que a presença destas aves exóticas implica necessariamente um declínio das nossas? Ou poderão coexistir e prosperar em conjunto? Alguns estudos indicam que estes bichos podem estar directamente relacionadas com o declínio da população de Ecrevedeira-dos-caniços (Emberiza schoeniclus), mas nada ainda foi comprovado. No entanto, o Bico-de-lacre (Estrilda astrild) há muito que se estabeleceu no nosso país sem que existam indícios de impactos negativos... mais estudos são necessários para que se entendam a fundo as relações entre estes pequenos invasores e os nossos ecossistemas.

Bispo-de-coroa-amarela (Euplectes afer)

Bispo-de-coroa-amarela (Euplectes afer) Barroca d'Alva (09-08-2016)

 

[EN]

The terrible invading hordes of little yellow birds

Of african origin, these exuberant birds began to settle in Portugal in the late 80's and since then have increased in number and distribution area. For the unwary novice observer, finding one of these birds will certainly be a reason for rejoicing because of its beauty. However, for many those are vile captivity escaped creatures whose existence jeopardizes the survival of native species.

Does the presence of these exotic birds necessarily implies a decline of the native ones? Or can they coexist and thrive together? Some studies indicate that these animals may be directly related to the decline of the Reed Bunting (Emberiza schoeniclus) population, but nothing has been proven. However, the Waxbill (Estrilda astrild) has long established itself in Portugal without any evidence of negative impacts... further studies are needed to thoroughly understand the relationships between these small invaders and the portuguese ecosystems.

Black-headed Weaver (Ploceus melanocephalus) Paúl do Boquilobo - Portugal (02-09-2017) Yellow-crowned Bishop (Euplectes afer) Barroca d'Alva - Portugal (09-08-2016)

01
Set17

Os Fenótipos e a Etologia - Asas

Serão as asas de um pardal semelhantes às de uma avestruz? E as de um abutre terão a mesma função das de um colibri?

 

Os membros anteriores das aves representam uma das mais fantásticas adaptações morfológicas do mundo natural. Ainda assim nem todas as espécies os utilizam da mesma forma... a especiação levou a que surgissem alterações de acordo com o uso específico que cada espécie lhes dá (ou foi o uso que levou à especiação?).

Abutre-preto (Aegypius monachus)Arronches (08-06-2019) (2).JPG

Abutre-preto (Aegypius monachus) Arronches (08-06-2019)

 

As asas das grandes planadoras desenvolveram-se de forma a facilitar a captação das correntes térmicas, os pinguins não têm a capacidade de voo, mas utilizam-nas para nadar, já os guarda-rios com o seu voo "frenético" conseguem utilizá-las de forma a mergulhar e rapidamente manobrar para voltarem à superfície.

 

Já este falcão é o animal mais rápido do mundo. Atinge velocidades que rondam os 300 km/h, em parte graças às suas asas longas e ponteagudas. Vê-lo a caçar é um privilégio e presenciar uma cena de caça a dois em que o casal manobrava na tentativa (bem sucedida) de capturar um andorinhão, foi dos melhores momentos "Nat Geo" que já vivi.

Falcão-peregrino (Falco peregrinus) Portinho da Costa (12-05-2016) (21).JPG

Falcão-peregrino (Falco peregrinus) Almada (12-05-2016)

 

[EN]

Phenotypes and Ethology - Wings

Are the wings of a sparrow similar to the wings of an ostrich? And the wings of a vulture will have the same function than the ones of a hummingbird?

The forelimbs of birds are one of the most fantastic morphological adaptations of the natural world, yet not all species use them the same way... speciation led to arise changes according to the specific use that each species gives them (or was that use who led to speciation?). 

The wings of large soaring birds were developed to facilitate the capture of thermals, penguins do not have the flight capacity but instead use them for swimming while the kingfisher with its "frantic" flight have the capacity to dive and quickly maneuver to return to the surface.

This falcon is the fastest animal in the world. It reaches speeds around 300km/h in part thanks to its long and pointy wings. To see him hunting is a privilege and to witness a hunting scene where the couple was maneuvering in an (successful) attempt to catch a swift was one of the best "Nat Geo moments" of my life.

Peregrine Falcon (Falco peregrinus) Almada - Portugal (12-05-2016)

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