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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

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12
Abr20

Bichos do mato: o Coelho-bravo

Este é o animal geralmente associado à presente época festiva. Segundo a mitologia alemã, a deusa da fertilidade Ostera devolveu à sua forma original um pássaro que havia transformado em coelho, para diversão de algumas crianças. Ao ver-se novamente na sua forma emplumada, a ave pôs alguns ovos coloridos à laia de agradecimento, dando origem à tradição do coelho e dos ovos da Páscoa. É uma das teorias...

 

Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus) Santa Marta (22-03-2020) (5).JPG

Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus) Corroios (22-03-2020)

 

Entretanto, por cá e sem qualquer ligação a deusas ou a ovos enfeitados, evoluía uma espécie que viria a ganhar importância-chave nos ecossistemas mediterrânicos: o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus). Este pequeno e ágil herbívoro é presa preferencial de diversos predadores, entre eles o icónico lince-ibérico (Lynx pardinus), a "manhosa" raposa-vermelha (Vulpes vulpes) e a ameaçada águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti).

 

Hoje em dia, apesar da preferência por habitats de orla, em terrenos arenosos com interligação entre culturas, prados e zonas de mato denso, não é incomum que os vejamos num qualquer parque urbano, a fugir ziguezagueando como se estivessem indecisos acerca de qual o melhor caminho a tomar.

As suas tocas de habitação são profundas com várias entradas e galerias entrecruzadas, ao passo que as suas tocas de reprodução - também elas profundas - se limitam a uma galeria simples que é abandonada quando as crias atingem as 3 semanas de idade.

Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus) Pancas (21-01-2018) (3).JPG

Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus) Herdade de Pancas (21-01-2018)

 

Devido aos seus hábitos mais crepusculares, a uma excelente visão, a uma audição apurada e a uma grande capacidade de reprodução, o coelho-bravo prosperou na Europa (principalmente P.I. e França) - chegando mesmo a ser extremamente abundante na Península Ibérica - até início dos anos 50, altura em que um médico francês resolveu introduzir ilegalmente um vírus importado da América do Sul, para eliminar os coelhos que danificavam as suas culturas. A mixomatose, doença causada por este vírus, espalhou-se rapidamente e foi arrasadora, chegando a causar a perda de populações inteiras. Em meados dos anos 80 e através de coelhos domésticos importados da Ásia, chegou à Europa a doença hemorrágica viral, que viria a dar mais uma forte machadada na sustentabilidade da espécie. Nos últimos anos o número de efectivos diminuiu cerca de 70%...

Neste momento decorrem estudos e delineiam-se estratégias para tentar garantir a sobrevivência desta importante peça para os nossos ecossistemas e para algumas economias locais.

Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus) Parque da Paz (05-07-2020) (1).JPG

Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus) Corroios (05-07-2020)

 

Hoje existem por cá também coelhos domésticos, criados para alimentação humana e coelhos exóticos, mantidos como animais de estimação. Uns são maiores, outros mais pequeninos, alguns têm olhos vermelhos, outros são mais felpudos, mais mansos, mais "fofinhos", mais bonitos... 

Pode parecer simples e não ter a beleza ou a exuberância de outros, mas só o Coelho-bravo é livre e indómito... só ele carrega o carisma de um verdadeiro bicho do mato.

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