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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

13
Abr18

Onde observar: Lezíria Grande - O Shangri-la da passarada

Se há locais que merecem ser visitados pelo menos uma vez antes de morrermos, há aqueles que se pudéssemos visitávamos todos os dias da nossa vida... Penso que para qualquer "birdwatcher", a Lezíria é um daqueles sítios em que poderíamos viver felizes para sempre.

 

Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)

- Águia-sapeira ou Tartaranhão-ruivo-dos-pauis / Eurasian Marsh Harrier (Circus aeruginosus)

- Lezíria Grande (23-12-2017) 

 

É verdade que não são as paisagens mais deslumbrantes... uma planície infindável emoldurada por dois rios (Tejo e Sorraia) e recortada por várias linhas de água, talhões de arroz a perder de vista, alguns estradões, uma ermida, umas poucas construções decrépitas e a ausência quase total de árvores e vegetação arbustiva são tudo o que podemos esperar ver num passeio pela Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. Bem, tudo talvez não...

 

Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa)

- Milherango ou Maçarico-de-bico-direito / Black-tailed Godwit (Limosa limosa) et al.

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Os apreciadores da natureza - e acima de tudo os observadores de aves - têm aqui um ponto de passagem quase obrigatório, pelo menos uma vez na vida. Para mim, este será um dos poucos locais no nosso país onde as actividades humanas parecem estar em razoável equilíbrio com uma exuberante explosão de vida selvagem.

 

Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

- Perdiz-do-mar / Collared Pratincole (Glareola pratincola)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Enormes bandos de íbis-pretas, gansos-bravos, milherangos, cegonhas e patos interagem com as aves de rapina que deles se alimentam, águias-pesqueiras devoram as suas presas no topo dos seus poisos preferidos, miríades de pequenas aves coexistem com lebres, javalis, raposas, sacarrabos... e todo este fervilhar de vida acontece lado a lado com o pastoreio do gado e com a actividade agrícola intensiva dos Homens e da sua maquinaria. Ainda assim a vida prospera.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro / Eurasian Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Aqui, quase todos os dias há algo novo para ver, seja uma espécie nova que chegou, um comportamento interessante ou uma raridade que, literalmente, desce dos céus. 

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Águia-pesqueira / Osprey (Pandion haliaetus

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Para mim este é, sem sombra de dúvidas, o paraíso das aves.

 

Sisão (Tetrax tetrax)

- Sisão / Little Bustard (Tetrax tetrax)

- Lezíria Grande (11-03-2017)

 

[EN]

If there are places that deserve to be visited at least once before we die, there are those that we could visit every day of our lives... I think that Lezíria Grande in Vila franca de Xira (Portugal) is one of those places where any birdwatcher could live happily ever after.

 

It is true that those are not the most breathtaking landscapes... an endless plain framed by two rivers (Tejo and Sorraia) and cut by several water lines, rice fields everywere, some dirt roads, a hermitage, a few decrepit constructions and the almost total absence of trees and shrubby vegetation are all that we can expect to see on a stroll through the marshlands of Vila Franca de Xira. Well, maybe not all...

 

Nature lovers - and most of all birdwatchers - have an almost obligatory crossing point here, at least once in their lifetime. To me, this will be one of the few places in Portugal where human activities seem to be in reasonable balance with a lush burst of wildlife.

 

Enormous flocks of glossy ibis, wild geese, black-tailed godwits, storks and ducks interact with the birds of prey that feed on them, ospreys devour their prey at the top of their favorite spots, myriads of small birds coexist with hares, wild boars, foxes, mongooses... and all this buzzing of life happens side by side with cattle grazing and the intensive agricultural activity of Men and their machinery. Yet life thrives.

 

Here, almost every day there is something new to see, whether it is a new species that has arrived, an interesting behavior or a rarity that literally descends from the heavens. For me this is, without a doubt, the paradise of birds.

09
Jan18

Os Fenótipos e a Etologia - Olhos que tudo vêem

Embora no nosso dia-a-dia tenhamos geralmente a necessidade de dar uso aos nossos 5 sentidos, a visão é possivelmente aquele do qual mais dependemos. Na natureza, se nem todos os animais dependem assim tanto dos olhos, alguns evoluíram de forma a especializarem-se no uso destes órgãos sensoriais.

 

A águia-pesqueira é um desses animais. A visão binocular - possibilitada pela posição dos olhos na parte frontal da cabeça - ajuda-a a avaliar as distâncias, a estrutura das penas por cima dos olhos serve para reduzir o brilho dos reflexos do sol na água e sua excelente visão permite-lhe descobrir os peixes debaixo de água. Isto, em conjunto com algumas outras adaptações (como dedos exteriores reversíveis, membranas nictitantes e válvulas nas narinas), tornam esta ave num dos pescadores mais eficazes do mundo animal.

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Vila Franca de Xira (23-12-2017)

 

Outra fantástica adaptação evolutiva é a visão nocturna dos mochos e corujas. Também possuidoras de uma boa visão binocular, estas rapinas têm olhos grandes e não possuem verdadeiramente um globo ocular mas sim "tubos" alongados. A sua retina apresenta poucas das células receptoras que reagem às cores (cones) mas muitas das células sensíveis à luz e ao movimento (cilindros). Estas características, apesar de impedirem que estes animais percepcionem as cores do mesmo modo que nós, ajudam a aumentar a eficiência em condições de pouca luz, permitindo-lhes ver - e caçar - de noite.

 

O seu voo silencioso e a sua visão nocturna são sinónimo de morte, para as presas destes implacáveis predadores.

 

Mocho-pequeno-de-orelhas (Otus scops)

- Mocho-pequeno-de-orelhas (Otus scops)

- Penamacor (18-06-2017)

 

[EN]

Phenotypes and Ethology - All-seeing eyes

 

Although in our day-to-day life we ​​usually need to use our 5 senses, vision is possibly the one we depend on the most. In nature not all animals depend so much on the eyes, but some have evolved to specialize in the use of these sensory organs.

 

The osprey is one of these animals. Binocular vision - made possible by the position of the eyes on the front of the head - helps her evaluate distances, the structure of the feathers above the eyes is useful to reduce the glare of the sun's reflections in the water and the excellent vision allows her to spot the fish under water. This, along with some other adaptations (such as reversible outer toes, nictiting membranes and closable nostrils) make this bird one of the most effective angler in the animal world.

 

- Osprey (Pandion haliaetus)

- Vila Franca de Xira - Portugal (23-12-2017)

 

 Another fantastic evolutionary adaptation is the night vision of owls. Also possessing good binocular vision, these birds have large eyes and do not truly possess an eyeball but rather elongated "eye tubes". Their retina has few of the receptor cells that react to the color (cones) but many of the sensitive to light and movement cells (rods). These features, while preventing these animals from perceiving color in the same way as we do, help increase efficiency in low light conditions, allowing them to see - and hunt - at night.

 Their silent flight and night vision means death to the prey of these implacable predators.

 

- Eurasian Scops Owl (Otus scops)

- Penamacor - Portugal (18-06-2017)

06
Set17

Os Fenótipos e a Etologia - Patas e Garras

As patas são outra parte da morfologia das aves que varia bastante de acordo com a sua fenologia. Enquanto que as aves limícolas tendem a ser pernaltas para poderem deslocar-se nas zonas entre-marés, os pequenos passarinhos têm patinhas finas e delicadas apropriadas para se agarrarem aos pastos e ramos. Já as aquáticas possuem membranas inter-digitais, ao passo que as trepadoras apresentam os dedos dispostos em pares com unhas finas e afiadas. Por sua vez, as rapinas rapinas estão armadas com garras não menos afiadas mas bem mais fortes, para poderem segurar as suas presas.

 

Uma águia "surfando" um enorme peixe é uma das visões mais espectaculares que podemos ter nos nossos rios, estuários ou barragens e demonstra que esta rapina não foge à regra, apresentando garras especialmente fortes e recurvadas, especializadas na captura de peixes vivos.

 

Não há realmente engenharia melhor do que a da velha mãe natureza.

 

- Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)
- Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (10-09-2016)

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

 

 [EN]

Phenotypes and Ethology - Paws and Claws

 

The paws are another part of the morphology of bird that varies greatly according to its phenology. Waders tend to have long legs to be able to move in intertidal areas whereas small birds have thin and delicate paws appropriate to cling to pasture and branches. Aquatic birds have inter-digital membranes while climbers have the fingers arranged in pairs with thin, sharp nails. Birds of prey are armed with no less sharp but much stronger claws, in order to hold their preys.

 

An eagle "surfing" a huge fish is one of the most spectacular views that we have in our rivers, estuaries and dams and it shows that this eagle is no exception, with especially strong curved claws, specialized in capturing live fish.

 

There is no better engineer than the old Mother Nature.

 

- Osprey (Pandion haliaetus)

- Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena, Sesimbra - Portugal (10-09-2016)

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