Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

19
Set19

Livros de Bichos - Guias de Campo

Por várias vezes fui incitado a iniciar um blogue e há cerca de dois anos atrás decidi fazer a vontade a quem o sugeriu.

Depois de uma experiência pouco sucedida no blogger, uma amiga com mais experiência nestas andanças recomendou-me o SAPO, explicou-me o funcionamento básico e, assim que o bicho do mato ficou online, teve a simpatia de o "anunciar" à blogosfera no seu Ler por aí, insinuando que um dia talvez também eu começasse a falar de livros. Bem, hoje vou fazer-lhe a vontade (à minha maneira, obviamente).  

 

Para quem gosta de observar a natureza mas quer ir mais além na aquisição de conhecimentos, não basta passar muitas horas no campo... para compreender verdadeiramente aquilo que vemos, é preciso estudar um pouco. Felizmente, nos dias de hoje existem no mercado guias de campo que ajudam a identificar as espécies dos mais diversos grupos, em vários formatos e línguas. Existem também atlas com informação bio-geográfica, bem como livros que compilam as mais variadas informações sobre os animais e os seus comportamentos.

Sendo as aves o grupo de animais pelo qual nutro maior interesse, foi nele que fiz o maior investimento, tendo adquirido 3 guias de campo e vários outros livros ao longo dos últimos anos. Aos poucos, com a expansão do meu interesse aos répteis, invertebrados e mamíferos, tenho começado também a procurar literatura sobre estes grupos.

Hoje vou falar um pouco sobre alguns guias de campo que tenho na minha biblioteca.

 

Aves de Portugal, Helder Costa et al. - Lynx, 2ª edição (2018)

Dedicado exclusivamente ao território português, este é o guia que recomendo aos que desejam iniciar-se na observação de aves. Com tamanho e peso reduzidos, ilustrações esclarecedoras, descrições sumárias das características diagnosticantes de cada espécie e mapas de distribuição muito interessantes, este guia cumpre a sua função sem se tornar assustador aos olhos dos iniciados.

Este livro encontra-se à venda por cerca de 20€ na sede da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e no seu site: http://www.spea.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=620

Aves de Portugal

 

Guia de Aves, Lars Svenson et al. - Assírio e Alvim, 2ª edição (2012) 

Como o próprio nome indica, este é o guia de aves para Portugal e para a Europa. Com mais de 3500 ilustrações bastante precisas, ilustra as várias plumagens que podem ser apresentadas por cada espécie. As notas e descrições complementares chamam a atenção para os detalhes da fisionomia e/ou do comportamento que ajudam o observador a chegar a uma identificação.

Pode intimidar os iniciantes, devido ao grande volume de informação, mas é um guia imprescindível para aqueles que desejem embrenhar-se de forma mais séria no mundo da observação de aves.

A 3ª edição encontra-se à venda por 33€ na Wook, na Fnac ou em qualquer uma das grandes livrarias do país, podendo também ser adquirido nas instalações da SPEA ou no seu site:

 http://www.spea.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=566

Guia de Aves

 

Flight Identification of Raptors of Europe, North Africa and the Middle East, Dick Forsman - Bloomsbury Natural History (2016)

Dos meus guias de aves, este é o único que apresenta fotografias ao invés de ilustrações e é também o único em língua inglesa. Ainda assim, este fantástico livro do ornitólogo finlandês Dick Forsman é possivelmente o melhor guia para identificação de rapinas em voo. As excelentes fotografias mostram os diferentes detalhes de plumagem que podem ser apresentados pelas diversas espécies, bem como várias posições de voo em que podemos observar as aves no campo. Isto, em conjunto com as detalhadas descrições de pormenores fisionómicos e comportamentos, tornam este livro um "must have" para quem tenha um interesse específico em aves de rapina. 

À venda na wook por pouco mais de 50€, é um investimento que vale a pena fazer:

https://www.wook.pt/livro/raptors-of-the-western-palearctic-a-handbook-of-field-identification-2nd-edition-dick-forsman/15978358

Flight Identification of Raptors

 

Anfíbios e Répteis de Portugal, Ernestino Maravalhas & Albano Soares - Booky (2017)

Sem ser um guia de campo puro, mas apresentando alguns elementos de atlas, esta acaba por ser a publicação mais actualizada relativamente à taxonomia, bem como à distribuição deste grupo de animais no nosso país.

Pode ser adquirido por cerca de 20€ na loja virtual da Quercus ou na Naturfun:

http://loja.quercus.pt/pt/livraria/243-anfibios-e-repteis-de-portugal-.html

http://www.naturfun.pt/index.php?route=product/product&product_id=948

Anfíbios e Répteis de Portugal

 

Guia das Borboletas Comuns de Portugal Continental, Patrícia Garcia-Pereira et al. - Tagis (2019)

Este pequeno guia foi publicado no âmbito do projecto ABLE - Avaliar as Borboletas na Europa e compila as espécies de borboletas mais comuns no nosso país. Nele é explicado o projecto, bem como as metodologias utilizadas nas contagens. São também apresentadas, para cada espécie de borboletas, fotografias de asas abertas e em repouso, bem como de machos e fêmeas para os casos em que o dimorfismo sexual é relevante.

Ao que me é dado a conhecer, a publicação não se encontra à venda, mas o download pode ser efectuado gratuitamente no site da Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal:

http://www.tagis.pt/uploads/4/7/9/5/47950987/gbc.pdf

Borboletas Comuns de Portugal Continental

 

No futuro, haverá certamente oportunidade para apresentar outros tipos de Livros de Bichos.

24
Jun19

Visitantes transatlânticos

Todos os anos milhares de turistas visitam Portugal, vindos das mais diversas proveniências. Chegam em busca da nossa gastronomia, das belas e diversificadas paisagens, da história e cultura, das praias, do clima e claro, dos preços (ainda) bastante comportáveis para os habitantes da maioria dos países desenvolvidos. Em 2018 foram os ingleses que em maior número nos visitaram, seguidos por franceses, alemães e espanhóis. Apesar de andarem longe dos lugares cimeiros, o INE indicou que a afluência de visitantes transatlânticos tem vindo a aumentar (principalmente americanos e canadianos). No entanto, os humanos não são os únicos a cruzar o grande oceano que nos separa das Américas...  outros animais também vão aparecendo por cá.

 

Se alguns destes visitantes chegam ao nosso território por meios antropogénicos e bastas vezes permanecem, dando origem a populações invasoras mais ou menos auto-sustentáveis, há os que o fazem por meios próprios e que tendem a desaparecer tão rapidamente como apareceram.

 

Garça-verde (Butorides virescens)

- Garça-verde (Butorides virescens)

- Herdade da Aroeira - Almada (09-11-2018)

 

Apesar de não existirem registos desta ave no nosso país até 2018, muitos já conheciam a garça-verde através da divulgação de vídeos onde é vista a utilizar pedaços de pão como isco para capturar peixes. Cerca de dez dias após a tempestade Leslie atingir Portugal (13-10-2018), foi registada uma destas garças na Quinta do Lago (Loulé) e mais dez dias passados foi descoberta uma segunda ave na Herdade da Aroeira (Almada). Possivelmente terão chegado à nossa costa empurradas pela tempestade e imediatamente procuraram habitats favoráveis. A ave de Almada foi observada pela última vez no início de novembro do mesmo ano e a algarvia teve a última observação registada dia 08-04-2019. Que destino terão? Podemos apenas especular...

 

Falsa-tartaruga-de-mapa (Graptemys pseudogeographica)

- Falsa-tartaruga-de-mapa (Graptemys pseudogeographica)

- Herdade da Aroeira - Almada (01-05-2019)

 

O comércio de animais exóticos tem crescido nas últimas décadas, levando a que múltiplas espécies de "animais de estimação" existam hoje no nosso país, geralmente confinados a gaiolas, terrários ou aquários. Mas, quando um destes animais deixa de ser desejado (seja porque cresceu mais do que se esperava, porque dá muito trabalho, porque come muito, ou por qualquer outra razão), muitas vezes acabam por ser "libertados" na natureza. Estes são autênticos crimes ambientais que podem acarretar consequências devastadoras para a nossa biodiversidade autóctone.

 

Tartaruga-da-florida (Trachemys scripta elegans)

- Tartaruga-da-florida (Trachemys scripta elegans)

- Parque da Paz - Almada (07-04-2016)

 

Um caso paradigmático é o da libertação de várias espécies de tartarugas exóticas nos nossos cursos de água. Estes animais crescem mais e mais depressa que os nossos cágados-mediterrânicos (Mauremys leprosa) e cágados-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis), atingem a maturidade sexual mais cedo e procriam em maior quantidade. Todas estas vantagens competitivas estão a ter um impacto negativo nas espécies autóctones. 

 

Borboleta-monarca (Danaus plexippus)

- Borboleta-monarca (Danaus plexippus)

- Vila Nova de Milfontes (25-06-2016)

 

Muitos conhecidas pela espectacular migração que protagonizam na América do Norte, desconhece-se como é que as monarcas chegaram ao nosso país. Há quem afirme que podem ter voado até cá desde os arquipélagos da Madeira ou dos Açores (há muito que existem colónias nas regiões autónomas), outros insinuam que terão sido introduzidas pela mão humana. Tendo a sua presença começado a ser estudada apenas no início da década de 2000 no Algarve, o  certo é que aproveitando-se da existência de uma planta também ela exótica (Gomphocarpus fruticosus - pertencente à mesma família das plantas das quais as suas lagartas se alimentam no continente americano, a Asclepia curassavica), esta vistosa borboleta tem vindo a formar colónias mais para norte. Até onde poderá chegar? Trará com ela consequências para as nossas espécies autóctones? É algo a descobrir nos próximos anos.

 

Mergulhão-caçador (Podilymbus podiceps)

- Mergulhão-caçador (Podilymbus podiceps)

- Sesimbra (20-01-2018)

 

Já este caçador de pequenas dimensões foi avistado por cá apenas três vezes... aparentemente aves que chegaram a nós pelos seus próprios meios, tendo atravessado o atlântico para chegarem a uma terra onde se instalaram sós, apenas para desaparecerem ao fim de algum tempo sem que seja conhecido o seu destino. Terão partido? Terão fenecido? Ainda estarão entre nós, escondidos nalguma barragem no interior do país? Como sempre, muitas perguntas, poucas respostas...

 

 [EN]

Transatlantic visitors

 

Every year thousands of tourists visit Portugal, coming from many different origins. They come in search of our gastronomy, the beautiful and diversified landscapes, history and culture, beaches, climate and of course the (still) quite affordable prices. In 2018 were the English who in greater number visited us, followed by French, German and Spanish. Although far from the top, the influx of transatlantic visitors has been increasing (mainly from the United States and Canada). However, humans are not the only ones to cross the great ocean that separates us from the Americas... other animals also appear here.

 

If some of these visitors come to our territory by anthropogenic means and often remain, creating more or less self-sustaining invasive populations, there are those who do so by their own means and who tend to disappear as quickly as they appeared.

 

Picture 1

- Green Heron (Butorides virescens)

- Herdade da Aroeira - Almada (09-11-2018)

 

Although there are no records of this bird in our country until 2018, many already knew the green heron through the dissemination of videos where it is seen using pieces of bread as bait to catch fish. About ten days after the storm Leslie reached Portugal (13-10-2018), one of these herons was observed in Quinta do Lago (Loulé) and ten days later a second bird was discovered in Herdade da Aroeira (Almada). They possibly have reached our shores pushed by the storm and immediately sought favorable habitats. The Almada bird was last observed at the beginning of November of the same year and the Algarve one had the last observation registered on 08-04-2019. What destination will they have? We can only speculate...

 

Picture 2

- False Map Turtle (Graptemys pseudogeographica)

- Herdade da Aroeira - Almada (01-05-2019)

 

Exotic animal trade has grown in recent decades, leading to the existence of multiple species of "pets" in Portugal today, usually confined to cages, terrariums or aquariums. But when one of these animals ceases to be desired (either because it has grown more than expected, because it gives a lot of work, because it eats a lot, or for whatever other reason), it often ends up being "liberated" in nature. These are true environmental crimes that can have devastating consequences for our native biodiversity.

 

Picture 3

- Pond Slider (Trachemys scripta elegans)

- Parque da Paz - Almada (07-04-2016)

 

A paradigmatic case is the liberation of several species of exotic turtles in our waterways. These animals grow bigger and faster than our Mediterranean Pond Terrapin (Mauremys leprosa) and European Pond Terrapin (Emys orbicularis), they reach sexual maturity sooner and breed in greater numbers. All these competitive advantages are having a negative impact on native species.

 

Picture 4

- Monarch Butterfly (Danaus plexippus)

- Vila Nova de Milfontes (06-25-2016)

 

Well known by the spectacular migration that they carry out in North America, it is not known how the monarchs arrived to our country. There are those who claim that they may have flown here from the archipelagos of Madeira and Azores (there have long been colonies in these islands), others suggest that they must have been introduced by human hand. Although its presence began to be studied only in the beginning of the 2000s in Algarve, the fact is that they have takem advantage of the existence of an exotic plant (Gomphocarpus fruticosus - belonging to the same family of plants from which its caterpillars feed in the American continent, the Asclepia curassavica) and this flashy butterfly has been forming colonies more to the north. How far can they get? Will it have consequences for our native species? It's something to find out in the next few years.

 

Picture 5

- Pied-billed Grebe (Podilymbus podiceps)

- Sesimbra (01-20-2018)

 

This small hunter was only seen here three times... apparently birds who came to us by their own means, having crossed the Atlantic to reach a land where they settled alone, only to disappear after some time with unknown destiny. Did they leave? Are they deceased? Could they still be among us, hidden in some dam in the interior of the country? As always, many questions and few answers...

 

24
Fev19

A vida nas pedras

Pedras, rochas e Calhaus. A mera menção destas palavras transporta-nos mentalmente para ambientes áridos e estéreis onde a sobrevivência é improvável... Nada mais falso. Os diversos habitats rochosos que podem ser encontrados no nosso país estão repletos de vida e cor.

 

Nos esporões pedregosos das praias da frente atlântica de Almada, podemos encontrar várias espécies de aves, entre elas a rola-do-mar. Estas belas aves percorrem as pedras deixadas a descoberto pela baixa-mar em busca de invertebrados e pequenos caranguejos.  

 

Rola-do-mar (Arenaria interpres)

- Rola-do-mar (Arenaria interpres)

- Cova do Vapor - Almada (25-11-2016)

 

Aves, mamíferos, répteis, insectos, plantas... alguns utilizam as pedras como casa, outros como território de caça, zona de repouso ou meio de protecção. Seja como for, a vida adapta-se a todos os ambientes e encontra forma de prosperar. Até um calhau nu e molhado pode ser um precioso aliado para algum réptil em processo de termorregulação (os répteis são ectotérmicos, ou seja, necessitam de uma fonte externa de calor para regularem a sua temperatura corporal).

 

Embora os seus números aparentem estar a diminuir em favor da proliferação das exóticas tartarugas-da-florida, ainda vamos podendo encontrar, pelos nosso cursos de água, alguns cágados-mediterrânicos a tomar plácidos banhos de sol em cima de alguma pedra que se projecte um pouco fora do elemento líquido.

 

Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

- Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

- ZPE Castro Verde (11-06-2016)

 

Alguns animais especializam-se nestes habitats, onde passam toda a sua vida, chegando a um ponto em que isso os define e lhes confere identidade.

 

Este pequeníssimo passeriforme ocorre em escarpas e grandes paredes rochosas, tornando bastante difícil a sua localização. É nestas fragas que se alimenta, repousa e procria, o que lhe granjeou o nome de trepadeira-dos-muros ou trepa-fragas.

 

Trepadeira-dos-muros (Tichodroma muraria) Cabo Sardão (31-03-2018) (42b).JPG

- Trepa-fragas ou Trepadeira-dos-muros (Tichodroma muraria)

- Cabo Sardão - Odemira (31-03-2018)

 

E, se alguns bichos dominam por completo estes ambientes, calcorreando cada centímetro de pedra, investigando cada irregularidade, explorando cada anfractuosidade, outros há que apenas os conhecem superficialmente, utilizando estas estruturas como mero auxiliar para os seus afazeres do dia-a-dia.

 

Em cima de uma rocha saliente num dos muitos ribeiros de águas frias e límpidas que ainda hidratam o norte do país, encontramos vigilante um ser delicado, de cor iridescente. No centro do seu território, o macho de donzelinha aguarda a passagem de uma fêmea enquanto defende ameaçadoramente as suas fronteiras dos seus potenciais rivais. Em cima daquelas pedras desenrola-se o terrível - ainda que belo - jogo da vida.

 

Donzelinha (Calopteryx virgo)

- Donzelinha (Calopteryx virgo)

- Rio Caima - Vale de Cambra (08-09-2018)

 

Alguns animais há que, sem serem fiéis a estes biótopos, usufruem deles quando as circunstâncias assim o ditam.

 

Os pilritos-das-praias são mais conhecidos por serem observados a correr freneticamente pela areia, junto à linha de espuma do mar. O seu vai e vem quase pendular reflecte a cadência das ondas e marca o ritmo segundo o qual estas pequenas aves procuram na areia molhada os minúsculos invertebrados dos quais se alimentam. No entanto, na maré cheia podemos vê-los a repousar em grupo nos rochedos fora do alcance das águas. Da mesma forma, não é incomum vê-los a procurar alimento entre mesmas rochas na maré vazante. Na vida há que saber aproveitar as oportunidades e estes pequenos não deixam os seus créditos por mãos alheias... 

 

Pilrito-das-praias (Calidris alba)

- Pilrito-das-praias (Calidris alba)

- Cova do Vapor - Almada (28-01-2016)

 

[EN]

Life on the rocks

 

Stones, rocks and pebbles. The mere mention of these words mentally transports us to arid and barren environments where survival is unlikely... Well, thats not true at all. The various rocky habitats that can be found in Portugal are full of life and color.

 

In the stony spurs of the beaches of the Atlantic front of Almada, we can find several species of birds, among them the Ruddy Turnstone. These beautiful birds scour the rocks uncovered by the low tide in search of invertebrates and small crabs.

Picture 1

- Ruddy Turnstone (Arenaria interpres)

- Almada - Portugal (25-11-2016)

 

Birds, mammals, reptiles, insects, plants... some use rocks as housing, others as hunting territory, resting area or for protection. In any case, life adapts to all environments and finds a way to prosper. Even a bare and wet stone can be a precious ally to some reptile in thermoregulation process (reptiles are ectothermic as they require an external source of heat to regulate their body temperature).

 

Although their numbers seem to be diminishing in favor of the proliferation of exotic florida turtles, we can still find, through portuguese waterways, some mediterranean turtles placidly sunbathing on some stone.

Picture 2

- Mediterranean Turtle (Mauremys leprosa)

- Castro Verde - Portugal (11-06-2016)

 

Some animals specialize in these habitats, where they spend their entire lives, reaching the point where it defines them and provides them identity.

 

This small passeriform occurs on cliffs and large rocky walls, quite difficulting finding it. It is in these cliffs that it feeds, rests and breed, what earned him the name of Wallcreeper.

Picture 3

- Wallcreeper (Tichodroma muraria)

- Odemira - Portugal (31-03-2018)

 

And if some animals completely master these environments, knowing every inch of stone, investigating each irregularity, exploring each anfractuosity, others there are that just use these structures as mere auxiliaries to their day-to-day tasks.

 

On top of a protruding rock in one of the many cold and clear water brooks that still moisten the north of the country, we find a delicate being of iridescent color. In the center of its territory, the male demoiselle waits for a female to pass while threateningly defends its borders against its potential rivals. On top of these stones the terrible - though beautiful - game of life unfolded.

Picture 4

- Beautiful Demoiselle  (Calopteryx virgo)

- Vale de Cambra - Portugal (08-09-2018)


Some animals there are that, without being faithful to these biotopes, enjoy them when circumstances so dictates.

 

Sandpipers are best known for being seen running at the sand, along the sea foam line. Its almost pendular back and forth reflects the cadence of the waves and marks the rhythm by which these little birds seek out the tiny invertebrates from which they feed on the wet sand. However, at full tide we can see them resting in groups on the rocks, above the shore line. Likewise, it is not uncommon to see them searching for food among the same rocks in the ebb tide. In life you have to know how to take advantage of the opportunities and these little ones do not fall short...

Picture 5

- Sanderling (Calidris alba)

- Almada - Portugal (28-01-2016)

20
Jun18

Cigarras - Uma vida a cantar

"A Cigarra e a Formiga" é umas das mais conhecidas fábulas de La Fontaine - embora na verdade a sua autoria seja atribuída ao escritor grego Esopo (620 a.C. - 564 a.C.) - e fala-nos da importância de, em época de abundância, continuarmos a trabalhar e a poupar os nossos recursos para termos como subsistir em tempos de dificuldades.

 

No conto, a cigarra passa o verão a cantar e a comer folhas verdes enquanto a formiga apenas trabalha e armazena comida... chegado o inverno, a cigarra passa mal e vê-se obrigada a recorrer à formiga para sobreviver.

 

Cigarra/Cicada (Cicadidae)

- Cigarra-comum (Cicada orni

- Parque Tejo - Lisboa (23-08-2016)

 

Nas nossas matas ou nos parques e jardins das nossas cidades, naquelas tardes tórridas de verão em que nenhuma brisa se sente e nenhum outro som se ouve, o estridente "canto" dos machos destes insectos eleva-se no ar - pode rondar os 100 decibéis e é gerado pela vibração de uma membrana no seu primeiro segmento abdominal - na tentativa de atrair uma fêmea para acasalar.

 

Aquele som vibrante e constante - até eventualmente irritante - leva-nos a pensar: "afinal a fábula tem uma razão de ser". Mas onde estão os bichos? O som que ouvimos parece não ter uma origem definida: olhamos, procuramos e... nada. Pois, estes insectos são extremamente crípticos, sendo bastante difícil localizá-los. E quando finalmente conseguimos ver um deles, supresa das surpresas! "Mas não deviam ser parecidos a gafanhotos?"

 

De facto não o são, o aspecto das cigarras mais facilmente faz lembrar uma enorme mosca, com os seus grandes olhos redondos e as suas asas transparentes. Sim, os ilustradores das histórias andaram a "enganar-nos" durante todo este tempo... 

 

Cigarra (Cicadidae)

- Cigarra-comum (Cicada orni

- Parque da Paz - Almada (10-07-2016)

 

Pelo menos os contos acertaram numa coisa: as cigarras passam o verão a cantar. E no resto do ano? Serão hóspedes das formigas tal como La Fontaine sugeriu? De todo.

 

A cigarra fêmea é atraida pela cantoria de uma macho, é fecundada, põe os seus ovos e morre. Depois da eclosão, as ninfas saídas desses ovos - estes artrópodes sofrem uma metamorfose incompleta (não passam pela fase de pupa) - caem ao chão onde se enterram e onde sobrevivem de 1 a 17 anos - consoante a espécie - alimentando-se da seiva retirada das raizes das plantas.

 

Chegado o pico do verão, emergem do subsolo e passam por uma transformação para o estágio adulto (ecdise). Durante umas semanas alimentam-se da seiva obtida pelos caules e folhas e os machos cantam sob o sol tórrido até que o ciclo se complete uma vez mais.

 

Eles de facto passam toda a sua vida adulta a cantar.

 

[EN]

Cicadas - A life singing

 

In our woods or in the parks and gardens of our cities, on those scorching summer afternoons when no breeze is felt and no other sound is heard, the loud "singing" of these male insects rises in the air - the sound can be around 100 decibels and is generated by the vibration of a membrane in its first abdominal segment - in an attempt to attract a female to mate.

 

That screechy, constant sound drives us crazy . " But where are the bugs?" The sound does not seem to have a definite origin: we look, we search and... nothing. These insects are extremely cryptic, making quite difficult to locate them. And when we finally got to see one of them, surprise surprise! "Should not they look like locusts?" (In the original french, La Fontaines "The grasshopper and the Ant" is "The cicada and the ant". So thanks to the ilustrators, basically everyone thinks a cicada looks like a grasshopper)

 

In fact they do not. The aspect of the cicadas most easily resembles a huge fly, with their large round eyes and their transparent wings. Yes, storytellers have been "cheating" us all this time... At least the tales hit one thing: cicadas spend the summer singing. And the rest of the year? Will they be guests of the ants as La Fontaine suggested? Not at all. 

 

The female cicada is attracted by the singing of a male, is fertilized, lays its eggs and dies. After hatching, the nymphs coming out of these eggs - these arthropods undergo an incomplete metamorphosis (they do not pass through the pupa stage) - fall to the ground where they are buried and where they survive from 1 to 17 years - depending on the species - feeding on sap from the roots of plants.

 

When the peak of summer arrives, they emerge from underground and go through a transformation to the adult stage (ecdysis). For a few weeks they feed on the sap taken from the stalks and leaves and the males sing in the blazing sun until the cycle is once more completed.

 

They actually spend their entire adult life singing

 

Pictures:

- Cicada (family Cicadidae)

- Lisbon - Portugal (08-23-2016)

 

 - Cicada (family Cicadidae)

- Almada - Portugal (07-10-2016)

23
Out17

A frágil força da natureza

Florestas, estepes, montanhas, rios, desertos, lagos, dunas, oceanos... diversos habitats, cada qual com as suas especificidades e a sua rede de interacções. Ditam as leis do senso comum que nas regiões mais áridas sobrevivam apenas as espécies resistentes e fortes, mas será realmente assim?
 
Nas brutais pressões das fossas abissais sobrevivem peixes de formas tão delicadas que o seu corpo é transparente, nas escaldantes areias dos desertos podemos encontrar pequenos e frágeis lagartos, nas inóspitas montanhas chinesas ainda resiste uma cada vez menor população de Pikas - um pequeno e "fofinho" mamífero aparentado com os coelhos. Estes, entre tantos outros exemplos, são a demonstração cabal de que na natureza a robustez física não é determinante para a sobrevivência, por muito agreste que seja o habitat. A rudeza e a delicadeza coexistem e muitas vezes complementam-se.
 
Dito isto, devo confessar que a última coisa que eu esperava encontrar no topo de uma serra rochosa e agreste, era uma frágil borboleta...
 
- Borboleta-de-pintinhas (Glaucopsyche melanops)
- Serra da Gardunha (15-06-2017)
 

Borboleta-de-pintinhas (Glaucopsyche melanops)

 

[EN]

The fragile strenght of Nature

 

Forests, steppes, mountains, rivers, deserts, lakes, dunes, oceans... diverse habitats, each with its specific characteristics and its interactions network. The laws of common sense dictate that only the strong and resilient species survive in the more arid regions, but will this really be so?

 

In the brutal pressures of the ocean trenches survive fish of such delicate forms that their bodies are transparent, in the scorching sands of the deserts we can find small and fragile lizards, in the inhospitable Chinese mountains still resists a declining population of Pikas - a small and "cute" rabbit related mammal. These, among many other examples, are the demonstration that in nature physical robustness is not determinant for survival, however rugged the habitat may be. Rudeness and delicacy coexist and often complement each other.

 

That being said, I must confess that the last thing I expected to find on top of a rocky and rugged mountain range was a fragile butterfly...

 

- Black-eyed Blue (Glaucopsyche melanops)
- Serra da Gardunha - Portugal (15-06-2017)
27
Set17

Testemunho de uma vida ephemera

A natureza oferece-nos constantes lições de adaptação, perseverança e superação... mas também nos presenteia com exemplos de delicadeza e fragilidade.

 

Este pequeno animal pertencente à ordem Ephemeroptera e é o único insecto que, passando por uma metamorfose incompleta, apresenta um estágio intermédio (subimago) de duração raramente superior a 24h, em que - apesar de ainda imaturo sexualmente - possui asas perfeitamente funcionais.

 

Ao contrário da sua fase larvar (ninfa) que pode durar vários anos, os adultos (imago) vivem vidas extremamente curtas, variando entre 5 minutos e um par de dias (conforme a espécie a que pertençam) e nunca se alimentarão, pois apenas dispõem de bocas vestigiais. O seu único objectivo é a reprodução.

 

Esta frágil criatura "decidiu" passar uma boa parte da sua vida adulta na porta do meu carro, permitindo-me um vislumbre da sua delicada beleza e, despertando em mim a natureza filosófica do ser humano, proporcionou-me a contemplação da sua (e da minha própria) efemeridade.

 

- Efémera (Ephemera glaucops)

- Barragem de Morgavel - Sines (23-09-2017)

 

Efémera (Ephemera glaucops)

 

[EN]

Testimony of an ephemeral life

 

Nature offers us constant lessons of adaptation, perseverance and overcoming. But it also presents us with examples of delicacy and fragility.

 

This small animal belongs to the order Ephemeroptera and is the only insect that undergoes an incomplete metamorphosis, thus presenting an intermediate stage (subimago) rarely lasting more than 24 hours, in which - although still sexually immature - it has perfectly functional wings.

 

Unlike their larval phase (nymph) that can last for several years, adults (imago) live extremely short lives ranging from 5 minutes to a couple of days (depending on the species) and will never feed, as they have only vestigial (unusable) mouthparts. Its sole purpose is reproduction.

 

This fragile creature "decided" to spend a good part of his adult life on the door of my car, allowing me a glimpse of its delicate beauty and, awakening in me the philosophical nature of the human being, provided me with the contemplation of his (and my own) ephemerality.

 

- Mayfly (Ephemera glaucops)

- Sines - Portugal (23-09-2017)

Eu

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Últimas Observações

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Posts destacados