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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

05
Mai21

Onde observar: Seixal - Ponta dos Corvos

A Ponta dos Corvos é uma restinga que separa o leito do rio Tejo das águas mais interiores do Sapal de Corroios. Pertencente ao concelho do Seixal, este pedacinho de terra detém bastante importância histórica, pois ali se estabeleceu, em 1947, a chamada Fábrica Atlântica de Seca de Bacalhau. Com uma área de aproximadamente 40 ha e cerca de 600 trabalhadores, esta era a maior fábrica deste tipo na região. Encerrada desde o ínicio dos anos 90, todas as suas infraestruturas, bem como os moinhos de maré nas proximidades, encontram-se hoje completamente entregues ao degredo.

Mas os valores históricos não são os únicos, nem (na minha óptica) os mais importantes valores desta zona. O Sapal de Corroios é um importantíssimo refúgio de vida selvagem, infelizmente também ele completamente ignorado pelo poder autárquico.

Ponta dos CorvosNascer do sol na Ponta dos Corvos (05-12-2015)

 

Apesar de massacrada com a grande quantidade de lixo por ali deixada e com uma perturbação relativamente constante, a biodiversidade deste local ainda é assinalavelmente interessante. Ali podemos encontrar várias espécies de plantas, bastantes insectos, alguns répteis e, claro, muitas aves. Entre estas últimas, sem dúvida que a mais vistosa é o flamingo-rosado.

Flamingo-rosado (Phoenicopterus roseus)Flamingo-rosado (Phoenicopterus roseus) (03-04-2017)

 

Mas a avifauna deste local não é composta apenas pelos pernaltas cor-de-rosa, é muito mais diversa e interessante. No inverno, as aves aquáticas e limícolas dominam a paisagem, pois encontram ali excelentes condições para descansar e procurar alimento. Desde os corvos-marinhos que eu pensava que fossem a razão do nome deste local (informação entretanto corrigida pelo Sr. Manuel da Costa, nos comentários abaixo), passando pelas garças, tarambolas, patos, pilritos, maçaricos, gaivotas, rolas do mar... podemos observar bandos de centenas ou milhares de aves, miríades de pequenos corpos emplumados que se deslocam, ao ritmo das marés, entre os lodos expostos pela baixa-mar e a vegetação que lhes serve de poiso durante a preia-mar.

Ganso-do-egipto (Alopochen aegyptiacus) (03-04-2021)Garça-branca-pequena (Egretta garzetta) (02-04-2021)Pilrito-comum (Calidris alpina) (10-01-2021)Rola-do-mar (Arenaria interpres) (10-01-2021)Perna-vermelha-comum (Tringa totanus) (10-01-2021)Borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula) (08-12-2020)Colhereiro (Platalea leucorodia) (28-11-2020)Tarambola-cinzenta (Pluvialis squatarola) (21-11-2020)Maçarico-real (Numenius arquata) (21-11-2020)Carraceiro (Bubulcus ibis) (15-11-2020)Tadorna (Tadorna tadorna) (06-05-2020)Gaivota-de-cabeça-preta (Ichthyaetus melanocephalus) (28-09-2019)Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos) (07-01-2018)Pilrito-das-praias (Calidris alba) (01-11-2017)Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus) (01-11-2017)Perna-verde-comum (Tringa nebularia) (14-01-2017)Pernilongo (Himantopus himantopus) (14-05-2016)Maçarico-galego (Numenius phaeopus) (28-04-2016)Pato-real (Anas platyrhynchos) (19-03-2016)Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) (21-02-2016)Garça-real (Ardea cinerea) (21-02-2016)Alfaiate (Recurvirostra avosetta) (05-12-2015)

 

Esporadicamente até por ali aparece alguma ave mais incomum ou mesmo rara. Não fosse a constante presença humana, a localização privilegiada deste local iria possivelmente atrair ainda mais destas aves.

Ganso-de-faces-pretas (Branta bernicla)Ganso-de-faces-pretas (Branta bernicla) (15-11-2020)

 

Outras aves, passeriformes e não só, frequentam as praias, os pastos, as ruínas e a vegetação de sapal. Várias espécies aparecem por ali na migração, como chascos e picanços, outras ficam para o inverno, como as petinhas, as lavercas e o pisco-de-peito-azul. Também há as que ali nidificam, como a poupa, o rabirruivo e o cartaxo. Se olharmos com atenção, podemos encontrar um variado leque de formas, cores e cantos...

Poupa (Upupa epops) (02-04-2021)Laverca (Alauda arvensis) (28-02-2021)Pega-rabuda (Pica pica) (30-11-2020)Petinha-dos-prados (Anthus pratensis) (01-11-2020)Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis) (28-09-2019)Cartaxo-comum (Saxicola rubicola) (01-11-2017)Gralha-preta (Corvus corone) (19-11-2016)Toutinegra-do-mato (Sylvia undata) (19-11-2016)Felosinha (Phylloscopus collybita) (27-10-2016)Cotovia-de-poupa (Galerida cristata) (27-10-2016)Chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) (27-10-2016)Pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica) (27-10-2016)Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) (19-10-2016)Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata) (28-08-2016)Pardal (Passer domesticus) (20-07-2016)Toutinegra-dos-valados (Sylvia melanocephala) (14-05-2016)Picanço-real (Lanius meridionalis) (28-04-2016)Melro-preto (Turdus merula) (23-04-2016)Picanço-barreteiro (Lanius senator) (23-04-2016)Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) (21-02-2016)Torcicolo (Jynx torquilla) (15-11-2020)Perdiz-vermelha (Alectoris rufa) (01-11-2017)
 

Mas estas aves, sejam elas aquáticas ou terrestres, não estão totalmente seguras e protegidas. Várias rapinas frequentam este recanto, em busca de presas. Se algumas se alimentam de insectos e pequenos vertebrados - ou até de peixe - outras tiram partido da fantástica quantidade de presas emplumadas que por ali existem. A águia-d'asa-redonda é comum ali, durante todo o ano, o falcão-peregrino também pode ser visto com frequência, bem como o peneireiro-vulgar. Também a icónica águia-pesqueira passa ali o inverno, usufruindo da abundância de poisos seguros no meio do sapal para devorar os peixes que captura nas águas do Tejo. Estas, entre algumas outras aves de rapina, constituem o topo da cadeia alimentar deste ecossistema.

Falcão-peregrino (Falco peregrinus)Falcão-peregrino (Falco peregrinus brookei) (02-02-2020)

Águia-sapeira (Circus aeruginosus) (02-01-2021)Coruja-do-nabal (Asio flammeus) (13-12-2020)Peneireiro-cinzento (Elanus caeruleus) (01-11-2017)Águia-pesqueira (Pandion haliaetus) (14-01-2017)Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus) (21-02-2016)Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo) (21-02-2016)

 

Mais abaixo, numa posição muito ingrata da cadeia alimentar, podemos observar por ali vários invertebrados, como gafanhotos e borboletas, alguns pequenos répteis e os sempre presentes caranguejos, nas zonas banhadas pelo rio. Pequenos e geralmente bem camuflados, estes bichos requerem a nossa melhor atenção, se os queremos encontrar. Mas vale a pena...

Lagarta de Trifoli (Lasiocampa trifolii) (03-04-2021)Besouro (Scarites cyclops) (03-04-2021)Caranguejo-verde (Carcinus maenas) (15-11-2020)Formiga-leão (Creoleon sp.) (26-05-2020)Mariposa (Diasemiopsis ramburialis) (26-05-2020)Esperança (Platycleis sp.) (26-05-2020)Moscardo (Dasypogon sp.) (26-05-2020)Neuróptero‑das‑duas-penas (Nemoptera bipennis) (26-05-2020)Larva de joaninha-de-sete-pintas (Coccinella septempunctata) (06-05-2020)Percevejo (Calocoris roseomaculatus) (06-05-2020)Mariposa (Idaea ochrata) (06-05-2020)Douradinha-do-arco (Thymelicus acteon) (06-05-2020)Cobra-de-pernas-tridáctila (Chalcides striatus) (06-05-2020)Lagartixa-verde (Podarcis virescens) (08-05-2017)

 

Também o coberto vegetal é interessante e até demasiado variado para os meus parcos conhecimentos. Assim, qualquer pessoa que por ali caminhe certamente encontrará uma ou outra plantinha mais vistosa, nem que sejam apenas aquelas cujas flores coloridas imediatamente nos chamam a atenção.

Cistanche (Cistanche phelypaea) (03-04-2021)Silene (Silene nicaeensis) (03-04-2021)Papoila (Papaver rhoeas) (03-04-2021)Goivo-da-praia (Malcolmia littorea) (02-04-2021)Jacinto-das-searas (Leopoldia comosa) (02-04-2021)Erva-gorda (Arctotheca calendula) (02-04-2021)Erva-vassoura (Phelipanche nana) (02-04-2021)Tremoço-azul (Lupinus angustifolius) (13-03-2021)Tomilho (Thymus sp.) (26-05-2020)Arméria (Armeria pungens) (06-05-2020)Erva-pinheira-enxuta (Petrosedum sediforme) (06-05-2020)Ansarina-dos-campos (Linaria spartea) (06-05-2020)
Alho-pôrro (Allium ampeloprasum) (06-05-2020)Botão-azul (Jasione montana) (06-05-2020)

 

As actividades de veraneio desregradas, a enorme quantidade de lixo deixada pelos mariscadores, a falta de fiscalização às actividades lúdicas como a canoagem ou o stand-up paddle, a falta de civismo em geral das pessoas que usufruem deste fantástico espaço, estão a pôr em perigo aquele que é, provavelmente, o maior valor natural deste concelho. Diz-se até que há planos para dinamizar e modernizar as praias da Ponta dos Corvos... a forma como isto será levado a cabo poderá vir a colocar (ou não) ainda mais pressão humana sobre o sapal.

Urge repensar a forma como vemos e utilizamos os nossos espaços naturais, tal como urge exigir às autarquias que protejam e cuidem destes frágeis paraísos. Isto se quisermos que as crianças do futuro ainda possam deslumbrar-se com a delicadeza dos flamingos e maravilhar-se com o voo rasante de um bando de milhares de limícolas... não num zoo, não num qualquer documentário da BBC, mas sim ali, quase à porta das nossas casas.

29
Abr21

"A menina dança?"

A dança é uma das mais importantes e antigas formas de expressão artística da humanidade. Através de movimento dos nossos corpos conseguimos expressar dor, alegria, medo, sensualidade, altivez... existem danças cerimoniais, competitivas, desportivas, lúdicas, variando consoante a cultura dos povos. É, no entanto, desconhecida a sua origem, sabendo-se apenas que é pelo menos tão antiga quanto a história. Como terá surgido?

Será possível que a arte tenha, uma vez mais, imitado a natureza? É sabido que as suas formas, os seus sons, cores, cheiros e movimentos sempre inspiraram o Homem. Mas os animais não dançam, pois não? Bem, talvez dependa um pouco do conceito de cada um...

Será a espectacular parada nupcial da águia-calva um tango a dois nos céus, carregado de emoção e drama? Será o espectáculo proporcionado pelos Flamingos dos Andes, o equivalente às coreografias de grupo numa discoteca? A vistosa exibição de corte do macho de abetarda poderá ter um paralelo no bêbado lá da aldeia, que dança apaixonadamente com a "mine" na mão? Farão os albatroses competições de hip-hop? E o pavão dançará a "Senbu", qual gueixa agitando o seu leque em honra à deusa Amaterasu?

Como sempre, tenho mais perguntas que respostas... mas como impedir que a mente divague, face a uma cena como esta, em que quase conseguimos ouvir as notas sensuais da música de fundo e em que a ave parece claramente dizer: "A menina dança?"

Íbis-preta (Plegadis falcinellus)Íbis-preta (Plegadis falcinellus) Lezíria Grande - VFX (10-12-2016)

02
Abr21

Onde observar: "Vou p'ro sol da Caparica" - A vida nas praias de Almada

Nas praias da frente atlântica de Almada, todos os anos estivam milhares de turistas, vindos um pouco de todo mundo. Atraídos pelo clima ameno e pelos extensos areais do concelho, alguns são veraneantes regulares, outros visitam esta zona pela primeira (e possivelmente única) vez. Nos meses de verão, tudo o que vemos entre a Cova do Vapor e a Fonte da Telha é um mar de mamíferos estendidos na areia. Até as pequenas praias escondidas,  já banhadas pelas águas do rio Tejo, são invadidas por estes bípedes ávidos de sol e sal.

 

Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus)Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus) Praia do 2º Torrão (20-04-2017)

Finda a época balnear, os mamíferos começam paulatinamente a dar lugar às aves nas praias da Caparica. Desaparecem as lontras esticadas ao sol desde manhã até à noite, reduz-se a quantidade de lixo espalhado no areal, vai-se o barulho dos gritos em "francês aportuguesado", desaparecem as bolas de Berlim... permanecem os surfistas, um ou outro "runner", os passeadores de canídeos e o ocasional pescador.

Aparentemente sem se deixarem incomodar demasiado por estes poucos bípedes não-emplumados, aos poucos vão surgindo os borrelhos-de-coleira-interrompida, que nunca abandonaram as praias e que agora podem voltar a mostrar-se sem receios. A eles em breve se juntarão os simpáticos pilritos-das-praias, as rolas-do-mar, o ocasional pilrito-comum ou até uma tarambola, a descansar um pouco antes de seguir viagem. Nesta altura de transição, em que as aves estão em migração para sul, não é impossível ver por ali maçaricos-galegos, fuselos, borrelhos-grandes-de-coleira e uma ou outra seixoeira. Com sorte vislumbramos um vistoso ostraceiro ou mesmo os incomuns pilritos-escuros, que parecem ter tomado o gosto às praias da margem sul.

Ostraceiro (Haematopus ostralegus) Cova do Vapor (25-12-2020)Seixoeira (Calidris canutus) Cova do Vapor (07-09-2017)Pilrito-das-praias (Calidris alba) Cova do Vapor (28-01-2016)Pilrito-escuro (Calidris maritima) Cova do Vapor (28-01-2016)Rola-do-mar (Arenaria interpres) Cova do Vapor (25-11-2016)Borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula) Cova do Vapor (10-10-2016)Fuselo (Limosa lapponica) Praia do 2º Torrão (08-09-2016)Perna-vermelha-comum (Tringa totanus) Praia do 2º Torrão (14-05-2016)Maçarico-galego (Numenius phaeopus) Praia do 2º Torrão (11-05-2016)Pilrito-comum (Calidris alpina) Cova do vapor (10-05-2016)
Tarambola-cinzenta (Pluvialis squatarola) Cova do Vapor (24-12-2020)Tarambola-dourada (Pluvialis apricaria) Cova do Vapor (14-10-2018)

 

A partir desta altura dá-se também o regresso das gaivotas-d'asa-escura, vão começando a aparecer os poucos gaivotões-reais que por ali invernam e, quem sabe, até podemos ver uma gaivota-prateada a dar um arzinho da sua graça. Várias outras espécies de gaivotas passam pelas praias de Almada, algumas bastante comuns, outras nem tanto assim. As aves pelágicas começam a surgir e quem sabe tenhamos o privilégio de ver um bando de negrolas (ou patos-pretos) em passagem, voando rente ao mar, ou até mesmo um alcatraz a pescar, deixando-se cair das alturas...

 

Gaivotão-real (Larus marinus)Gaivotão-real (Larus marinus) Fonte da Telha (23-11-2019)

Gaivota-de-cabeça-preta (Ichthyaetus melanocephalus) Cova do Vapor (03-10-2020)Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) Trafaria (28-12-2019)Gaivotão-branco (Larus hyperboreus) Costa da Caparica (28-12-2019)Alcatraz (Morus bassanus) Cova do Vapor (02-11-2019)Gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus) Fonte da Telha (25-10-2018)Gaivota-de-Audouin (Ichthyaetus audouinii) Cova do Vapor (07-09-2017)Corvo-marinho (Phalacrocorax carbo) Trafaria (28-01-2016)Gaivota-prateada (Larus argentatus) Trafaria (19-11-2016)
Negrola (Melanitta nigra) Cova do Vapor (19-11-2016)Garajau-comum (Sterna sandvicensis) Praia do 2º Torrão (09-05-2016)
 

Estas, entre outras aves invernantes, residentes ou de passagem, sejam elas regulares, mais acidentais ou até raras, vão compondo a avifauna da frente marítima de Almada e vão fazendo o regalo dos observadores da região (e de outros que por lá apareçam). 

Chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe)Chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) Cova do Vapor (10-10-2016)

Estorninho-preto (Sturnus unicolor) Cova do Vapor (27-12-2020)Alvéola-branca (Motacilla alba) Cova do Vapor (07-11-2020)Guarda-rios (Alcedo atthis) Praia do 2º Torrão (16-08-2016)Gralha-preta (Corvus corone) Cova do vapor (19-07-2016)Falcão-peregrino (Falco peregrinus) Praia do 2º Torrão (12-05-2016)Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus) Costa da Caparica (18-02-2016)

 

Menos sol, menos calor, menos pessoas, menos barulho, menos lixo e confusão... mais natureza. Agora sim, a vida regressou à Costa.

26
Mar21

Onde observar: Seixal - Parque Urbano da Quinta da Marialva

O concelho do Seixal tem alguns locais com excelentes condições para a Observação de Natureza, principalmente ao nível da avifauna. Desde que tomei residência no concelho, tenho vindo a explorar alguns destes locais com o intuito de ir registando e inventariando a biodiversidade que por aqui encontro. O resultado dos meus esforços, bem como dos esforços de muitas outras pessoas, pode ser verificado num projecto na plataforma iNaturalist, que já conta com mais de 9000 observações de cerca de 1400 espécies, registadas por mais de 160 observadores:

https://www.inaturalist.org/projects/biodiversidade-do-seixal

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Junto a Santa Marta do Pinhal existe o Parque Urbano da Quinta da Marialva, uma zona de lazer equipada com um circuito de manutenção, um parque geriátrico, um percurso pavimentado, vários relvados, um campo de basquetebol, um campo pelado de futebol, um parque infantil, uma zona de churrascos, um anfiteatro ao ar livre com palco para concertos e um pavilhão multiusos. Aqui ocorrem alguns eventos como a "Mostra de actividades económicas" (vulgo feira) mensal, as Festas de Corroios, ou a Feira Medieval de Corroios. Este parque é utilizado diariamente por dezenas de pessoas para fazer desporto, passear os cães, brincar com as crianças ou simplesmente passear e apanhar sol.

Não se pode dizer que seja um local com grandes valores naturais, uma vez que, tal como a maioria dos jardins no Seixal, é bastante insípido e despido de vegetação, mantendo apenas algumas árvores de médio/grande porte e uns poucos arbustos. Tem, no entanto, uma vala de escoamento de águas pluviais que consegue ser suporte para um ecossistema interessante e variado.

 

Bico-de-lacre (Estrilda astrild)Bico-de-lacre (Estrilda astrild) (13-10-2016)

Ao nível da avifauna, este parque tem 62 espécies registadas, sendo a maioria aves comuns que podem ser encontradas em qualquer outro parque ou jardim. Na vala facilmente encontraremos os exóticos bicos-de-lacre, fuinhas-dos-juncos, uma ocasional carriça, talvez uma alvéola ou duas e até um casal de patos-reais. Nos relvados pululam os melros e as invernantes petinhas-dos-prados, aparece uma cotovia de vez em quando, circulam os inevitáveis pardais e os estridentes estorninhos, em busca de vermes para se alimentarem. As árvores dão abrigo a piscos, pintassilgos, milheirinhas, gaios, trepadeiras, chapins e uma série de outros passeriformes.

Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis) (26-09-2020)Lugre (Spinus spinus) (15-03-2020)Alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea) (04-11-2017)Petinha-dos-prados (Anthus pratensis) (04-11-2017)Alvéola-amarela (Motacilla flava) (21-10-2017)Chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe)(11-10-2017)Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata) (11-10-2017)Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) (11-10-2017)Gaio (Garrulus glandarius) (18-06-2017)Carriça (Troglodytes troglodytes) (01-04-2017)Andorinha-das-Chaminés (Hirundo rustica) (01-04-2017)Estorninho-preto (Sturnus unicolor) (01-04-2017)Cotovia-de-poupa (Galerida cristata) (01-04-2017)Melro-preto (turdus merula) (28-02-2017)Felosinha (Phylloscopus collybita) (25-02-2017)Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) (29-11-2016)Tentilhão-comum (Fringilla coelebs) (15-11-2016)Toutinegra-de-cabeça-preta (Sylvia melanocephala) (15-11-2016)Pardal (Passer domesticus) (15-11-2016)Milheirinha (Serinus serinus) (15-11-2016)Verdilhão (Carduelis chioris) (15-11-2016)Alvéola-branca (Motacilla alba) (27-10-2016)Gralha-preta (Corvus corone) (19-10-2016)Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla) (19-10-2016)

Toutinegras, andorinhas, felosinhas, verdilhões, gralhas, tentilhões, chascos-cinzentos, papa-moscas, taralhões... uns no inverno, uns no verão, alguns apenas de passagem na migração e outros todo o ano. Para quem quiser andar de "olhos abertos", há sempre um espectáculo colorido para ver.

 

Periquito-comum (Melopsittacus undulatus)Periquito-comum (Melopsittacus undulatus) (25-02-2017)

E uma das mais coloridas aves que por ali costumavam andar era esta pequena periquita, escapada de alguma gaiola. Observei-a durante uns dois anos, até que deixei de a ver. Qual terá sido o seu destino?

Outras aves menos exuberantes vivem por ali as suas vidas calmas. A maioria de nós não olha duas vezes para um pombo-doméstico ou para uma rola-turca, mas não deixam de ter a sua beleza...

Rola-turca (Streptopelia decaocto) (15-11-2016)Pombo-das-rochas-doméstico (Columba livia) (19-10-2016)

 

Há no entanto aves que, apesar de comuns, não passam despercebidas. O rabirruivo-preto é uma dessas aves, pelo descaramento com que se aproxima de nós humanos, chegando mesmo a reclamar para si partes das nossas casas... esta ave tem o hábito de se aproveitar de recantos, caixas de estores, buracos nas paredes, ou qualquer zona nas nossas casas que lhe possa servir de suporte para o ninho. O que talvez algumas pessoas não saibam é que este passarinho tem um "primo" que nos visita raras vezes, quando em migração para África. O rabirruivo-de-testa-branca foi uma das maiores surpresas que já encontrei na Marialva.

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus) (04-11-2017)Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros) (01-04-2017)

 

Mas a maior surpresa foi outra. Duas aves das terras nórdicas que resolveram descer pela Península Ibérica e vir passar uns dias à Quinta da Marialva. Esta foi a única vez que observei esta espécie que é, para mim, o mais bonito dos tordos que ocorrem no nosso território:

Tordo-zornal (Turdus pilaris)

Tordo-zornal (Turdus pilaris)Tordo-zornal (Turdus pilaris) (26-11-2016)

 

Claro que há muito mais do que apenas aves naquele parque. A vegetação que cobre e circunda a vala, bem como algumas plantas por ali espalhadas e até a própria relva abrigam uma quantidade apreciável de pequenas criaturas.

Longicórnio (Cerambyx welensii)

Longicórnio (Cerambyx welensii) (10-06-2017)

 

Entre escaravelhos, caracóis, moscas, abelhas, aranhas, gafanhotos, vespas, cigarras, libelinhas, borboletas e mariposas, muitos outros invertebrados podem ser observados literalmente debaixo dos nossos pés, alguns deles bastante bem camuflados. Tenham cuidado com o que pisam...

Cigarrinha-verde (Cicadella viridis) (01-11-2020)Tira-olhos-menor (Anax parthenope) (26-09-2020)Mosca (Thereva sp.) (15-03-2020)Gorgulho (Lixus pulverulentus) (15-03-2020)Libelinha-anã (Ischnura pumilio) (13-03-2020)Abelhão-terrestre (Bombus terrestris) (13-03-2020)Axadrezada-comum (Carcharodus tripolina) (13-03-2020)Saltão-verde-maior (Tettigonia viridissima) (13-03-2020)Borboleta-da-couve (Pieris brassicae) (13-03-2020)Carochinha (Chrysolina bankii) (13-03-2020)Cigarrinha (Cercopis intermedia) (13-03-2020)Gafanhoto-ocre (Calliptamus barbarus) (04-08-2019)Vespa (Philanthus sp.) (04-08-2019)Cigarra-comum (Cicada orni) (04-08-2019)Libélula-de-nervuras-vermelhas (Sympetrum fonscolombii) (04-08-2019)Iscnura-Ibero-Magrebina (Ischnura graellsii) (21-07-2019)Mosca-das-flores (Paragus quadrifasciatus) (21-07-2019)Percevejo (Eurydema ornata) (21-07-2019)Mosca-das-flores (Eristalinus aeneus) (21-07-2019)Abelha (Halictus scabiosae) (21-07-2019)Mosca-das-flores (Eupeodes corollae) (21-07-2019)Gafanhoto (Calliptamus sp.) (21-07-2019)Mosca-das-flores (Sphaerophoria sp.) (21-07-2019)Vespa-do-papel-europeia (Polistes dominula) (21-07-2019)Mosca (Família Sarcophagidae) (21-07-2019)Mosca (Coenosia tigrina) (21-07-2019)Y-de-prata (Autographa gamma) (15-03-2020)Azul-comum (Polyommatus icarus) (21-07-2019)

 

Obviamente, onde há insectos, há os que se alimentam deles. Não é difícil encontrar por ali alguns répteis e anfíbios, como lagartos, rãs, osgas e até serpentes.

Lagartixa-verde (Podarcis virescens)Lagartixa-verde (Podarcis virescens) (28-02-2017)

Rã-verde (Pelophylax perezi) (26-09-2020)Osga-comum (Tarentola mauritanica) (28-02-2017)

 

Mesmo os locais que entendemos como "nossos" são inevitavelmente refúgio de muitas outras criaturas. Por muito que tenhamos a tendência de nos consideramos o centro do universo, devemos aprender a conviver com elas e a respeitá-las, pois todas têm um papel a cumprir na ordem natural das coisas. Se o conseguirmos, facilmente chegaremos à conclusão que, na verdade, cabemos cá todos...

05
Mar21

Onde observar: Seixal - Santa Marta do Pinhal

O concelho do Seixal tem alguns locais com excelentes condições para a Observação de Natureza, principalmente ao nível da avifauna. Desde que tomei residência no concelho, tenho vindo a explorar alguns destes locais com o intuito de ir registando e inventariando a biodiversidade que por aqui encontro. O resultado dos meus esforços, bem como dos esforços de muitas outras pessoas, pode ser verificado num projecto na plataforma iNaturalist, que já conta com mais de 8000 observações de 1344 espécies, registadas por mais de 150 observadores:

https://www.inaturalist.org/projects/biodiversidade-do-seixal

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Santa Marta do Pinhal pertence à freguesia de Corroios e é um pequeno centro urbano composto maioritariamente por edifícios multi-familiares e por uma zona industrial. É limitado a Norte e a Este pela autoestrada nº 2, a Oeste por Vale Milhaços e a Sul por uma zona de antigos areeiros, hoje colonizados por matos e pinhal.

Vespa (Chrysura rufiventris)Vespa (Chrysura rufiventris) (26-04-2020)

O bairro dispõe de um jardim central relvado (com algumas árvores de médio/grande porte) que, por ser pensado exclusivamente para o lazer humano, é relativamente insípido no que toca a biodiversidade. Ainda assim, como muitos animais já se adaptaram a viver em meios antropogénicos, podemos encontrar vida um pouco por todo lado. Rolas-turcas (Streptopelia decaocto), melros (Turdus merula), rabirruivos-pretos (Phoenicurus ochruros), pintassilgos (Carduelis carduelis) e até os exóticos mainás-de-crista (Acridotheres cristatellus) coexistem por ali com os humanos e as suas barulhentas crias...

Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros)Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros) (11-05-2019)

 

No entanto o maior valor natural desta zona encontra-se na área a sul, onde antes existiam os areeiros. O abandono a que esses locais foram votados permitiu que a natureza se desenvolvesse e por ali podemos encontrar interessantes exemplos de vida animal e vegetal, dependendo da estação do ano.

Apesar do tipo de vegetação não ser exuberante nem propício a uma enorme diversidade de aves, é ainda assim possível observar várias espécies, como o pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major), a águia-d'asa-redonda (Buteo buteo), o abelharuco (Merops apiaster), a milheirinha (Serinus serinus), o verdilhão (Chloris chloris) ou o rouxinol (Luscinia megarhynchos), entre várias outras.

Milheirinha (Serinus serinus) (24-03-2020)Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo) Santa Marta (14-02-2021)Alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea) (14-02-2021)Estorninho-preto (Sturnus unicolor) (01-12-2020)Cotovia-de-poupa (Galerida cristata) (02-05-2020)Rouxinol (Luscinia megarhynchos) (25-04-2020)Melro-preto (Turdus merula) (23-04-2020)Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus) (26-03-2020)Juvenil de cartaxo-comum (Saxicola rubicola) (26-03-2020)Bico-de-lacre (Estrilda astrild) (24-03-2020)Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis) (24-03-2020)Verdilhão (Chloris chloris) (22-03-2020)

 

Entre as espécies vegetais que podemos observar na zona, encontram-se as minhas flores preferidas... orquídeas selvagens. Até hoje encontrei quatro espécies de orquídeas nos arredores de santa Marta: a erva-do-salepo (Anacamptis coriophora fragrans), a erva-língua-constricta (Serapias strictiflora), a erva-língua-menor (Serapias parviflora) e a abelheira (Ophrys apifera). Infelizmente, não deveremos voltar a ver algumas destas plantas, pois o habitat onde floresceram o ano passado foi soterrado pelas movimentações de terras junto ao novo complexo desportivo de Santa Marta. O desenvolvimento urbanístico pode proporcionar-nos comodidades e melhores condições de vida, mas cobra o seu preço...

Erva-do-salepo (Anacamptis coriophora ssp. fragrans)

Erva-do-salepo (Anacamptis coriophora fragrans) (25-04-2020)

Erva-língua-constricta (Serapias strictiflora) (26-04-2020)Erva-língua-menor (Serapias parviflora) (26-04-2020)

Abelheira (Ophrys apifera)Abelheira (Ophrys apifera) (24-04-2020)

 

Para delícia de alguns e arrepios de outros, facilmente encontraremos na zona uma variedade de espécies de répteis e anfíbios. Em Santa Marta já pude observar duas espécies de serpentes, duas espécies de sapos, uma salamandra e cinco espécies de lagartos. Infelizmente não os consegui fotografar a todos...

Sapo-corredor (Epidalea calamita)Sapo-corredor (Epidalea calamita) (30-04-2020)

Ovos de sapo-comum (Bufo spinosus) (13-02-2021)Osga-comum (Tarentola mauritanica) (13-02-2021)Larva de salamandra-de-fogo (Salamandra salamandra) (13-02-2021)Lagartixa-do-mato (Psammodromus algirus) (03-04-2020)Lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus) (03-04-2020)Lagartixa-verde (Podarcis virescens) (22-03-2020)

 

Até mamíferos selvagens como o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) ou o sacarrabos (Herpestes ichneumon) convivem connosco de uma forma muito mais próxima do que imaginamos. Quantas vezes teremos passado por um deles, escondido nas ervas, a poucos metros dos nossos pés?

Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus)Coelho-Bravo (Oryctolagus cuniculus) (22-03-2020)

 

E mesmo essa vegetação que os protege dos nossos olhos esconde muito mais do uns bichos e umas orquídeas... há surpresas muito agradáveis no coberto vegetal desta zona. É verdadeiramente fantástica a panóplia de cores e a miríade de formas que podemos observar, se caminharmos com atenção.

Cila-de-uma-folha (Scilla monophyllos) (13-02-2021)Papiro (Cyperus sp.) (03-06-2020)Suspiro-roxos-dos-jardins (Sixalix atropurpurea) (03-06-2020)Trevo (Vicia tetrasperma) (01-05-2020)Queiró (Erica umbellata) (01-05-2020)(Sesamoides spathulifolia) (01-05-2020)Tojo (Ulex sp.) (01-05-2020)Giesta-dos-jardins (Spartium junceum) (01-05-2020)Genciana-da-praia (Centaurium maritimum) (01-05-2020)Cebola-abrótea (Asphodelus ramosus) (30-04-2020)Trevo-de-folhas-estreitas (Trifolium angustifolium) (30-04-2020)Unha-de-gata (Ononis sp.) (30-04-2020)Tomilho (Thymus villosus) (26-04-2020)Língua-de-vaca-ondeada (Anchusa undulata) (26-04-2020)Trevo-amarelo (Trifolium campestre) (26-04-2020)Tripa-de-ovelha (Andryala integrifolia) (26-04-2020)Bela-manhã (Convolvulus tricolor tricolor) (25-04-2020)Focinho-de-rato (Misopates orontium) (25-04-2020)Murta (Myrtus communis) (24-04-2020)Ervilha-de-cheiro (Lathyrus odoratus) (24-04-2020)Rúcula (Eruca vesicaria) (24-04-2020)Mostardeira-branca (Sinapis alba) (24-04-2020)Erva-cidreira-brasileira (Lippia alba) (24-04-2020)Ervilhaca-peluda (Vicia villosa) (24-04-2020)Tintureira (Phytolacca heterotepala) (24-04-2020)Erva-toira (Orobanche crenata) (24-04-2020)Trevo-de-flores-reviradas (Trifolium resupinatum) (23-04-2020)Chícharo-bravo (Lathyrus cicera) (23-04-2020)Língua-de-cão (Cynoglossum creticum) (23-04-2020)Centáurea (Centaurium sp.) (23-04-2020)Margarida-do-monte (Bellis sylvestris) (23-04-2020)Calças-de-cuco (Gladiolus italicus) (23-04-2020)Ervilhaca-de-Bengala (Vicia benghalensis) (19-04-2020)Língua-de-ovelha (Plantago lagopus) (19-04-2020)Charuteira (Nicotiana glauca) (19-04-2020)Cornichão (Lotus sp.) (19-04-2020)Trevo-betuminoso (Bituminaria bituminosa) (19-04-2020)Arenária (Spergularia rubra) (19-04-2020)Esteva (Cistus ladanifer) (26-03-2020)Flor-de-ouro (Bellardia trixago) (22-03-2020)Fumária-dos-campos (Fumaria agraria) (22-03-2020)Ervilhaca-dos-campos (Lathyrus ochrus) (22-03-2020)Calcitrapa (Centranthus calcitrapae) (22-03-2020)Borragem (Borago officinalis) (22-03-2020)

 

Entre esta área mais verde e a zona urbanizada propriamente dita podem ser observadas centenas de espécies de invertebrados... até mesmo dentro de casa. Alguns destes animais serão mais agradáveis à vista do que outros, mas todos têm o seu papel nos ecossistemas que nos rodeiam. 

Mosquito (Nephrotoma sp.) (13-02-2021)Besouro-tigre-verde (Cicindela campestris) (13-02-2021)Aranha-tenaz (Dysdera crocata) (13-02-2021)Barata-americana (Periplaneta americana) (09-08-2020)Formiga-carrilheira (Messor barbarus) (01-05-2020)Mosca-abelha (Villa sp.) (01-05-2020)Gafanhoto‑de‑cabeça‑cónica (Pyrgomorpha conica) (01-05-2020)Borboleta-das-sardinheiras (Cacyreus marshalli) (01-05-2020)Mosca (Lomatia sp.) (30-04-2020)Besouro-tigre (Cicindela maroccana) (30-04-2020)Longicórnio (Pseudovadonia livida) (30-04-2020)Gorgulho (Mycterus curculioides) Santa Marta (25-04-2020)Escaravelho (Rhagonycha fulva) (24-04-2020)Mosca (Bombylella atra) (24-04-2020)Aranha (Mangora acalypha) (24-04-2020)Mariposa (Acontia lucida) (24-04-2020)Grilo (Eumodicogryllus bordigalensis) (24-04-2020)Percevejo-do-funcho (Graphosoma italicum) (24-04-2020)
Escaravelho (Hymenoplia sp.) (24-04-2020)Centopeia-castanha (Lithobius forficatus) (24-04-2020)
Escaravelho (Stenopterus mauritanicus) (24-04-2020)Escaravelho (Cardiophorus signatus) (24-04-2020)Saltão-verde-maior (Tettigonia viridissima) (23-04-2020)Mariposa (Coscinia chrysocephala) (23-04-2020)Longicórnio (Calamobius filum) (23-04-2020)Mosca (Empis tessellata) (23-04-2020)Pirilampo-lusitânico (Luciola lusitanica) (23-04-2020)Formiga-carpinteira (Camponotus sp.) (23-04-2020)Besouro-tigre (Lophyra flexuosa flexuosa) (23-04-2020)Caracol (Oestophora barbella) (23-04-2020)Escaravelho (Anthaxia parallela) (23-04-2020)Percevejo (Gonocerus insidiator) (23-04-2020)Bicha-cadela (Forficula auricularia) (20-04-2020)Tatuzinho-comum (Armadillidium vulgare) (20-04-2020)Caracoleta (Cornu aspersum) (20-04-2020)Ralo-das-vinhas (Gryllotalpa vineae) (19-04-2020)Aranha-caranguejo (Xysticus sp.) (19-04-2020)Mosca (Tachina magnicornis) (19-04-2020)Abelha-carpinteira-europeia (Xylocopa violacea) (19-04-2020)Percevejo (Eurygaster austriaca) (19-04-2020)Libélula-de-nervuras-vermelhas (Sympetrum fonscolombii) (18-04-2020)Percevejo (Coreus marginatus) (18-04-2020)Mosca-das-flores (Sphaerophoria scripta) (18-04-2020)Aranha-florícola-de-tubérculos (Thomisus onustus) (18-04-2020)Douradinha-do-arco (Thymelicus acteon) (18-04-2020)Aranha-Caranguejo-de-Napoleão (Synema globosum) (18-04-2020)Escaravelho (Oedemera simplex) (11-04-2020)Percevejo-da-tília (Pyrrhocoris apterus) (18-04-2020)Milípede-português (Ommatoiulus moreleti) (18-04-2020)Bicho-de-conta (Porcellionides sexfasciatus) (18-04-2020)Percevejo (Closterotomus norwegicus) (18-04-2020)Caracol-das-tascas (Theba pisana) (18-04-2020)Mosca-de-banheiro (Clogmia albipunctata) (13-04-2020)Percevejo (Enoplops scapha) (11-04-2020)Percevejo (Centrocoris variegatus) (11-04-2020)Mosca-das-flores (Sphaerophoria scripta) (11-04-2020)Percevejo-mediterrânico (Carpocoris mediterraneus) (11-04-2020)Mariposa-mede-palmos (Eupithecia centaureata) (11-04-2020)Mosquito (subfamília Dolichopodinae) (11-04-2020)Jaquetão-das-flores-mediterrânico (Oxythyrea funesta) (11-04-2020)Mariposa-pluma (Crombrugghia laetus) (10-04-2020)Mariposa (Udea ferrugalis)(10-04-2020)Longicórnio (Agapanthia suturalis) (10-04-2020)Aranha-lince (Oxyopes sp.) (03-04-2020)Azul-comum (Polyommatus icarus) Santa Marta (03-04-2020)Besouro-do-cesto (Lachnaia tristigma) Santa Marta (03-04-2020)Cramera (Aricia cramera) (03-04-2020)Abelhão-terrestre (Bombus terrestris) (03-04-2020)Semente-de-lima (Oxycarenus lavaterae) (03-04-2020)Mosca-verde (Lucilia sp.) (26-03-2020)Bicho-de-conta (Armadillo officinalis) (26-03-2020)Abelha-melífera-ibérica (Apis mellifera iberiensis) (26-03-2020)Longicórnio (Agapanthia cardui) (22-03-2020)Borboleta-cauda-de-andorinha (Papilio machaon) (24-03-2020)Carochinha (Chrysolina bankii) (24-03-2020)Mariposa-mede-palmos (família Geometridae) (24-03-2020)Lagarta de mariposa (subfamília Arctiinae) (23-03-2020)Rubi (Callophrys rubi) (23-03-2020)Maravilha (Colias croceus) (23-03-2020)Ariana (Pararge aegeria) (22-03-2020)Longicórnio (Agapanthia cardui) (22-03-2020)Y-de-prata (Autographa gamma) (22-03-2020)Escaravelho (Oedemera flavipes) (22-03-2020)Mosca (Chrysotoxum sp.) (22-03-2020)Almirante-vermelho (Vanessa atalanta) (22-03-2020)Gorgulho (Lixus pulverulentus) (22-03-2020)Mosca (Conophorus sp.) (22-03-2020)Processionária-do-pinheiro (Thaumetopoea pityocampa) (01-09-2019)

 

Até nos sítios mais insuspeitos podemos encontrar pequenas maravilhas, basta andarmos com atenção à natureza que nos rodeia. Da próxima vez que sair para um "passeio higiénico", esteja atento(a). 

09
Fev21

SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves

Fundada em 25 de Novembro de 1993, a SPEA começou por ser uma pequena associação dedicada à observação e ao estudo das aves. Desde então cresceu bastante e hoje é uma das maiores organizações não-governamentais de ambiente do país, tendo já dinamizado vários projectos LIFE, entre outros projectos de conservação.

A SPEA, parceiro português da BirdLife International, leva a cabo também vários projectos de monitorização de aves, nomeadamente censos como o CAC - Censo de Aves Comuns, as contagens RAM ou o Atlas de Aves Nidificantes, entre outros.

Tal como para a maioria de nós, este ano e o anterior têm sido especialmente duros para esta organização. Tendo o prazer de conhecer de perto alguns destes projectos e algumas das pessoas que ali trabalham, venho lançar-vos um apelo:

Associem-se a quem tanto faz pela Natureza que nos acolhe a todos e contribuam activamente para um futuro mais sustentável. Caso tenham interesse, podem saber como fazê-lo aqui.

Torne-se Sócio

 

Aqueles que não tenham interesse ou possibilidade de se associar, têm outras formas de contribuir, como a consignação de 0,5% do seu IRS.

Esta forma não tem quaisquer custos para o contribuinte, nem implica uma redução no reembolso do IRS. Simplesmente, 0,5% do IRS devido ao estado é entregue à instituição escolhida por nós. Quem não conhece este procedimento pode tirar dúvidas neste excelente artigo.

Consignação IRS

 

Contribuam e ajudem a dar voz à Natureza.

 

11
Out20

Vamos contar periquitos?

CENSO NACIONAL DE PERIQUITO-DE-COLAR (Psittacula krameri)

 

"O periquito-de-colar ou periquito-rabijunco (Psittacula krameri) é uma espécie originária dos continentes asiático e africano, mas que ocorre atualmente em inúmeras cidades do continente europeu. Estas populações, com origem provável em fugas de cativeiro, encontraram alimento, refúgio e locais adequados para nidificar nas áreas verdes dos grandes centros urbanos. Esta espécie exótica possui algumas das características típicas das espécies invasoras (boa capacidade de adaptação, reprodução rápida, agressividade) e nalguns locais onde já está estabelecida pode mesmo afetar as espécies nativas, ao competir por alimento ou locais de nidificação. É uma espécie gregária e muito social, que nidifica em buracos de árvores e que usa de forma regular dormitórios comunais, que podem reunir desde algumas aves até muitas centenas de indivíduos. De forma relativamente previsível, as aves tendem a retornar ao seu dormitório ao final do dia. Assim, a contagem nos dormitórios é o método habitual de censo da espécie."

Periquito-de-colar (Psittacula krameri) Quinta das Conchas (01-05-2018) (8).JPG

Periquito-de-colar (Psittacula krameri) Quinta das Conchas - Lisboa (01-05-2018)

 

Como o conhecimento é o primeiro passo para a conservação, a SPEA vai realizar um censo destas aves, para que possamos ter a real noção do estado das suas populações e do risco a que estas possam estar a submeter as nossas espécies autóctones. 

Numa 1ª fase vamos tentar identificar os dormitórios destas aves (Out/Nov/Dez 2020) e na 2ª fase vamos proceder à contagem do número de indivíduos (Nov 2021). Todos aqueles que tenham interesse em colaborar são bem-vindos, bastando para isso que saibam identificar a espécie.

Periquito-de-colar (Psittacula krameri) Parque Bensaúde (27-01-2019) (2).JPG

Periquito-de-colar (Psittacula krameri) Parque Bensaúde - Lisboa (27-01-2019)

 

Vou ser coordenador regional voluntário para os concelhos de Almada e Seixal, portanto, caso queiram participar (em qualquer ponto do país) e tenham dúvidas de como o fazer, estejam à vontade para me questionar através da caixa de comentários ou por e-mail. Terei todo o gosto em esclarecer ou encaminhar as vossas questões.

Vamos contar periquitos?

07
Ago20

Artigo: Todo o equipamento que necessita para observar aves na cidade

Imagem retirada do filme "The Big Year"

 

Hoje, deparei-me com este artigo. Sob o título "Todo o equipamento que necessita para observar aves na cidade", o autor fala de como esta crise sanitária trouxe uma - em certos casos radical - mudança de hábitos e de como, após uma saída de campo com um grupo organizado, se apercebeu de que a observação de aves é uma alternativa às nossas antigas rotinas. E, importante para não "assustar" os mais urbanos, esta actividade de crescente popularidade pode ser até ser levada a cabo na cidade. Como este é um hobbie que beneficia com algum equipamento específico, eles dão umas dicas sobre esse assunto. Achei ambos os artigos interessantes e recomendo a sua leitura.

Já anteriormente me referi à possibilidade de observar aves na cidade, aqui e aqui... mas, embora até  tenha também falado um pouco sobre guias de campo, nunca fiz grandes referências ao restante material necessário.

 

Seria interessante que escrevesse umas linhas sobre equipamento recomendado, eventualmente com dicas específicas sobre marcas, modelos e preços, ou o artigo da Hypebeast é suficiente?

02
Mar20

Uma andorinha não faz a primavera

A origem do ditado que dá nome a este 'poste' - em latim "una hirundo non facit ver" - remonta a Aristóteles (348 a.C. - 322 a.C.) e tem como base uma simples, mas importante lição de vida: nunca devemos tomar o todo por uma das suas partes.

No que diz respeito às andorinhas, é óbvio que a observação de uma destas pequenas aves em janeiro ou fevereiro não significa que chegou a estação das flores. Mas... e se observarmos várias? Não é suposto chegarem apenas na primavera? "São as alterações climáticas", é a resposta mais provável nos dia que correm. A verdade é que, independentemente da ocorrência destas alterações, é normal que as andorinhas comecem a chegar em janeiro. Algumas espécies até passam todo o inverno por cá, em certas regiões do país. 

Mas, afinal as andorinhas não são todas iguais? Que espécies ocorrem em Portugal?

 

Andorinha-dáurica (Cecropis daurica) Cercal do Alentejo (25-03-2016) (3).JPGAndorinha-dáurica (Cecropis daurica) Cercal do Alentejo, Santiago do Cacém (25-03-2016)

Em expansão desde há uns anos, a bonita andorinha-daurica tem-se tornado cada vez mais comum no nosso país, sendo geralmente observada por cá entre março e outubro. Nidifica principalmente debaixo de pontes e viadutos, construindo o ninho em forma de taça fechada, com um longo túnel de acesso. As partes inferiores e o uropígio de cor arruivada permitem distingui-la com alguma facilidade das restantes andorinhas.

 

Andorinha-das-barreiras (Riparia riparia) Corroios (03-04-2017) (12).JPGAndorinha-das-barreiras (Riparia riparia) Corroios, Seixal (03-04-2017)

Tal como o seu nome indicia, as andorinhas-das-barreiras constroem as suas colónias de nidificação em barreiras arenosas, onde escavam os pequenos buracos que lhes vão servir de ninho. Castanha nas partes superiores, apresenta o ventre e garganta de um branco sujo, com uma banda castanha a atravessar o peito. Podem ser observadas geralmente desde meados de fevereiro até setembro, altura em que migram para regiões mais austrais. 

 

Andorinha-das-Chaminés (Hirundo rustica) Marialva (01-04-2017).JPGAndorinha-das-Chaminés (Hirundo rustica) Corroios, Seixal (01-04-2017)

Esta é uma das espécies de andorinhas mais comuns em Portugal e provavelmente a mais emblemática. Sendo uma ave bastante urbana, é natural que seja também uma das mais facilmente reconhecíveis, com a sua barriga clara, a mancha avermelhada na garganta e a sua típica "cauda de andorinha" com as longas rectrizes externas. Os seus ninhos em forma de taça aberta, podem ser avistados isolados ou em pequenas colónias nas fachadas dos nossos prédios e casas, permitindo-nos muitas vezes observar os rituais diários da criação dos pequenos juvenis. A andorinha-das-chaminés é das primeiras aves estivais a regressar ao nosso país - sendo geralmente possível observar os primeiros indivíduos logo no início de janeiro - regressando a África nos finais de outubro. 

 

Andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris) Alegrete (08-06-2019) (5).JPGAndorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris) Alegrete, Portalegre (08-06-2019)

Sem ser abundante a nível nacional, a andorinha-das-rochas é bastante mais comum no interior do país, na época de nidificação. Chegado o inverno, é também possível encontrar dormitórios de várias dezenas de indivíduos nalgumas falésias costeiras e até em edifícios, na metade sul do território. É totalmente castanha, com um tom mais claro na zona inferior do corpo. Apresenta uma cauda quadrada que, quando aberta, revela algumas pintas brancas conspícuas.

Os seus ninhos encontram-se geralmente isolados ou em colónias de pequenas dimensões e apresentam um formato de taça aberta, semelhante aos das andorinhas-das-chaminés, mas são construídos em anfractuosidades rochosas. Em certas regiões, é possível observá-las a nidificar também em zonas urbanas, sob as varandas das edificações.

 

Andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum) Parque Bem-saúde (13-05-2017) (2).JPGAndorinha-dos-beirais (Delichon urbicum) Parque Bem-saúde, Lisboa (13-05-2017)

É a mais urbana das nossas andorinhas. A distribuição da andorinha-dos-beirais abrange a maioria do território, com especial incidência nas zonas de maior ocupação humana. Tem a cauda ligeiramente bifurcada, o dorso e asas escuros e a zona inferior totalmente branca (o que, em algumas regiões, lhe granjeou o nome de papalvo). Geralmente forma colónias de nidificação que podem atingir dimensões bastante consideráveis, construindo estruturas que podem chegar a ter vários níveis de ninhos. Estes ninhos apresentam um formato de taça fechada, apenas com um pequeno buraco como entrada. O maior número de efectivos chega a partir de fevereiro e permanecem no nosso território até finais do verão, altura em que é possível observar bandos de grandes dimensões, quando se preparam para migrar. 

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A chamada 'sabedoria popular' é desenvolvida e propagada entre gerações numa base de conhecimento empírico, reconhecendo-se-lhe quase sempre um fundo de verdade subjacente. Ainda assim, é a visão científica que tantas vezes vem trazer luz sobre as situações descritas nos provérbios, explicando a sua  razão de ser. E, embora a ciência já tenha negado por completo alguns destes ditados, tal facto não invalida todo o restante conhecimento popular... afinal, "não é por morrer uma andorinha que acaba a primavera".

20
Jan20

O fantástico brilho de um azul incolor

As sensações que obtemos do mundo ao nosso redor dependem em grande medida da forma como cada um o percepciona, pois todos temos uma relação muito própria com os nossos sentidos. Apesar de se poder dizer que são os odores que deixam as impressões mais duradouras, para a maioria das pessoas a visão é o sentido que rege a sua interacção com o meio. Como tal, mais do que aromas ou sons, são as formas intrincadas e as cores vivas que com maior facilidade conseguem atrair e dirigir a nossa atenção.

Um caso paradigmático é aquele pequeno grito de surpresa que involuntariamente se liberta da garganta ao ver passar um cintilante guarda-rios, numa exclamação de assombro e deslumbre perante a perfeição desta pintura viva.

Guarda-rios (Alcedo atthis) EILP (08-10-2016) (15).JPG

Guarda-rios (Alcedo atthisEspaço Interpretativo da Lagoa Pequena (08-10-2016)

 

Como é que esta ave de aspecto exótico consegue apresentar uma paleta de cores tão garrida? Bem, o laranja no peito é resultado da presença de pequenos grânulos de pigmento nas penas, mas e o azul? Aqui o caso muda de figura... o guarda-rios, tal como a maioria dos vertebrados, é incapaz de produzir pigmentação azul. Na verdade, as suas penas de tons azuis e ciano não contêm quaisquer pigmentos, são compostas por um material incolor. 

Guarda-rios (Alcedo atthis) EILP (23-10-2016) (1).JPG

Guarda-rios (Alcedo atthisEspaço Interpretativo da Lagoa Pequena (23-10-2016)

 

Este material, estruturado de forma muito complexa, interage com a luz de forma a optimizar a reflexão do comprimento de onda do azul. Diferenças mínimas no arranjo estrutural produzem pequenas variações nos tons da cor (Wilts et al. 2011), causando um efeito de semi-iridescência, o "brilho" tão característico desta ave. 

Este fenómeno, designado por "cor estrutural" tem vindo a ser estudado por equipas multidisciplinares de cientistas, numa tentativa de replicar o processo por forma a podermos dispor de materiais coloridos sem recorrer à utilização de pigmentos tóxicos.

Guarda-rios (Alcedo atthis) Lagoa da estacada (27-02-2016) (4).JPG

Guarda-rios (Alcedo atthisEspaço Interpretativo da Lagoa Pequena (27-02-2016)

 

Embora possa ser difícil imaginar como é que um material transparente consegue apresentar uma coloração tão forte aos nossos olhos, isto pode ser comparado ao efeito prismático que verificamos quando a luz branca, decomposta pelas gotas da chuva, dá origem a um arco-íris (Vignolini et al. 2012).

 

Entretanto, indiferentes a quaisquer considerações sobre a sua fisionomia, estes belos animais continuam a pescar nos nossos rios e lagos e a passar por nós a alta velocidade, deixando-nos enlevados, com um brilhozinho azul nos olhos...

Eu

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