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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

19
Set19

Livros de Bichos - Guias de Campo

Por várias vezes fui incitado a iniciar um blogue e há cerca de dois anos atrás decidi fazer a vontade a quem o sugeriu.

Depois de uma experiência pouco sucedida no blogger, uma amiga com mais experiência nestas andanças recomendou-me o SAPO, explicou-me o funcionamento básico e, assim que o bicho do mato ficou online, teve a simpatia de o "anunciar" à blogosfera no seu Ler por aí, insinuando que um dia talvez também eu começasse a falar de livros. Bem, hoje vou fazer-lhe a vontade (à minha maneira, obviamente).  

 

Para quem gosta de observar a natureza mas quer ir mais além na aquisição de conhecimentos, não basta passar muitas horas no campo... para compreender verdadeiramente aquilo que vemos, é preciso estudar um pouco. Felizmente, nos dias de hoje existem no mercado guias de campo que ajudam a identificar as espécies dos mais diversos grupos, em vários formatos e línguas. Existem também atlas com informação bio-geográfica, bem como livros que compilam as mais variadas informações sobre os animais e os seus comportamentos.

Sendo as aves o grupo de animais pelo qual nutro maior interesse, foi nele que fiz o maior investimento, tendo adquirido 3 guias de campo e vários outros livros ao longo dos últimos anos. Aos poucos, com a expansão do meu interesse aos répteis, invertebrados e mamíferos, tenho começado também a procurar literatura sobre estes grupos.

Hoje vou falar um pouco sobre alguns guias de campo que tenho na minha biblioteca.

 

Aves de Portugal, Helder Costa et al. - Lynx, 2ª edição (2018)

Dedicado exclusivamente ao território português, este é o guia que recomendo aos que desejam iniciar-se na observação de aves. Com tamanho e peso reduzidos, ilustrações esclarecedoras, descrições sumárias das características diagnosticantes de cada espécie e mapas de distribuição muito interessantes, este guia cumpre a sua função sem se tornar assustador aos olhos dos iniciados.

Este livro encontra-se à venda por cerca de 20€ na sede da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e no seu site: http://www.spea.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=620

Aves de Portugal

 

Guia de Aves, Lars Svenson et al. - Assírio e Alvim, 2ª edição (2012) 

Como o próprio nome indica, este é o guia de aves para Portugal e para a Europa. Com mais de 3500 ilustrações bastante precisas, ilustra as várias plumagens que podem ser apresentadas por cada espécie. As notas e descrições complementares chamam a atenção para os detalhes da fisionomia e/ou do comportamento que ajudam o observador a chegar a uma identificação.

Pode intimidar os iniciantes, devido ao grande volume de informação, mas é um guia imprescindível para aqueles que desejem embrenhar-se de forma mais séria no mundo da observação de aves.

A 3ª edição encontra-se à venda por 33€ na Wook, na Fnac ou em qualquer uma das grandes livrarias do país, podendo também ser adquirido nas instalações da SPEA ou no seu site:

 http://www.spea.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=566

Guia de Aves

 

Flight Identification of Raptors of Europe, North Africa and the Middle East, Dick Forsman - Bloomsbury Natural History (2016)

Dos meus guias de aves, este é o único que apresenta fotografias ao invés de ilustrações e é também o único em língua inglesa. Ainda assim, este fantástico livro do ornitólogo finlandês Dick Forsman é possivelmente o melhor guia para identificação de rapinas em voo. As excelentes fotografias mostram os diferentes detalhes de plumagem que podem ser apresentados pelas diversas espécies, bem como várias posições de voo em que podemos observar as aves no campo. Isto, em conjunto com as detalhadas descrições de pormenores fisionómicos e comportamentos, tornam este livro um "must have" para quem tenha um interesse específico em aves de rapina. 

À venda na wook por pouco mais de 50€, é um investimento que vale a pena fazer:

https://www.wook.pt/livro/raptors-of-the-western-palearctic-a-handbook-of-field-identification-2nd-edition-dick-forsman/15978358

Flight Identification of Raptors

 

Anfíbios e Répteis de Portugal, Ernestino Maravalhas & Albano Soares - Booky (2017)

Sem ser um guia de campo puro, mas apresentando alguns elementos de atlas, esta acaba por ser a publicação mais actualizada relativamente à taxonomia, bem como à distribuição deste grupo de animais no nosso país.

Pode ser adquirido por cerca de 20€ na loja virtual da Quercus ou na Naturfun:

http://loja.quercus.pt/pt/livraria/243-anfibios-e-repteis-de-portugal-.html

http://www.naturfun.pt/index.php?route=product/product&product_id=948

Anfíbios e Répteis de Portugal

 

Guia das Borboletas Comuns de Portugal Continental, Patrícia Garcia-Pereira et al. - Tagis (2019)

Este pequeno guia foi publicado no âmbito do projecto ABLE - Avaliar as Borboletas na Europa e compila as espécies de borboletas mais comuns no nosso país. Nele é explicado o projecto, bem como as metodologias utilizadas nas contagens. São também apresentadas, para cada espécie de borboletas, fotografias de asas abertas e em repouso, bem como de machos e fêmeas para os casos em que o dimorfismo sexual é relevante.

Ao que me é dado a conhecer, a publicação não se encontra à venda, mas o download pode ser efectuado gratuitamente no site da Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal:

http://www.tagis.pt/uploads/4/7/9/5/47950987/gbc.pdf

Borboletas Comuns de Portugal Continental

 

No futuro, haverá certamente oportunidade para apresentar outros tipos de Livros de Bichos.

08
Set19

Será que o tamanho é realmente importante?

É verdade que dá nas vistas e que impressiona... provavelmente chega mais fundo e quem sabe até o ajude a conseguir comer o que os outros não conseguem. Será correcto, no entanto, afirmar que o sucesso evolutivo desta ave pode depender de ter um grande bico?

 

Maçarico-real (Numenius arquata)

- Maçarico-real (Numenius arquata)
- Amora, Seixal (15-08-2016)

 

O maçarico-real apresenta um enorme e arqueado bico, com o qual se alimenta nos lodos das zonas inter-marés nos estuários. Embora seja sabido que a sua dieta consiste essencialmente de invertebrados, esta ainda está por estudar no nosso país (Catry et al. 2010). No entanto, outra ave muito semelhante coexiste nestes habitats estuarinos. O maçarico-galego é ligeiramente mais pequeno, tem as patas um pouco mais curtas e um bico menor, com uma curvatura um pouco diferente. Se os habitats são os mesmos, se a alimentação é bastante semelhante, qual terá sido o processo de especiação que levou ao crescimento do bico do maçarico-real? Porque terão os fenótipos destas duas aves do mesmo género divergido ao longo do tempo?

 

Maçarico-galego (Numenius phaeopus)

- Maçarico-galego (Numenius phaeopus)
- Baixa da Banheira, Moita (24-04-2016)

 

Será que o facto do N. arquata possuir um bico tão comprido representa uma vantagem relativamente aos seus "primos" N. phaeopus de bico mais curto? Aparentemente não, pois estes últimos parecem ser bem mais comuns no nosso país...

 

Talvez a importância do tamanho das coisas seja uma concepção humana pouco relevante na natureza, onde o que conta é a eficiência no cumprimento da função e não a sua imponência visual. Por outro lado temos exemplos como as hastes dos cervídeos... casos onde claramente o tamanho é um argumento importante para o sucesso dos indivíduos. Talvez nem a mãe natureza tenha uma resposta cabal para a eterna questão: Será que o tamanho é realmente importante?

 

[EN]

Is size really important?

 

It's true that it catches the eye and impresses... probably goes deeper and maybe even helps him to eat what others can't. Is it correct, however, to say that the evolutionary success of this bird may depend on having a huge bill?

Picture1 :

- Eurasian Curlew (Numenius arquata)

- Seixal - Portugal (15-08-2016)


The eurasian curlew has a huge arched bill, with which it feeds on the intertidal muds at the estuaries. Although it is known that their diet consists essentially of invertebrates, there is lack of studies on this matter in Portugal (Catry et al. 2010). However, another very similar bird coexists in these estuarine habitats. The whimbrel is slightly smaller, has slightly shorter legs and a smaller bill with a slightly different curvature. If the habitats are the same, if the feeding is quite similar, what could have been the speciation process that led to the growth of the curlew's bill? Why did the phenotypes of these two birds of the same gender diverged over time?

Picture 2:

- Whimbrel (Numenius phaeopus)

- Moita - Portugal (24-04-2016)


Is the fact that N. arquata has such a long bill an advantage over its shorter-billed N. phaeopus "cousins"? Apparently not, because the latter seem to be much more common in Portugal...


Perhaps the importance of the size of things is a human conception of little relevance in nature, where what counts is the efficiency in the fulfillment of the function and not its visual grandiosity. On the other hand we have examples like the deer antlers... cases where clearly size is an important argument for individual success. Perhaps not even Mother Nature has a complete answer to the eternal question: Is size really important?

02
Ago19

Agora vês-me, agora não...

Quantas vezes já tivemos uma qualquer ilusiva criatura extremamente próxima de nós, mas só demos por ela quando fugiu? O mimetismo é uma das estratégias de defesa (e até de ataque) mais utilizadas no mundo animal. Alguns imitam as cores e/ou formas do meio que os envolve, outros deslocam-se com extrema cautela e ficam imóveis horas a fio, há até aqueles que chegam mesmo a alterar as propriedades dos seus corpos consoante as necessidades.

Se a forma mais pura de elogio é a imitação, a cabal demonstração da efectividade destas tácticas de sobrevivência é a tentativa humana de replicá-las criando camuflagens com os mais variados padrões e até, nos dias que correm, as pesquisas direccionadas para a criação de fatos "camaleónicos"...

 

Garçote (Ixobrychus minutus)

- Garçote (Ixobrychus minutus) (juvenil)
- Sesimbra (16-07-2016)

 

Esta é uma das mais crípticas aves da nossa fauna e proporcionou-me um extremo gozo poder passar uma manhã a acompanhar os seus vagarozos movimentos e as suas tentativas de aprender a caçar.

 

Garçote (Ixobrychus minutus)

- Garçote (Ixobrychus minutus) (juvenil)

- Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (16-07-2016)

 

[EN]

Now you see me, now you don't

How many times have we had any illusive creature extremely close to us, but we only found it when it fled? Mimesis is one of the most widely used defense (and even attack) strategies in the animal world. Some animals imitate the colors and/or shapes of their surroundings, others move with extreme caution and remain motionless for hours, there are even those who even alter the properties of their bodies as needed.

If the purest form of praise is imitation, the full demonstration of the effectiveness of these survival tactics is the human attempt to replicate them by creating camouflages of the most varied patterns and even, nowadays, research aimed at creating "chameleon" suits...


This is one of the most cryptic birds in portuguese fauna and it has given me an extreme joy to be able to spend a morning following his slow movements and his attempts on learning how to hunt.

 

- Little Bittern (Ixobrychus minutus) (juvenile)

- Sesimbra - Portugal (16-07-2016)

24
Jun19

Visitantes transatlânticos

Todos os anos milhares de turistas visitam Portugal, vindos das mais diversas proveniências. Chegam em busca da nossa gastronomia, das belas e diversificadas paisagens, da história e cultura, das praias, do clima e claro, dos preços (ainda) bastante comportáveis para os habitantes da maioria dos países desenvolvidos. Em 2018 foram os ingleses que em maior número nos visitaram, seguidos por franceses, alemães e espanhóis. Apesar de andarem longe dos lugares cimeiros, o INE indicou que a afluência de visitantes transatlânticos tem vindo a aumentar (principalmente americanos e canadianos). No entanto, os humanos não são os únicos a cruzar o grande oceano que nos separa das Américas...  outros animais também vão aparecendo por cá.

 

Se alguns destes visitantes chegam ao nosso território por meios antropogénicos e bastas vezes permanecem, dando origem a populações invasoras mais ou menos auto-sustentáveis, há os que o fazem por meios próprios e que tendem a desaparecer tão rapidamente como apareceram.

 

Garça-verde (Butorides virescens)

- Garça-verde (Butorides virescens)

- Herdade da Aroeira - Almada (09-11-2018)

 

Apesar de não existirem registos desta ave no nosso país até 2018, muitos já conheciam a garça-verde através da divulgação de vídeos onde é vista a utilizar pedaços de pão como isco para capturar peixes. Cerca de dez dias após a tempestade Leslie atingir Portugal (13-10-2018), foi registada uma destas garças na Quinta do Lago (Loulé) e mais dez dias passados foi descoberta uma segunda ave na Herdade da Aroeira (Almada). Possivelmente terão chegado à nossa costa empurradas pela tempestade e imediatamente procuraram habitats favoráveis. A ave de Almada foi observada pela última vez no início de novembro do mesmo ano e a algarvia teve a última observação registada dia 08-04-2019. Que destino terão? Podemos apenas especular...

 

Falsa-tartaruga-de-mapa (Graptemys pseudogeographica)

- Falsa-tartaruga-de-mapa (Graptemys pseudogeographica)

- Herdade da Aroeira - Almada (01-05-2019)

 

O comércio de animais exóticos tem crescido nas últimas décadas, levando a que múltiplas espécies de "animais de estimação" existam hoje no nosso país, geralmente confinados a gaiolas, terrários ou aquários. Mas, quando um destes animais deixa de ser desejado (seja porque cresceu mais do que se esperava, porque dá muito trabalho, porque come muito, ou por qualquer outra razão), muitas vezes acabam por ser "libertados" na natureza. Estes são autênticos crimes ambientais que podem acarretar consequências devastadoras para a nossa biodiversidade autóctone.

 

Tartaruga-da-florida (Trachemys scripta elegans)

- Tartaruga-da-florida (Trachemys scripta elegans)

- Parque da Paz - Almada (07-04-2016)

 

Um caso paradigmático é o da libertação de várias espécies de tartarugas exóticas nos nossos cursos de água. Estes animais crescem mais e mais depressa que os nossos cágados-mediterrânicos (Mauremys leprosa) e cágados-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis), atingem a maturidade sexual mais cedo e procriam em maior quantidade. Todas estas vantagens competitivas estão a ter um impacto negativo nas espécies autóctones. 

 

Borboleta-monarca (Danaus plexippus)

- Borboleta-monarca (Danaus plexippus)

- Vila Nova de Milfontes (25-06-2016)

 

Muitos conhecidas pela espectacular migração que protagonizam na América do Norte, desconhece-se como é que as monarcas chegaram ao nosso país. Há quem afirme que podem ter voado até cá desde os arquipélagos da Madeira ou dos Açores (há muito que existem colónias nas regiões autónomas), outros insinuam que terão sido introduzidas pela mão humana. Tendo a sua presença começado a ser estudada apenas no início da década de 2000 no Algarve, o  certo é que aproveitando-se da existência de uma planta também ela exótica (Gomphocarpus fruticosus - pertencente à mesma família das plantas das quais as suas lagartas se alimentam no continente americano, a Asclepia curassavica), esta vistosa borboleta tem vindo a formar colónias mais para norte. Até onde poderá chegar? Trará com ela consequências para as nossas espécies autóctones? É algo a descobrir nos próximos anos.

 

Mergulhão-caçador (Podilymbus podiceps)

- Mergulhão-caçador (Podilymbus podiceps)

- Sesimbra (20-01-2018)

 

Já este caçador de pequenas dimensões foi avistado por cá apenas três vezes... aparentemente aves que chegaram a nós pelos seus próprios meios, tendo atravessado o atlântico para chegarem a uma terra onde se instalaram sós, apenas para desaparecerem ao fim de algum tempo sem que seja conhecido o seu destino. Terão partido? Terão fenecido? Ainda estarão entre nós, escondidos nalguma barragem no interior do país? Como sempre, muitas perguntas, poucas respostas...

 

 [EN]

Transatlantic visitors

 

Every year thousands of tourists visit Portugal, coming from many different origins. They come in search of our gastronomy, the beautiful and diversified landscapes, history and culture, beaches, climate and of course the (still) quite affordable prices. In 2018 were the English who in greater number visited us, followed by French, German and Spanish. Although far from the top, the influx of transatlantic visitors has been increasing (mainly from the United States and Canada). However, humans are not the only ones to cross the great ocean that separates us from the Americas... other animals also appear here.

 

If some of these visitors come to our territory by anthropogenic means and often remain, creating more or less self-sustaining invasive populations, there are those who do so by their own means and who tend to disappear as quickly as they appeared.

 

Picture 1

- Green Heron (Butorides virescens)

- Herdade da Aroeira - Almada (09-11-2018)

 

Although there are no records of this bird in our country until 2018, many already knew the green heron through the dissemination of videos where it is seen using pieces of bread as bait to catch fish. About ten days after the storm Leslie reached Portugal (13-10-2018), one of these herons was observed in Quinta do Lago (Loulé) and ten days later a second bird was discovered in Herdade da Aroeira (Almada). They possibly have reached our shores pushed by the storm and immediately sought favorable habitats. The Almada bird was last observed at the beginning of November of the same year and the Algarve one had the last observation registered on 08-04-2019. What destination will they have? We can only speculate...

 

Picture 2

- False Map Turtle (Graptemys pseudogeographica)

- Herdade da Aroeira - Almada (01-05-2019)

 

Exotic animal trade has grown in recent decades, leading to the existence of multiple species of "pets" in Portugal today, usually confined to cages, terrariums or aquariums. But when one of these animals ceases to be desired (either because it has grown more than expected, because it gives a lot of work, because it eats a lot, or for whatever other reason), it often ends up being "liberated" in nature. These are true environmental crimes that can have devastating consequences for our native biodiversity.

 

Picture 3

- Pond Slider (Trachemys scripta elegans)

- Parque da Paz - Almada (07-04-2016)

 

A paradigmatic case is the liberation of several species of exotic turtles in our waterways. These animals grow bigger and faster than our Mediterranean Pond Terrapin (Mauremys leprosa) and European Pond Terrapin (Emys orbicularis), they reach sexual maturity sooner and breed in greater numbers. All these competitive advantages are having a negative impact on native species.

 

Picture 4

- Monarch Butterfly (Danaus plexippus)

- Vila Nova de Milfontes (06-25-2016)

 

Well known by the spectacular migration that they carry out in North America, it is not known how the monarchs arrived to our country. There are those who claim that they may have flown here from the archipelagos of Madeira and Azores (there have long been colonies in these islands), others suggest that they must have been introduced by human hand. Although its presence began to be studied only in the beginning of the 2000s in Algarve, the fact is that they have takem advantage of the existence of an exotic plant (Gomphocarpus fruticosus - belonging to the same family of plants from which its caterpillars feed in the American continent, the Asclepia curassavica) and this flashy butterfly has been forming colonies more to the north. How far can they get? Will it have consequences for our native species? It's something to find out in the next few years.

 

Picture 5

- Pied-billed Grebe (Podilymbus podiceps)

- Sesimbra (01-20-2018)

 

This small hunter was only seen here three times... apparently birds who came to us by their own means, having crossed the Atlantic to reach a land where they settled alone, only to disappear after some time with unknown destiny. Did they leave? Are they deceased? Could they still be among us, hidden in some dam in the interior of the country? As always, many questions and few answers...

 

24
Fev19

A vida nas pedras

Pedras, rochas e Calhaus. A mera menção destas palavras transporta-nos mentalmente para ambientes áridos e estéreis onde a sobrevivência é improvável... Nada mais falso. Os diversos habitats rochosos que podem ser encontrados no nosso país estão repletos de vida e cor.

 

Nos esporões pedregosos das praias da frente atlântica de Almada, podemos encontrar várias espécies de aves, entre elas a rola-do-mar. Estas belas aves percorrem as pedras deixadas a descoberto pela baixa-mar em busca de invertebrados e pequenos caranguejos.  

 

Rola-do-mar (Arenaria interpres)

- Rola-do-mar (Arenaria interpres)

- Cova do Vapor - Almada (25-11-2016)

 

Aves, mamíferos, répteis, insectos, plantas... alguns utilizam as pedras como casa, outros como território de caça, zona de repouso ou meio de protecção. Seja como for, a vida adapta-se a todos os ambientes e encontra forma de prosperar. Até um calhau nu e molhado pode ser um precioso aliado para algum réptil em processo de termorregulação (os répteis são ectotérmicos, ou seja, necessitam de uma fonte externa de calor para regularem a sua temperatura corporal).

 

Embora os seus números aparentem estar a diminuir em favor da proliferação das exóticas tartarugas-da-florida, ainda vamos podendo encontrar, pelos nosso cursos de água, alguns cágados-mediterrânicos a tomar plácidos banhos de sol em cima de alguma pedra que se projecte um pouco fora do elemento líquido.

 

Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

- Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

- ZPE Castro Verde (11-06-2016)

 

Alguns animais especializam-se nestes habitats, onde passam toda a sua vida, chegando a um ponto em que isso os define e lhes confere identidade.

 

Este pequeníssimo passeriforme ocorre em escarpas e grandes paredes rochosas, tornando bastante difícil a sua localização. É nestas fragas que se alimenta, repousa e procria, o que lhe granjeou o nome de trepadeira-dos-muros ou trepa-fragas.

 

Trepadeira-dos-muros (Tichodroma muraria) Cabo Sardão (31-03-2018) (42b).JPG

- Trepa-fragas ou Trepadeira-dos-muros (Tichodroma muraria)

- Cabo Sardão - Odemira (31-03-2018)

 

E, se alguns bichos dominam por completo estes ambientes, calcorreando cada centímetro de pedra, investigando cada irregularidade, explorando cada anfractuosidade, outros há que apenas os conhecem superficialmente, utilizando estas estruturas como mero auxiliar para os seus afazeres do dia-a-dia.

 

Em cima de uma rocha saliente num dos muitos ribeiros de águas frias e límpidas que ainda hidratam o norte do país, encontramos vigilante um ser delicado, de cor iridescente. No centro do seu território, o macho de donzelinha aguarda a passagem de uma fêmea enquanto defende ameaçadoramente as suas fronteiras dos seus potenciais rivais. Em cima daquelas pedras desenrola-se o terrível - ainda que belo - jogo da vida.

 

Donzelinha (Calopteryx virgo)

- Donzelinha (Calopteryx virgo)

- Rio Caima - Vale de Cambra (08-09-2018)

 

Alguns animais há que, sem serem fiéis a estes biótopos, usufruem deles quando as circunstâncias assim o ditam.

 

Os pilritos-das-praias são mais conhecidos por serem observados a correr freneticamente pela areia, junto à linha de espuma do mar. O seu vai e vem quase pendular reflecte a cadência das ondas e marca o ritmo segundo o qual estas pequenas aves procuram na areia molhada os minúsculos invertebrados dos quais se alimentam. No entanto, na maré cheia podemos vê-los a repousar em grupo nos rochedos fora do alcance das águas. Da mesma forma, não é incomum vê-los a procurar alimento entre mesmas rochas na maré vazante. Na vida há que saber aproveitar as oportunidades e estes pequenos não deixam os seus créditos por mãos alheias... 

 

Pilrito-das-praias (Calidris alba)

- Pilrito-das-praias (Calidris alba)

- Cova do Vapor - Almada (28-01-2016)

 

[EN]

Life on the rocks

 

Stones, rocks and pebbles. The mere mention of these words mentally transports us to arid and barren environments where survival is unlikely... Well, thats not true at all. The various rocky habitats that can be found in Portugal are full of life and color.

 

In the stony spurs of the beaches of the Atlantic front of Almada, we can find several species of birds, among them the Ruddy Turnstone. These beautiful birds scour the rocks uncovered by the low tide in search of invertebrates and small crabs.

Picture 1

- Ruddy Turnstone (Arenaria interpres)

- Almada - Portugal (25-11-2016)

 

Birds, mammals, reptiles, insects, plants... some use rocks as housing, others as hunting territory, resting area or for protection. In any case, life adapts to all environments and finds a way to prosper. Even a bare and wet stone can be a precious ally to some reptile in thermoregulation process (reptiles are ectothermic as they require an external source of heat to regulate their body temperature).

 

Although their numbers seem to be diminishing in favor of the proliferation of exotic florida turtles, we can still find, through portuguese waterways, some mediterranean turtles placidly sunbathing on some stone.

Picture 2

- Mediterranean Turtle (Mauremys leprosa)

- Castro Verde - Portugal (11-06-2016)

 

Some animals specialize in these habitats, where they spend their entire lives, reaching the point where it defines them and provides them identity.

 

This small passeriform occurs on cliffs and large rocky walls, quite difficulting finding it. It is in these cliffs that it feeds, rests and breed, what earned him the name of Wallcreeper.

Picture 3

- Wallcreeper (Tichodroma muraria)

- Odemira - Portugal (31-03-2018)

 

And if some animals completely master these environments, knowing every inch of stone, investigating each irregularity, exploring each anfractuosity, others there are that just use these structures as mere auxiliaries to their day-to-day tasks.

 

On top of a protruding rock in one of the many cold and clear water brooks that still moisten the north of the country, we find a delicate being of iridescent color. In the center of its territory, the male demoiselle waits for a female to pass while threateningly defends its borders against its potential rivals. On top of these stones the terrible - though beautiful - game of life unfolded.

Picture 4

- Beautiful Demoiselle  (Calopteryx virgo)

- Vale de Cambra - Portugal (08-09-2018)


Some animals there are that, without being faithful to these biotopes, enjoy them when circumstances so dictates.

 

Sandpipers are best known for being seen running at the sand, along the sea foam line. Its almost pendular back and forth reflects the cadence of the waves and marks the rhythm by which these little birds seek out the tiny invertebrates from which they feed on the wet sand. However, at full tide we can see them resting in groups on the rocks, above the shore line. Likewise, it is not uncommon to see them searching for food among the same rocks in the ebb tide. In life you have to know how to take advantage of the opportunities and these little ones do not fall short...

Picture 5

- Sanderling (Calidris alba)

- Almada - Portugal (28-01-2016)

04
Fev19

Diz-me como te chamas, dir-te-ei quem és

A questão dos nomes das aves é uma "guerra antiga" em Portugal. Havendo quem defenda que o nome comum deve reflectir a taxonomia, há também quem julgue que deve ser seguida a nomenclatura vernacular que, habitualmente, é baseada nas características físicas ou comportamentais do animal em questão.

   Ora um dos argumentos dos defensores dos "nomes taxonómicos" é que, muitas vezes, não se conhecem as origens destas nomenclaturas populares, o que pode resultar em designações aparentemente pouco coerentes, estranhas ou até enganadoras. Entre os vários exemplos desta questão temos a Perdiz-do-mar e o Papa-ratos, que ninguém sabe bem a razão de serem chamados assim...

 

Pelo menos para mim, um destes mistérios ficou finalmente resolvido. 

 

Sempre ouvi críticas à designação desta ave... supostamente não havia registos de que ela realmente se alimentasse de ratos. Sendo esta a minha primeira observação da espécie, estive mais de meia hora relativamente perto do bicho, pude fotografá-lo, vê-lo a descansar um pouco, limpar as penas e fazer um pequeno voo para a outra margem da vala onde, após um breve momento de espera, capturou um "rato" (aparentemente era uma espécie de musaranho) que afogou antes de ingerir. Depois, como que "para empurrar", foi beber um golinho de água. Impossível ter certezas com base apenas numa observação, mas este fantástico comportamento talvez deixe uma pista para as origens populares do seu nome. Papa-ratos... nunca um nome fez, como naquele dia, tanto sentido.

 

Papa-ratos (Ardeola ralloides)

- Papa-ratos (Ardeola ralloides)
- Barroca d'Alva - Alcochete (17-12-2016)

 

Já estas pequenas limícolas não ocorrem propriamente no mar, apesar de gostarem de habitats húmidos. A sua garganta aparenta ter um "babete" creme debruado a preto que traz à memória as belas perdizes-vermelhas tão comuns no nosso território, o que torna fácil intuir as origens do seu nome vernáculo.

 

Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

- Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)
- Lezíria Grande - VFX (10-04-2016)

 

[EN]

Tell me your name, I'll tell you who you are.


The question of bird names is an "old war" in Portugal. If some argue that the common name should reflect the taxonomy, there are also those who think that the vernacular nomenclature (which is usually based on the physical or behavioral characteristics of the animal in question) should be followed.

   One of the defenders of "taxonomic names" arguments is that the origins of this popular nomenclatures are often unknown, which may result in apparently inconsistent, strange or even misleading designations. Among the various examples of this matter we have the Collared Pratincole (Sea Partridge in portuguese) and the Squacco Heron (Mice Eater in portuguese). No one really knows the reason for these names.

 

At least for me, one of these mysteries has finally been resolved.

 

I've always heard criticism of the designation of this bird... supposedly there were no records that it really fed on mice. This being my first observation of the species, I spent more than half an hour relatively close to the animal, took a few photographies, watch it resting a little after grooming and then take a small flight to the other side of the ditch where, after a a brief moment of waiting, captured a "mouse" (apparently it was a kind of shrew) that he drowned before ingesting. Then, it went to drink a sip of water. Impossible to be certain on the basis of just one observation, but this fantastic behavior may leave a clue to the popular origins of its name. Mice Eater... never  a name made, as on that day, so much sense.

 

- Squacco Heron (Ardeola ralloides)

- Barroca d'Alva - Alcochete - Portugal (12/17/2016)

 

These small waders do not occur at the sea, although they like wetlands. They have a creamy black-trimmed throat that brings immediatly to mind the beautiful red partridges so common in Portugal. This makes it easy to guess the origins of its vernacular name.

 

- Collared Pratincole (Glareola pratincola)

- Vila Franca de Xira - Portugal (10-04-2016)

18
Out18

A vizinha das pernas longas

Muito presente no imaginário popular (considerada até responsável pelos "descuidos" de alguns casalinhos), longe vão os tempos em que esta ave sofreu um forte declínio populacional na Península Ibérica. Hoje a recuperação da espécie é notória e cada vez se torna mais fácil observá-la em plena alimentação, seja nos nos campos onde caçam pequenos animais ou nos aterros sanitários enquanto buscam comida no meio do nosso lixo.

 

Facilmente as observamos também nos postes que são o seu local de eleição para a nidificação, inclusivamente nas imediações das nossas casas. Nalgumas zonas do país, formam autênticos condomínios com dezenas de ninhos. "Vizinhas" que não passam despercebidas a ninguém... 

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cabo Sardão (31-03-2018)

 

No baixo alentejo, as populações costeiras destas aves constroem os seus ninhos nas falésias viradas ao mar, comportamento que aparentemente é único no mundo.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cabo Sardão (13-07-2017)

 

Uns quilómetros mais para oriente, é possível vê-las à caça nas quintas e quintais adjacentes às casas, quase indiferente às actividades humanas em redor.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Cercal do Alentejo (21-04-2016)

 

Já nas lezírias de Vila Franca de Xira podemos encontrar bandos de centenas destas enormes aves nos arrozais, em perfeita cinergia com as actividades agrícolas. Os agricultores certamente agradecem que haja quem controle a população dos exóticos lagostins-vermelhos que por ali proliferam.

 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

 

- Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

- Lezíria grande - Vila Franca de Xira (05-11-2017)

 

[EN]

The neighbour with long legs

 

Ever present in the popular imaginary, far goes the times in which the White Stork suffered a strong population decline in the Iberian Peninsula. Today the recovery of the species is notorious and it is becoming easier to observe it feeding in the fields where they hunt for small animals or in the landfills while they search for food in the middle of our trash.

 

We can also easily observe them on the poles that are their place of choice for nesting, even in the immediate vicinity of our houses. In some areas of Portugal they form authentic condos with dozens of nests. "Neighbours" that do not go unnoticed by anyone...

 

In the lower Alentejo, the coastal populations of these birds build their nests on the cliffs facing the sea, a behavior that is apparently unique in the world.

A few kilometers further east, it is possible to see them hunting in the small farms and backyards adjacent to the houses, almost indifferent to the human activities around.

Meanwhile, in the meadowlands of Vila Franca de Xira we can find flocks of hundreds of these enormous birds in the rice fields, in perfect cinergy with the agricultural activities. Farmers are certainly grateful that there are those who control the population of the exotic red crayfish that thrive there.

08
Out18

A sua identificação, por favor!

No que toca a descobrir a identidade de uma ave, há dois tipos básicos de pessoas: aqueles que pesquisam, estudam, procuram e chegam a uma conclusão (correcta ou não) e aqueles que entregam a alguém essa responsabilidade, preferindo aguardar que a "papinha" lhes seja feita.

No entanto, o processo de pesquisa é essencial para se aprender e crescer como observador (ou fotógrafo de natureza). O conceito até é relativamente simples: com o auxílio de um bom guia de campo, procurar o conjunto de características físicas visíveis que definem aquela ave como uma espécie. Se necessário, há que tentar enquadrar o local e data em que o animal foi observado, ter em consideração o seu comportamento e até as suas vocalizações.

 

Pardal (Passer domesticus)

- Pardal (Passer domesticus
- Cercal do Alentejo (22-01-2016)

 

É óbvio que, na práctica, as coisas não são assim tão lineares. Há bichos muito similares e há características que não são óbvias aos olhos de qualquer um... aí sim deve ser solicitado auxílio aos mais experientes.

Não devemos temer o erro, mas sim encará-lo como algo positivo e como parte da nossa evolução. Ninguém sabe tudo... mas devemos tentar, pois nada ultrapassa o gozo de conseguir superar uma dificuldade pelos nossos próprios meios.

 

Pardal-espanhol (Passer hispaniolensis)

- Pardal-espanhol (Passer hispaniolensis)

- IBA Planícies de Évora (09-05-2016)

 

[EN]

Your ID please!

 

When it comes to discovering the identity of a bird, there are two basic types of people: those who research, study, seek and come to a conclusion (right or wrong) and those who give someone that responsibility, preferring to wait for the work to be made for them.

However, the research process is essential for learning and growing as an observer (or nature photographer). The concept is relatively simple: with the help of a good field guide look for the set of visible physical features that define that bird as a species. If necessary, consider the place and date on which the animal was observed, take into account their behavior and even their vocalizations.

 

Obviously, things are not so linear. There are very similar birds and there are characteristics not quite obvious for everyone... then yes it should be requested help from the most experienced.

We should not fear to be mistaken, but look upon it as something positive and as part of our evolution. Nobody knows everything... but we must try, because nothing surpasses the joy of being able to overcome a difficulty by our own means.

 

- House Sparrow (Passer domesticus)

- Cercal do Alentejo - Portugal (22-01-2016)

 

- Spanish Sparrow (Passer hispaniolensis)

- Important Bird Area Planícies de Évora - Portugal (09-05-2016)

25
Set18

Pequenos, fortes e maus

Os picanços são um dos grupos mais carismáticos da nossa avifauna. O seu comportamento e os seus hábitos tendem a despertar paixões entre os observadores, pois estas são autênticas mini-rapinas de reconhecido "mau feitio". No nosso país ocorrem 3 espécies - duas das quais são estivais e uma residente - que frequentam genericamente zonas abertas com árvores ou arbustos dispersos e se alimentam essencialmente de insectos e pequenos vertebrados. 

 

Surgindo geralmente na primeira quinzena de Maio (um dos últimos migradores estivais a chegar ao nosso território), este é o picanço mais cobiçado por observadores e fotógrafos, devido à sua restrita distribuição geográfica: o picanço-de-dorso-ruivo nidifica apenas nas serras mais setentrionais do país, geralmente acima dos 700 m de cota.

 

Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio)

- Picanço-de-dorso-ruivo (Lanius collurio)

- Montalegre (11-05-2018)

 

Das três espécies, esta é a maior. Apesar de se alimentar também de insectos, chega a caçar répteis, aves de pequeno porte ou ratos aos quais dá o seu famoso tratamento: o piçanço-real armazena comida empalando as suas presas em espinhos ou arame farpado para mais tarde as devorar. Tem uma distribuição geral pelo país, sendo mais comum nas regiões do sul.

 

Picanço-real (Lanius meridionalis)

- Picanço-real (Lanius meridionalis)

- Barragem de Morgavel - Sines (06-11-2016)

 

Começam a chegar a Portugal no início de Março e os últimos indivíduos regressam às suas zonas de invernada na África subsariana no princípio de Outubro... enquanto estão por cá distribuem-se maioritariamente pelo sul do país, mas também pelo interior norte e centro. O picanço-barreteiro é uma bela e aguerrida ave, sendo conhecida por defender ferozmente os seus ninhos, inclusivamente contra humanos.

 

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Picanço-barreteiro (Lanius senator)

- Ponta dos Corvos - Seixal (23-04-2016)

 

[EN]

Small, strong and bad

 

The shrikes are one of the most charismatic groups of the portuguese birdlife. Their behavior and habits tend to arouse passions among observers, for these are authentic mini birds of prey of well known "bad temper". In Portugal there are 3 species that generally occour in open areas with scattered trees or shrubs and feed mainly on insects and small vertebrates.

Generally appearing in the first fortnight of May (one of the last summer migrators to arrive at portuguese territory), this is the most coveted shrike by observers and photographers, due to its restricted geographic distribution: the Red-backed Shrike nests only in the northernmost mountains of the country, generally above 700 m.

- Red-backed Shrike (Lanius collurio)

- Montalegre - Portugal (11-05-2018)

 

Of the three species, this is the largest. Although it also feeds on insects, it even catches reptiles, small birds or mice to which it gives its famous treatment: the Southern Grey Shrike stores food impaling its prey in thorns or barbed wire to later devour them. It has a general distribution throughout the country, being more common in the southern regions.

- Southern Grey Shrike (Lanius meridionalis)

- Sines - Portugal (06-11-2016)

 

They begin arriving in Portugal at the beginning of March and the last individuals return to their wintering areas in sub-Saharan Africa in early October... while they are mostly distributed in the south of the country, they also occour in the interior north and center. The Woodchat Shrike is a beautiful and brave bird known for fiercely defending its nests, including against humans.

- Woodchat Shrike (Lanius senator)

- Seixal - Portugal (23-04-2016)

19
Ago18

Canto silenciado

Outrora muito comum no nosso país, esta bonita ave tem vindo a decrescer em número ao longo das últimas décadas.

 

Sendo uma ave muito apreciada pelos caçadores, a actividade cinegética tem sido apontada como a grande causa do seu declínio, ideia inclusivamente utilizada como bandeira pelas associações ambientais na tentativa proibir esta actividade.

Embora esta seja uma ideia que facilmente gera simpatia, não é baseada em factos reais. O grande factor que tem conduzido à diminuição dos efectivos desta rola terá sido a alteração dos habitats, advinda da intensificação das produções agrícolas e do aumento da utilização de pesticidas. O abandono (total ou parcial) das explorações agrícolas tradicionais, a seca nas regiões de invernada e a caça terão também contribuído para a dificuldade de recuperação das populações (Catry et al. 2010).

 

Se houve um tempo em que as estrofes alentejanas versavam "quero cantar como a rola, como a rola ninguém canta", nos dias que correm ouvir o seu rulhar na época de nidificação é um privilégio, tal a sua escassez (principalmente nos terrenos do centro e sul do território).

 

Esta foi uma de duas aves observadas durante a 2ª visita à quadricula MC97, no âmbito das contagens do CAC - Censo de Aves Comuns de 2017.

 

Rola-brava (Streptopelia turtur) Barreiro MC97_8 (19-05-2018) (1).JPG

- Rola-brava (Streptopelia turtur)

- Barreiro (19-05-2018)

 

 

[EN]

Muted call

 

Once very common in Portugal, this beautiful bird has been decreasing in number over the last decades.

 

Being a bird very appreciated by the hunters, the hunting activity has been pointed out as the great cause of its decline, idea even used as flag by the environmental associations in the attempt to prohibit this activity.

Although this is an idea that easily generates sympathy, it is not based on real facts. The major factor that has led to a decline of this dove will have been the change in habitats resulting from the intensification of agricultural production and increased use of pesticides. The abandonment (total or partial) of traditional farms as well as the drought and hunting in wintering regions will also have contributed to the difficulty of the recovering populations (Catry et al., 2010).

 

Nowadays, listening to her call in the nesting season is a privilege, such is its scarcity (especially in the central and southern areas of the territory).

 

- Turtle Dove (Streptopelia turtur)

- Barreiro - Portugal (19-05-2018)

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