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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

09
Mai18

Os primos de cauda ruiva

Avistado com frequência nas nossas aldeias e vilas (principalmente no norte e centro do país), podemos encontrar o rabirruivo-preto também em castelos, casas de pedra, ruínas e em zonas escarpadas do litoral. Esta pequena ave insectivora é essencialmente residente mas a sua população é reforçada no outono e inverno por migradores chegados de norte. 

 

Menos bem distribuído, o seu congénere rabirruivo-de-testa-branca é comum apenas em algumas regiões do território e, apesar de poder viver em zonas humanizadas, prefere um habitat mais florestal, como montados ou carvalhais. 

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Sendo uma ave cosmopolita e por isso habituada à presença humana, é frequente que o rabirruivo-preto nidifique em buracos ou reentrâncias de casas e prédios (há vários relatos de ninhos em caixas de estores).

 

Rabirruivo (Phoenicurus ochruros)

- Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

 

Já o seu "primo" de testa branca, embora também possa construir o seu ninho em edificações, tende a preferir buracos de árvores ou rochas.

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Até ao momento, foram registadas 54 espécies de aves neste parque urbano da Quinta da Marialva em Corroios. Algumas invernantes, outras estivais e também algumas residentes, como um casal nidificante de rabirruivos-pretos, extremamente tolerantes aos seres humanos que por ali passeiam todos os dias.

Ocorrem também amiúde alguns migradores de passagem, principalmente entre o final de agosto e meados de novembro. Encontrar uma destas aves é sempre uma agradável surpresa e foi exactamente esse o caso deste rabirruivo-de-testa-branca. Terá ido visitar os "primos"?

 

[EN]

Redstart cousins

 

Frequently spotted in portuguese villages and towns (mainly in the north and center of the country), we can also find black redstarts in castles, stone houses, ruins and cliffs at coastal areas. This small insectivorous bird is essentially resident but its population increases in the fall and winter with migrators from the north. Less well distributed, its congener common redstarter is common only in some regions of the territory and although it may live in humanized areas, it prefers a more forested habitat, such as oak and cork oak woods.

 

Being a cosmopolitan bird and therefore accustomed to human presence, it is common for the black redstart to nest in holes or recesses of houses and buildings (there are several reports of nests in boxes of blinds). His white-headed "cousin", though he may also build his nest in buildings, tends to prefer holes in trees or rocks. 


To date, 54 bird species have been registered in this urban park of Quinta da Marialva in Corroios. Some are just wintering, some arrive in summer and there are also some residents like a nesting couple of black redstarts, extremely tolerant to the humans who walk around every day.

There are also a number of migratory passers-by, especially between late August and mid-November. Finding one of these birds is always a pleasant surprise and that is exactly the case for this common redstart. Could he be visiting his "cousins"?

 

- Common Redstart (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios - Portugal (04-11-2017)

 

- Black Redstart (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

13
Abr18

Onde observar: Lezíria Grande - O Shangri-la da passarada

Se há locais que merecem ser visitados pelo menos uma vez antes de morrermos, há aqueles que se pudéssemos visitávamos todos os dias da nossa vida... Penso que para qualquer "birdwatcher", a Lezíria é um daqueles sítios em que poderíamos viver felizes para sempre.

 

Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)

- Águia-sapeira ou Tartaranhão-ruivo-dos-pauis / Eurasian Marsh Harrier (Circus aeruginosus)

- Lezíria Grande (23-12-2017) 

 

É verdade que não são as paisagens mais deslumbrantes... uma planície infindável emoldurada por dois rios (Tejo e Sorraia) e recortada por várias linhas de água, talhões de arroz a perder de vista, alguns estradões, uma ermida, umas poucas construções decrépitas e a ausência quase total de árvores e vegetação arbustiva são tudo o que podemos esperar ver num passeio pela Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. Bem, tudo talvez não...

 

Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa)

- Milherango ou Maçarico-de-bico-direito / Black-tailed Godwit (Limosa limosa) et al.

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Os apreciadores da natureza - e acima de tudo os observadores de aves - têm aqui um ponto de passagem quase obrigatório, pelo menos uma vez na vida. Para mim, este será um dos poucos locais no nosso país onde as actividades humanas parecem estar em razoável equilíbrio com uma exuberante explosão de vida selvagem.

 

Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

- Perdiz-do-mar / Collared Pratincole (Glareola pratincola)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Enormes bandos de íbis-pretas, gansos-bravos, milherangos, cegonhas e patos interagem com as aves de rapina que deles se alimentam, águias-pesqueiras devoram as suas presas no topo dos seus poisos preferidos, miríades de pequenas aves coexistem com lebres, javalis, raposas, sacarrabos... e todo este fervilhar de vida acontece lado a lado com o pastoreio do gado e com a actividade agrícola intensiva dos Homens e da sua maquinaria. Ainda assim a vida prospera.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro / Eurasian Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Aqui, quase todos os dias há algo novo para ver, seja uma espécie nova que chegou, um comportamento interessante ou uma raridade que, literalmente, desce dos céus. 

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Águia-pesqueira / Osprey (Pandion haliaetus

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Para mim este é, sem sombra de dúvidas, o paraíso das aves.

 

Sisão (Tetrax tetrax)

- Sisão / Little Bustard (Tetrax tetrax)

- Lezíria Grande (11-03-2017)

 

[EN]

If there are places that deserve to be visited at least once before we die, there are those that we could visit every day of our lives... I think that Lezíria Grande in Vila franca de Xira (Portugal) is one of those places where any birdwatcher could live happily ever after.

 

It is true that those are not the most breathtaking landscapes... an endless plain framed by two rivers (Tejo and Sorraia) and cut by several water lines, rice fields everywere, some dirt roads, a hermitage, a few decrepit constructions and the almost total absence of trees and shrubby vegetation are all that we can expect to see on a stroll through the marshlands of Vila Franca de Xira. Well, maybe not all...

 

Nature lovers - and most of all birdwatchers - have an almost obligatory crossing point here, at least once in their lifetime. To me, this will be one of the few places in Portugal where human activities seem to be in reasonable balance with a lush burst of wildlife.

 

Enormous flocks of glossy ibis, wild geese, black-tailed godwits, storks and ducks interact with the birds of prey that feed on them, ospreys devour their prey at the top of their favorite spots, myriads of small birds coexist with hares, wild boars, foxes, mongooses... and all this buzzing of life happens side by side with cattle grazing and the intensive agricultural activity of Men and their machinery. Yet life thrives.

 

Here, almost every day there is something new to see, whether it is a new species that has arrived, an interesting behavior or a rarity that literally descends from the heavens. For me this is, without a doubt, the paradise of birds.

23
Mar18

O crescimento pelo conflicto

"Conflict is growth wanting to happen"
- Harville Hendrix, PhD.

 

A maioria das pessoas vê os conflictos como algo mau que deve ser evitado, mas fazê-lo pode significar o desperdício de uma oportunidade de aprendizagem... é no conflicto que ficam à vista as fracturas existentes nos relacionamentos inter-pessoais. Só assim se conhece a real separação entre os indivíduos e todos sabemos que é impossível construir pontes sem conhecer a distância que separa as margens.

 

À parte de teorias da psicologia organizacional, é comum vermos outros animais em conflito (inclusivamente físico). Haverá algo de construtivo a retirar de tais acontecimentos, ou somente representam uma manifestação de violência gratuita e caos? Pessoalmente tenho dificuldade em encontrar aleatoriedade nos comportamentos naturais.

 

É sabido que as lutas são uma das formas utilizadas pelas crias de predadores para desenvolverem as capacidades que irão no futuro necessitar. O confronto físico é também uma das formas de definir estruturas sociais em animais gregários e até de delimitar territórios.

Da confrontação, do desafio, do atrito, nasce organização e gera-se aprendizagem, crescimento e estrutura.

 

No caso destas gralhas, não sei a razão da sua "zaragata". Não me pareceram confrontos territoriais, estariam a brincar - estudos já demonstraram a capacidade dos corvídeos para a auto-recreação - ou estariam a esgrimir por questões de dominância dentro do grupo?

 

Aceitam-se opiniões. 

 

- Gralha-preta (Corvus corone)

- Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (01-11-2016)

 

[EN]

Growth by conflict

 

Most people see conflict as a bad thing to be avoided, but doing it can mean wasting a learning opportunity... conflict exposes the fractures in interpersonal relationships. This is the only way to know the real separation between individuals and we all know that it is impossible to build bridges without knowing the distance separating the banks.

 

Apart from theories of organizational psychology, it is common to see other animals in conflict (even physical). Is there anything constructive to learn from such events, or is it merely a manifestation of gratuitous violence and chaos? Personally I have difficulty finding randomness in natural behaviours...

 

It is well known that sparring is one of the forms used by predator cubs to develop the skills they will need in the future. Physical confrontation is also one of the ways to define social structures in gregarious animals and even to delimit territories. From confrontation organization is born. Challenge and friction generates learning, growth and structure.

 

In the case of these carrion crows I do not know the reason for their "ruckus". It did not seem like territorial clashes to me, were they kidding - the ability of corvids to self-recreation have been demonstrated by some studies - or are they arguing for dominance within the group?

 

- Carrion Crow (Corvus corone)

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra - Portugal (01-11-2016)

07
Mar18

Gaivotas em terra...

As gaivotas têm sido acarinhadas pelas gentes do mar desde os tempos em que a sua presença nos céus era a única forma dos navegadores perceberem que estavam próximos de terra. A sua importante acção de limpeza (ao devorarem os restos de peixe atirados borda fora) era apreciada por todos e os seus guinchos a ecoar nos ares eram sinónimo de bom agoiro. 
 

Gaivota-de patas-amarelas (Larus michahellis)

- Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis)

- Ilha da Berlenga (21-05-2017)

 

Hoje, o lixo nas ruas atraiu as gaivotas para o interior das cidades e os aterros a céu aberto fomentaram o aparecimento de enormes aglomerados junto a zonas urbanas, resultando numa alteração do paradigma. Estas aves são agora vistas como indesejáveis, sendo que muitos as consideram mesmo uma praga. 

  

Gaivota-de-bico-fino (Larus genei)

- Gaivota-de-bico-fino (Chroicocephalus genei)

- Castro Marim (03-12-2017)

 

A grande maioria das gaivotas que vemos pertence a uma das duas espécies mais comuns no nosso país - a gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus) e a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) - mas, segundo o portal avesdeportugal.info, ocorrem em Portugal mais de 20 espécies. 

 

Famego (Larus canus)

- Famego (Larus canus)

- Parque da Paz - Almada (03-02-2018)

 

Com vários tamanhos, formatos e plumagens, estas aves podem ser invernantes, residentes, ocasionais ou raras, havendo de tudo um pouco e para todos os gostos, assim as saibamos identificar.

 

Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla)

- Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla)

- Lagoa de Albufeira - Sesimbra (20-01-2018)

 

Algumas são distinguíveis essencialmente pelo tom de cinzento do manto, mas tentar identificá-las nos seus diversos estágios imaturos é o maior desafio e uma verdadeira dor de cabeça (requer bastante experiência de campo e algum estudo), razão pela qual este é geralmente dos últimos grupos de aves aos quais os observadores novatos se dedicam...

 

Gaivota-prateada (Larus argentatus)

- Gaivota-prateada (Larus argentatus)

- Trafaria (19-11-2016) 

 

Podemos encontrar várias espécies de gaivotas num qualquer parque urbano, mas algumas espécies (como a gaivota-tridáctila, por ex.) são essencialmente pelágicas e raramente se aproximam da costa. A melhor hipótese de encontrar um destes bichos em terra é visitar portos de abrigo ou praias durante ou imediatamente a seguir a tempestades no mar.

 

Gaivota-de-cabeça-preta (Larus melanocephalus)

- Gaivota-de-cabeça-preta (Ichthyaetus melanocephalus)

- Lagoa dos Salgados (03-12-2017)

 

O inverno é a melhor época do ano para observar gaivotas em Portugal continental, devido ao maior número de espécies presentes no nosso território.

 

Guincho-comum (Larus ridibundus)

- Guincho-comum (Chroicocephalus ridibundus)

- Cova da Piedade (20-12-2015)

 

Embora os sentimentos difiram em relação às gaivotas, poucos serão aqueles que não apreciam os espectáculos dados por estas aves, como aquele que ocorre na Caparica quando chegam os barcos dos pescadores da arte-xávega. Um verdadeiro turbilhão vivo de movimento, guinchos e penas que merece ser contemplado pelo menos uma vez na vida...

 

Gaivota-d'Asa-Escura (Larus fuscus)

- Gaivota-d'asa-Escura (Larus fuscus)

- Cais do Ginjal - Almada (08-03-2016)

 

[EN]

Seagulls ashore

 

Seagulls have been cherished by sea people since the days when their presence in the skies was the only way for navigators to realize that they were close to land. Its important cleaning action (by devouring the scraps of fish tossed overboard) was appreciated by all, and its squeals echoing in the sky were synonymous with good omen.

Today, the garbage in the streets has attracted seagulls into the cities and open-air landfills have encouraged the emergence of large clusters close to urban areas, resulting in a paradigm change. These birds are now seen as undesirable and many consider them to be a plague.

 

The vast majority of the seagulls we see in Portugal belong to one of the two most common species here - the Lesser Black-backed Gull (Larus fuscus) and the Yellow-legged Gull (Larus michahellis) - but according to avesdeportugal.info, more than 20 species occur in this country.

With various sizes shapes and plumages, these birds can be wintering, resident, occasional or rare.

 

Some are distinguishable essentially by the shade of gray in the mantle, but trying to identify them in their several immature stages is the biggest challenge and a real headache (requires a lot of field experience and some study). Which is why this is usually one of the last bird groups to which novice observers dedicate themselves...

We can find several species of seagulls in any urban park, but some species (such as the Black-legged Kittiwake, for example) are essentially pelagic and seldom approach the coast. The best chance to find one of these animals on land is to visit ports or beaches during or immediately following storms at sea.

Winter is the best time of year to observe seagulls in mainland Portugal, due to the greater number of species present in the territory.


Although the feelings differ in relation to seagulls, few will be those who do not appreciate the shows given by these birds, like the one that occurs in Costa da Caparica when the art-xávega fishing boats arrive. A real whirlwind of movement, squeals and feathers that deserves to be contemplated at least once in lifetime...

 

Picture 1

- Yellow-legged Gull (Larus michahellis)

- Berlenga Island - Peniche (05/21/2017)

 

Picture 2

- Slender-billed Gull (Chroicocephalus genei)

- Castro Marim (12/03/2017)

 

Picture 3

- Mew Gull (Larus canus)

- Almada (02/03/2018)

 

Picture 4

- Black-legged Kittiwake (Rissa tridactyla)

- Lagoa de Albufeira - Sesimbra (01-20-2018)

 

Picture 5

- European Herring Gull (Larus argentatus)

- Trafaria - Almada (11-19-2016)

 

Picture 6

- Mediterranean Gull (Ichthyaetus melanocephalus)

- Lagoa dos Salgados - Albufeira (12/03/2017)

 

Picture 7

- Black-headed Gull (Chroicocephalus ridibundus)

- Cova da Piedade - Almada (12/20/2015)

 

Picture 8

- Lesser Black-backed Gull (Larus fuscus)

- Almada (08-03-2016)

27
Jan18

1º Censo Nacional de Garça-branca-grande

Na sequência do bem-sucedido Censo de Águia-pesqueira (2015, 2016 e 2017) organizado pelo portal Aves de Portugal, foi decidido levar a cabo o 1º Censo Nacional de Garça-branca-grande nos pretéritos dias 20 e 21 de Janeiro de 2018. Este projecto de ciência-cidadã resultou numa participação de 168 voluntários e na contabilização de 347 a 374 garças-brancas-grandes (Ardea alba), 691 a 778 colhereiros (Platalea leucorodia) e 19 a 21 cegonhas-pretas (Ciconia nigra).

 

Garça-branca-grande (Egretta alba)

- Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Estuário do Sado (24-01-2016)

 

Segundo João Tomás e Gonçalo Elias (equipa organizadora), "o intervalo obtido aponta para um total de 347 a 374 garças-brancas-grandes no território nacional. Analisando a tabela e o mapa de resultados é possível perceber que a população invernante desta espécie se concentra sobretudo em áreas de arrozal, como o vale e a foz do Mondego, as lezírias do baixo Tejo e ainda o estuário do Sado. Não menos importantes são as zonas húmidas costeiras com algumas produção de arroz associada, como é o caso da Ria de Aveiro. Também as albufeiras e açudes dos distritos de Santarém, Évora, e Beja têm um peso importante na escolha desta espécie para passar os meses de Inverno. Por fim, um pequeno número de indivíduos distribui-se ao longo da faixa costeira dos distritos de Viana do Castelo, Porto, Leiria e Faro e ainda em albufeiras e açudes dos distritos do interior centro-norte, como são os casos da Guarda, Castelo Branco e Portalegre."

 

Na opinião da organização, "este censo foi um sucesso a todos os níveis: grande adesão de voluntários, elevado grau de cobertura do território nacional, excelente organização das equipas nos locais de maior dimensão, condições meteorológicas muito favoráveis e acima de tudo muitas garças-brancas-grandes."

 

A situação desta espécie como como ave invernante no nosso país, que era essencialmente desconhecida, ganhou nova luz e a sua evolução poderá agora ser avaliada com a realização de futuros censos.

 

Os resultados detalhados, quer por local visitado (página 1) quer por distrito (página 2) podem ser consultados aqui.

Pode ainda ser visualizado o mapa nacional com os locais visitados e respectivos totais de indivíduos contados, neste link.
 
As diferentes cores significam:
  • branco: 0 aves observadas;
  • verde: 1-4 aves observadas;
  • laranja: 5-9 aves observadas;
  • vermelho: 10-19 aves observadas;
  • vermelho escuro: 20 ou mais aves observadas.
 

Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Alcochete (21-01-2018)

 
Neste censo coube-me a responsabilidade e o prazer de coordenar a região do Estuário do Tejo - Margem Sul, tarefa que foi facilitada pelo excelente desempenho dos 12 voluntários que comigo prospectaram toda a zona do estuário (e vales adjacentes) desde o Seixal até Benavente, passando pela Lagoa de Albufeira e pelo Sesimbra Natura Park. A nossa equipa logrou observar 46 a 47 garças e 117 a 118 colhereiros, não tendo sido observada qualquer cegonha-preta.
 
 
[EN]
 1st Great Egret Portuguese Census
 
Following the successful Osprey Census (2015, 2016 and 2017) organized by the Aves de Portugal portal, it was decided to carry out the 1st Great Egret Portuguese Census in the past 20 and 21 January 2018. This citizen science project resulted in a participation of 168 volunteers and in the accounting of 347 to 374 Great Egrets (Ardea alba), 691 to 778 spoonbills (Platalea leucorodia) and 19 to 21 black storks (Ciconia nigra).
 
According to João Tomás and Gonçalo Elias (national coordinators), "there were counted a total of 347 to 374 Great White Egrets in Portuguese territory. Analyzing the table and the results map it is possible to notice that the wintering population of this species is mainly in areas of rice fields, such as the valley and the mouth of the Mondego, the low Tagus river basins and the Sado estuary. No less important are the coastal wetlands with some associated rice production, such as Ria de Aveiro. In addition, the reservoirs and dams of the districts of Santarém, Évora and Beja play an important role in this species choice of wintering grounds. Finally, a small number of individuals are distributed along the coastal strip of the districts of Viana do Castelo, Porto, Leiria and Faro and also in reservoirs and dams of the north-central interior districts, such as Guarda, Castelo Branco and Portalegre."

According to the organization, "this census was a success at all levels: great volunteers adhesion, high degree of coverage of the portuguese territory, excellent teams organization at the largest sites, very favorable weather conditions and above all many great egrets. "
 
The situation of this species as a wintering bird in Portugal, which was essentially unknown, has gained new light and its evolution can now be evaluated with future censuses.

Detailed results, either by site visited (page 1) or by district (page 2) can be found here.

The national map with the visited sites and their individuals numbers can also be consulted in this link.
 
The different colors mean:
  • white: 0 birds observed;
  • green: 1-4 birds observed;
  • orange: 5-9 birds observed;
  • red: 10-19 birds observed;
  • dark red: 20 or more birds observed.
 
In this census it was my responsibility and pleasure to coordinate the Tagus Estuary - South Bank, a task that was facilitated by the excellent performance of the 12 volunteers who with me prospected the entire area of the estuary (and adjacent valleys) from Seixal to Benavente, passing by the Lagoa de Albufeira and Sesimbra Natura Park. Our team managed to observe 46 to 47 great egrets and 117 to 118 spoonbills as no black stork was observed.
 
Pictures:
 
  • Great Egret (Ardea alba)
  • Estuário do Sado - Setúbal - Portugal (24-01-2016)
  • Great Egret (Ardea alba)
  • Alcochete - Portugal (21-01-2018)
09
Jan18

Os Fenótipos e a Etologia - Olhos que tudo vêem

Embora no nosso dia-a-dia tenhamos geralmente a necessidade de dar uso aos nossos 5 sentidos, a visão é possivelmente aquele do qual mais dependemos. Na natureza, se nem todos os animais dependem assim tanto dos olhos, alguns evoluíram de forma a especializarem-se no uso destes órgãos sensoriais.

 

A águia-pesqueira é um desses animais. A visão binocular - possibilitada pela posição dos olhos na parte frontal da cabeça - ajuda-a a avaliar as distâncias, a estrutura das penas por cima dos olhos serve para reduzir o brilho dos reflexos do sol na água e sua excelente visão permite-lhe descobrir os peixes debaixo de água. Isto, em conjunto com algumas outras adaptações (como dedos exteriores reversíveis, membranas nictitantes e válvulas nas narinas), tornam esta ave num dos pescadores mais eficazes do mundo animal.

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Vila Franca de Xira (23-12-2017)

 

Outra fantástica adaptação evolutiva é a visão nocturna dos mochos e corujas. Também possuidoras de uma boa visão binocular, estas rapinas têm olhos grandes e não possuem verdadeiramente um globo ocular mas sim "tubos" alongados. A sua retina apresenta poucas das células receptoras que reagem às cores (cones) mas muitas das células sensíveis à luz e ao movimento (cilindros). Estas características, apesar de impedirem que estes animais percepcionem as cores do mesmo modo que nós, ajudam a aumentar a eficiência em condições de pouca luz, permitindo-lhes ver - e caçar - de noite.

 

O seu voo silencioso e a sua visão nocturna são sinónimo de morte, para as presas destes implacáveis predadores.

 

Mocho-pequeno-de-orelhas (Otus scops)

- Mocho-pequeno-de-orelhas (Otus scops)

- Penamacor (18-06-2017)

 

[EN]

Phenotypes and Phenology - All-seeing eyes

 

Although in our day-to-day life we ​​usually need to use our 5 senses, vision is possibly the one we depend on the most. In nature not all animals depend so much on the eyes, but some have evolved to specialize in the use of these sensory organs.

 

The osprey is one of these animals. Binocular vision - made possible by the position of the eyes on the front of the head - helps her evaluate distances, the structure of the feathers above the eyes is useful to reduce the glare of the sun's reflections in the water and the excellent vision allows her to spot the fish under water. This, along with some other adaptations (such as reversible outer toes, nictiting membranes and closable nostrils) make this bird one of the most effective angler in the animal world.

 

- Osprey (Pandion haliaetus)

- Vila Franca de Xira - Portugal (23-12-2017)

 

 Another fantastic evolutionary adaptation is the night vision of owls. Also possessing good binocular vision, these birds have large eyes and do not truly possess an eyeball but rather elongated "eye tubes". Their retina has few of the receptor cells that react to the color (cones) but many of the sensitive to light and movement cells (rods). These features, while preventing these animals from perceiving color in the same way as we do, help increase efficiency in low light conditions, allowing them to see - and hunt - at night.

 Their silent flight and night vision means death to the prey of these implacable predators.

 

- Eurasian Scops Owl (Otus scops)

- Penamacor - Portugal (18-06-2017)

18
Dez17

Em queda livre

Embora seja uma ave bastante comum nas nossas águas e muitas vezes avistada a partir da costa, não a encontraremos nas nossas praias ou falésias. 

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

O alcatraz só poisa em terra firme quando está extremamente debilitado ou quando pretende nidificar. Mas, como esta espécie não nidifica no nosso país, as imagens que mais facilmente conseguiremos reter são o seu poderoso voo ou os seus espectaculares mergulhos quando caem a pique dos céus na tentativa de capturar um peixe mais descuidado.

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

Nesta espécie relativamente fácil de reconhecer devido ao seu porte e formato do corpo, os juvenis apresentam um tom pardo malhado ou manchado, ao passo que os adultos são essencialmente brancos com a ponta das asas preta. O seu corpo fusiforme permite-lhe os espantosos mergulhos e, quando visto ao longe, dá-lhe a aparência de ter duas cabeças - "uma para cada lado".

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

Numa visita da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) à Reserva Natural das Berlengas, tivémos a oportunidade de os ver bem de perto a rondar a embarcação e detectámos mesmo  3 destas belas aves poisadas num rochedo dos Farilhões, coisa que deixou todos a bordo bastante entusiasmados com a possibilidade de que estivessem a tentar nidificar por ali. É algo a tentar verificar no futuro...

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

- Alcatraz ou Ganso-patola (Morus bassanus)

- RN Berlengas (21-05-2017)

 

[EN]

Free fallin'

Although it is a quite common bird in portuguese waters and often sighted from the coast, we will not find him on our beaches or cliffs.

 

The northern gannet only lands when he is extremely weak or when he intends to nest. But as this species does not nest in Portugal, the images that we will most easily retain are their powerful flight or the spectacular dives when they free fall from the skies in an attempt to capture a more careless fish.

 

Relatively easy to recognize due to the size and shape of his body, juveniles have a brownish speckled tone while adults are essentially white with black wingtips. His fusiform body allows for the amazing dives and, when seen at a distance, gives him the appearance of having two heads - "one to front and to the back".

 

On a visit to the Berlengas Nature Reserve organized by SPEA (Portuguese Society for the Study of Birds), we had the opportunity to see them very close around the boat and we even detected 3 of these beautiful birds standing on a cliff at Farilhões, something wich got everyone on board rather enthusiastic about the possibility that they were trying to nest there. It's something to try to check in the future...

 

- Northern Gannet (Morus bassanus)

- Berlengas Nature Reserve, Peniche - Portugal (21-05-2017)

 

15
Dez17

Pais & filhos

♪♫ It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know... ♪♫

 

Decorria o ano de 1970 quando Cat Stevens cantou esta música, com ela relembrando ao mundo o quão importante e complexa é a relação entre pais e filhos.

 

De facto, nos animais mais evoluídos (nomeadamente nos mamíferos e nas aves) a dependência dos progenitores por parte das crias é gritante, tanto ao nível do suporte de vida (alimentação e protecção) como da aprendizagem dos comportamentos e estruturas sociais.

 

Galeirão-comum (Fulica atra)

 

Dedicados de forma extremosa à criação e educação dos seus juvenis, os galeirões são no entanto pais bastante ríspidos, administrando por vezes verdadeiras sovas às quais as crias nem sempre sobrevivem. É assim a natureza: protectora, porém crua e brutal.

 

Uma coisa é certa: aqueles que chegarem à fase adulta estarão preparados para sobreviver às agruras de uma vida selvagem.      

 

- Galeirão-comum (Fulica atra)

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (4-06-2017)

 

[EN]

Father & son

 

In 1970 Cat Stevens sang this song and reminded the world how important and complex the relationship between parents and children is.

 

In fact, in the more advanced animals (especially mammals and birds), the offspring dependence from their parents is striking, both in terms of life support (feeding and protection) and in the learning of social behaviors and structures.

 

Extremely dedicated to the upbringing and education of their juveniles, coots are nevertheless rather harsh parents, sometimes administering true beatings to which youngsters do not always survive. Nature is protective but also crude and brutal.

 

One thing is sure: those who reach adulthood will be prepared to survive the hardships of a life in the wild.

 

- Coot (Fulica atra)

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Portugal (4-06-2017)

08
Dez17

Turistas

Nas praias da frente atlântica de Almada todos os anos estivam milhares de turistas, vindos um pouco de todo mundo. Atraídos pelo nosso ameno clima e pelos extensos areais do concelho, alguns são veraneantes regulares, outros visitam esta zona pela primeira (e possivelmente única) vez...

Chegado o inverno, continua a ser possível encontrar com frequência por ali grupos de bípedes, mas mais provavelmente do tipo emplumado. Tal como os humanos, também estes visitantes chegam genericamente em pequenos grupos.

 

Pilrito-escuro (Calidris maritima)

 

No entanto, (também como algumas pessoas) certos elementos tendem a aparecer sozinhos e, na ausência dos seus pares, acabam por tentar a integração no seio de grupos mistos.
Um caso paradigmático é o desta ave oriunda do norte da Europa que, desde 2015, tem escolhido as praias da margem sul como zona de invernada. Tendo já sido observada em números de 2 ou 3, na maioria das vezes é avistado um indivíduo a alimentar-se entre as rochas, por vezes solitário, noutras ocasiões acompanhado por pilritos-das-praias e/ou rolas-do-mar.

Sendo este bicho relativamente raro no nosso território, parece que Almada está a tornar-se num local bastante consistente para a sua observação.

- Pilrito-escuro (Calidris maritima)
- Almada (28-01-2016)

 

Pilrito-escuro (Calidris maritima)

 

[EN]

Turists

 

On the beaches of Almada's Atlantic front there are thousands of tourists every year, coming from around the world. Attracted by our mild climate and the extensive beaches of the county, some are regular holidaymakers, others visit this area for the first (and possibly the only) time ...

 

When winter arrives, it is still possible to find groups of bipeds, but more likely of the feathered type. Like humans, these visitors also generally come in small groups.

 

However (as some people also) certain elements tend to appear alone and, in the absence of their peers, end up trying to integrate into mixed groups.

A paradigmatic case is this bird from northern Europe that, since 2015, has chosen the beaches of Almada as a wintering zone. Having already been observed in numbers of 2 or 3, most of the time an individual is seen feeding among the rocks. Sometimes solitary, in other occasions accompanied by Sanderlings and/or Ruddy Turnstones.

 

Being a relatively rare animal in our territory, it seems that Almada is becoming a very consistent place for its observation.

 

- Purple Sandpiper (Calidris maritima)

- Almada - Portugal (28-01-2016)

01
Dez17

Onde observar: Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena (Sesimbra)

Parte integrante do sistema lagunar da Lagoa de Albufeira, este local apresenta uma exuberante biodiversidade e é um dos meus locais preferidos para observação.

 

Lagoa da Estacada - Sesimbra (20-02-2016).JPG

 

 Esta ZPE (Zona de Protecção Especial), constituida pelas lagoas Pequena e Estacada, é gerida de forma conjunta pelo ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), pela SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e pelo município de Sesimbra, possuindo vários equipamentos de apoio aos visitantes e contando também com uma bióloga em permanência. Dentro do horário de abertura é possivel visitar o espaço de forma livre ou, em alternativa, marcar uma visita guiada.

 

Lagoa Pequena (16-04-2016)b.jpg

 

Os quatro abrigos de observação/fotografia existentes, em conjunto com a possibilidade de alugar binóculos por uma quantia simbólica, tornam este espaço no local ideal para quem pretenda iniciar-se na observação de natureza. 

  • Existe também ali uma loja da SPEA onde é possível adquirir binóculos, guias de campo ou recordações.

 

Marrequinha (Anas crecca)

 

O habitat é essencialmente composto pelo caniçal adjacente às lagoas, uma zona de salgueiros e alguns pinheiros. Nas proximidades existem grandes manchas de pinhal e também algum eucaliptal. Ao passo que a Lagoa Pequena - por estar ligada à lagoa de Albufeira - contém água salgada, a lagoa da Estacada é composta por água doce pois foi criada nos anos 80 pelo ICNF através da construção de um pequeno dique que levou ao alagamento permanente de uma zona de cheias na confluência das ribeiras da Aiana e da Ferraria. Isto criou um nicho ecológico algo diferente daquele que já ali existia.

 

Garçote (Ixobrychus minutus)

 

Aqui podemos observar uma míriade de passeriformes como vários chapins, gralhas-pretas, estorninhos, bicos-de-lacre, escrevedeiras, pintassilgos ou verdilhões, bem como várias espécies de patos como  a frisada, a marrequinha, o pato-real ou o pato-trombeteiro e até mergulhõesgalinhas-d'água, frangos-de-água, garças-reais e garças-vermelhas. Podemos também encontrar o críptico garçote ou o deslumbrante - e em tempos quase extinto - Camão. A colocação dos abrigos junto à água permite-nos uma aproximação ímpar relativamente aos bichos, pelo qual é importante termos em mente de devemos fazer tudo para não os incomodar... afinal este é o "seu" santuário.

 

Frisada (Anas strepera)

 

Em suma, este é um agradável espaço que permite ao naturalista mais inveterado observar mais de meia centena de espécies de aves (para não falar de plantas e insectos) e que ao "comum dos mortais" traz promessas de uma manhã (ou tarde) passada em comunhão com a natureza, não assim tão longe dessa grande floresta de betão que é Lisboa. Para as crianças pode ser um importante veículo de educação ambiental, ajudando-as a ganhar gosto pela observação da natureza. Vale a pena a visita.

 

Camão (Porphyrio porphyrio)

 

É importante reter:

  • respeitar a natureza
  • respeitar a gestão do espaço
  • respeitar os restantes visitantes
  • não deixar nada para além de pegadas (e porque não um pequeno donativo?)
  • não levar nada a não ser boas recordações, fotografias e vontade de voltar

Boa visita!

 

Pato-trombeteiro (Anas clypeata)

 

 [EN]

As a part of the lagoon system of Lagoa de Albufeira, this place has an exuberant biodiversity and is one of my favorite places for observation.

 

This SPA (Special Protection Area), formed by the Pequena and Estacada lagoons, is jointly managed by the National Institute for the Conservation of Nature and Forests (ICNF), SPEA (Portuguese Society for the Study of Birds) and the municipality of Sesimbra, having several visitor support equipments and also counting with a permanent biologist. Within the opening hours it is possible to visit the space freely or alternatively to book a guided tour. The four existing observation/photography shelters, coupled with the possibility of renting binoculars for a token amount make this space the ideal place for anyone wishing to embark on nature observation.

There is also a SPEA store where you can purchase binoculars, field guides or souvenirs.

 

The habitat is essentially composed by reeds, willows and some pine trees. Nearby there are some large areas of pine forest and also some eucalyptus. Whereas the Lagoa Pequena - because it is linked to the Albufeira lagoon - contains salt water, the Estacada lagoon is composed of fresh water because it was created in the 80s by the ICNF through the construction of a small dam that led to the permanent flooding of a flood zone at the confluence of the Aiana and Ferraria streams. This created an ecological niche somewhat different from the one that already existed there.

 

Here we can observe a myriad of passerines such as some species of tits, carrion crows, starlings, waxbills, cirl buntings, goldfinches or greenfinches, as well as several species of ducks such as the gadwall, the common teal, the mallard duck or the northern shoveler and even little grebes, moorhens, water rails, grey herons, and red herons. We can also find the cryptic little bittern or the stunning - and in time almost extinct - purple swamphen. The placement of the shelters by the water allows us a unique approach to the animals, so it is important to keep in mind that we must do everything to avoid disturbing them... after all, this is the "their" sanctuary.

 

In short, this is a pleasant space that allows the most inveterate naturalist to observe more than half a hundred species of birds (not to mention plants and insects) and to the "common mortal" it brings promises of a morning (or afternoon) spent in communion with nature, not that far from the large concrete forest that is Lisbon. For the children it can be an important vehicle for environmental education, helping them to gain a taste for nature observation. It's worth the visit.

 

It is important to keep in mind:

  • respect nature
  • respect the space management
  • respect the remaining visitors
  • do not leave anything apart from footprints (and why not a small donation?)
  • do not take anything but good memories, photographs and the will to return

Enjoy your visit!

Eu

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