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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

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Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

20
Jun18

Cigarras - Uma vida a cantar

"A Cigarra e a Formiga" é umas das mais conhecidas fábulas de La Fontaine - embora na verdade a sua autoria seja atribuída ao escritor grego Esopo (620 a.C. - 564 a.C.) - e fala-nos da importância de, em época de abundância, continuarmos a trabalhar e a poupar os nossos recursos para termos como subsistir em tempos de dificuldades.

 

No conto, a cigarra passa o verão a cantar e a comer folhas verdes enquanto a formiga apenas trabalha e armazena comida... chegado o inverno, a cigarra passa mal e vê-se obrigada a recorrer à formiga para sobreviver.

 

Cigarra/Cicada (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque Tejo - Lisboa (23-08-2016)

 

Nas nossas matas ou nos parques e jardins das nossas cidades, naquelas tardes tórridas de verão em que nenhuma brisa se sente e nenhum outro som se ouve, o estridente "canto" dos machos destes insectos eleva-se no ar - pode rondar os 100 decibéis e é gerado pela vibração de uma membrana no seu primeiro segmento abdominal - na tentativa de atrair uma fêmea para acasalar.

 

Aquele som vibrante e constante - até eventualmente irritante - leva-nos a pensar: "afinal a fábula tem uma razão de ser". Mas onde estão os bichos? O som que ouvimos parece não ter uma origem definida: olhamos, procuramos e... nada. Pois, estes insectos são extremamente crípticos, sendo bastante difícil localizá-los. E quando finalmente conseguimos ver um deles, supresa das surpresas! "Mas não deviam ser parecidos a gafanhotos?"

 

De facto não o são, o aspecto das cigarras mais facilmente faz lembrar uma enorme mosca, com os seus grandes olhos redondos e as suas asas transparentes. Sim, os ilustradores das histórias andaram a "enganar-nos" durante todo este tempo... 

 

Cigarra (Cicadidae)

- Cigarra (família Cicadidae

- Parque da Paz - Almada (10-07-2016)

 

Pelo menos os contos acertaram numa coisa: as cigarras passam o verão a cantar. E no resto do ano? Serão hóspedes das formigas tal como La Fontaine sugeriu? De todo.

 

A cigarra fêmea é atraida pela cantoria de uma macho, é fecundada, põe os seus ovos e morre. Depois da eclosão, as ninfas saídas desses ovos - estes artrópodes sofrem uma metamorfose incompleta (não passam pela fase de pupa) - caem ao chão onde se enterram e onde sobrevivem de 1 a 17 anos - consoante a espécie - alimentando-se da seiva retirada das raizes das plantas.

 

Chegado o pico do verão, emergem do subsolo e passam por uma transformação para o estágio adulto (ecdise). Durante umas semanas alimentam-se da seiva obtida pelos caules e folhas e os machos cantam sob o sol tórrido até que o ciclo se complete uma vez mais.

 

Elas de facto passam toda a sua vida adulta a cantar.

 

[EN]

Cicadas - A life singing

 

In our woods or in the parks and gardens of our cities, on those scorching summer afternoons when no breeze is felt and no other sound is heard, the loud "singing" of these male insects rises in the air - the sound can be around 100 decibels and is generated by the vibration of a membrane in its first abdominal segment - in an attempt to attract a female to mate.

 

That screechy, constant sound drives us crazy . " But where are the bugs?" The sound does not seem to have a definite origin: we look, we search and... nothing. These insects are extremely cryptic, making quite difficult to locate them. And when we finally got to see one of them, surprise surprise! "Should not they look like locusts?" (In the original french, La Fontaines "The grasshopper and the Ant" is "The cicada and the ant". So thanks to the ilustrators, basically everyone thinks a cicada looks like a grasshopper)

 

In fact they do not. The aspect of the cicadas most easily resembles a huge fly, with their large round eyes and their transparent wings. Yes, storytellers have been "cheating" us all this time... At least the tales hit one thing: cicadas spend the summer singing. And the rest of the year? Will they be guests of the ants as La Fontaine suggested? Not at all. 

 

The female cicada is attracted by the singing of a male, is fertilized, lays its eggs and dies. After hatching, the nymphs coming out of these eggs - these arthropods undergo an incomplete metamorphosis (they do not pass through the pupa stage) - fall to the ground where they are buried and where they survive from 1 to 17 years - depending on the species - feeding on sap from the roots of plants.

 

When the peak of summer arrives, they emerge from underground and go through a transformation to the adult stage (ecdysis). For a few weeks they feed on the sap taken from the stalks and leaves and the males sing in the blazing sun until the cycle is once more completed.

 

They actually spend their entire adult life singing

 

Pictures:

- Cicada (family Cicadidae)

- Lisbon - Portugal (08-23-2016)

 

 - Cicada (family Cicadidae)

- Almada - Portugal (07-10-2016)

31
Mai18

Onde observar: As aves cosmopolitas de Lisboa

Quando ouvimos falar em observar aves na região de Lisboa, é natural que a nossa mente viaje imediatamente para o exuberante estuário do Tejo, ou talvez para a verdejante serra de Sintra... quem sabe para as praias da linha ou até da margem sul. Ou mesmo para o Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena, porque não?

 

Mas... e porque não fazê-lo dentro da cidade? Porque só há prédios, carros e barulho, certo? Bem, talvez não seja tão linear quanto isso...

 

Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca)

- Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Migrador de passagem: presente de agosto a princípios de novembro

 

A verdade é que, prestando atenção, podemos observar aves em qualquer sítio: a voar por cima das barulhentas ruas da cidade, alimentando-se nos relvados, a saltitar nas ramagens das árvores nos passeios ou poisados nos beirais dos prédios, por exemplo.

 

Periquito-de-colar (Psittacula krameri)

- Periquito-de-colar (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exótica residente: observável todo o ano

 

Mas o verdadeiro tesouro natural da "cidade de Ulisses" está nos seus vários parques e jardins. As aves autóctones - sejam elas residentes, invernantes, estivais ou migradoras de passagem - convivem com as coloridas exóticas que hoje pululam ruidosamente pela metrópole, proporcionando verdadeiros espectáculos de vida selvagem.

 

Gaio (Garrulus glandarius)

- Gaio (Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Um dos locais mais interessantes para observação é a zona do Parque das Nações, pois a sua localização junto ao rio Tejo permite encontrar não só as aves típicas dos jardins, como também várias espécies de limícolas e até alguns patos.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

Todo este enquadramento de urbanidade cria, aos olhos do observador atento, um contraste e um aparente contra-senso... mas é sabido que a melhor estratégia de sobrevivência na natureza é a adaptação e estes animais vão tendo (felizmente) a capacidade de se adaptarem e de prosperarem no meio semi-artificial criado belo bicho-homem.

 

Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Carriça (Troglodytes troglodytes)

- Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian (21-03-2017)

- Residente: observável todo o ano

 

Embora qualquer parque ou jardim tenha potencial para proporcionar uma interessante experiência a este nível, existem alguns já identificados como pontos de maior interesse (os chamados hotspots), quer pelos habitats que apresentam, quer pelo número de espécies que lá podemos encontrar. O supracitado Parque das Nações é um deles, tal como o sobejamente conhecido Jardim da Gulbenkian ou mesmo o espaçoso Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. Mas existem vários outros... Para aqueles que têm a intenção de explorar mais os meandros da ornitologia citadina, mas não sabem por onde começar, o portal Aves de Portugal disponibiliza uma página com a informação essencial acerca dos locais e espécies existentes na urbe: Aves de Lisboa

 

Não há desculpas. Toca a sair de casa e ir apreciar um pouco a natureza, ainda que seja no meio da cidade.

 

Poupa (Upupa epops)

- Poupa (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Residente: observável todo o ano

 

[EN]

 The cosmopolitan birds of Lisbon

 

 When we think about birdwatching in the Lisbon region, our mind travels immediately to the luxuriant Tagus estuary or perhaps to the verdant Serra de Sintra... maybe to the beaches of Lisbon northern shore line or Caparica. Or even to the Interpretive Centre at Lagoa de Albufeira, why not? But... why not do it in the heart of the city? Because there are only buildings, cars and noise, right? Well, maybe it's not as linear as that...

 

But the true natural treasure of the "Ulysses city" lies in its many parks and gardens. Native birds - whether they are resident, wintering, summer, or passing migrants - thrive alongside the colorful exotic birds that now roam around the metropolis, providing us true wildlife shows. One of the most interesting places to birdwatch is Parque das Nações, because its location along the Tagus River allows us to find not only the typical garden birds, but also several species of waders and even some ducks.

 

All this urbanity framework creates, at the eyes of the attentive observer, a contrast and an apparent paradox... but it is known that the best survival strategy in nature is adaptation, and these animals are fortunate to have the ability to adapt and thrive in the semi-artificial environment created by humankind.

 

Although any park or garden has the potential to provide an interesting experience at this level, there are some already identified points of interest (so-called hotspots), because both the habitats they present and the number of species that can be found there. The aforementioned Parque das Nações is one of them, such as the well-known gardens of the Gulbenkian Fundation or even the spacious Parque da Quinta das Conchas e dos Lilases. But there are several others... For those who intend to explore more the meanders of the city's ornithology but do not know where to start, the portal Birds of Portugal provides a page with the essential information about the places and species in the city: Birds of Lisbon.

 

There are no excuses. Just leave the house and go enjoy nature a little, even if it is in the middle of the city.

 

Photos:

- European Pied Flycatcher (Ficedula hypoleuca

- Praça de Londres (12-10-2017)

- Passing migrant: present from August to early November

 

- Rose-ringed Parakeet (Psittacula krameri

- Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases (01-05-2018)

- Exotic resident: present all year round

 

- Eurasian Jay(Garrulus glandarius

- Praça de Londres (11-10-2017)

- Resident: present all year round

 

- Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

 

- Eurasian Wren (Troglodytes troglodytes)

- Gardens of the Calouste Gulbenkian foundation (21-03-2017)

- Resident: present all year round

 

- Common Hoopoe (Upupa epops)

- Parque das Nações (04-02-2018)

- Resident: present all year round

23
Mai18

A Falsa Serpente

Bastas vezes confundido com uma cobra, o licranço é na verdade um lagarto desprovido de patas. Podendo crescer até aos 50cm, estes animais gozam de uma longevidade pouco comum entre os lagartos, chegando a viver até aos 30 anos.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Sendo um animal ovovivíparo, a fêmea dá à luz crias totalmente desenvolvidas. A sua pele composta por escamas (não sobrepostas) lisas e brilhantes valeu-lhe a alcunha de cobra-de-vidro mas, tal como os restantes lagartos, a sua muda de pele ocorre por farrapos e não toda de uma vez. Possuem também a faculdade da autotomia, podendo perder parte da sua cauda como medida de protecção contra predadores.

 

Licranço (Anguis fragilis)

 

Ao contrário da crença popular, não possui qualquer tipo de veneno sendo por isso um animal perfeitamente inofensivo e até muito útil, pois alimenta-se de lagartas, lesmas e outros invertebrados. 

 

Licranço (Anguis fragilis)

- Licranço (Anguis fragilis) 

- Montalegre (11-05-2018)

 

[EN]

The Fake Snake

 

Sometimes mistaken for a snake, the slow-worm is actually a legless lizard. Growing up to 50cm these animals enjoy a rare longevity among lizards, reaching up to 30 years.

Being an ovoviviparous animal, the female gives birth to fully developed offspring. His skin made up of smooth and shiny scales earned him the nickname of glass-snake (in Portugal) but like the other lizards, his skin change occurs in patches rather than all at once. Also, they have the faculty of autotomy - the ability to shed the tail as protection against predators.

Contrary to popular belief, it does not possess any type of poison and is therefore a perfectly harmless and even very useful animal, as it feeds on caterpillars, slugs and other invertebrates.

- Slow-worm (Anguis fragilis

- Montalegre - Portugal (11-05-2018)

09
Mai18

Os primos de cauda ruiva

Avistado com frequência nas nossas aldeias e vilas (principalmente no norte e centro do país), podemos encontrar o rabirruivo-preto também em castelos, casas de pedra, ruínas e em zonas escarpadas do litoral. Esta pequena ave insectivora é essencialmente residente mas a sua população é reforçada no outono e inverno por migradores chegados de norte. 

 

Menos bem distribuído, o seu congénere rabirruivo-de-testa-branca é comum apenas em algumas regiões do território e, apesar de poder viver em zonas humanizadas, prefere um habitat mais florestal, como montados ou carvalhais. 

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Sendo uma ave cosmopolita e por isso habituada à presença humana, é frequente que o rabirruivo-preto nidifique em buracos ou reentrâncias de casas e prédios (há vários relatos de ninhos em caixas de estores).

 

Rabirruivo (Phoenicurus ochruros)

- Rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

 

Já o seu "primo" de testa branca, embora também possa construir o seu ninho em edificações, tende a preferir buracos de árvores ou rochas.

 

Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios (04-11-2017)

 

Até ao momento, foram registadas 54 espécies de aves neste parque urbano da Quinta da Marialva em Corroios. Algumas invernantes, outras estivais e também algumas residentes, como um casal nidificante de rabirruivos-pretos, extremamente tolerantes aos seres humanos que por ali passeiam todos os dias.

Ocorrem também amiúde alguns migradores de passagem, principalmente entre o final de agosto e meados de novembro. Encontrar uma destas aves é sempre uma agradável surpresa e foi exactamente esse o caso deste rabirruivo-de-testa-branca. Terá ido visitar os "primos"?

 

[EN]

Redstart cousins

 

Frequently spotted in portuguese villages and towns (mainly in the north and center of the country), we can also find black redstarts in castles, stone houses, ruins and cliffs at coastal areas. This small insectivorous bird is essentially resident but its population increases in the fall and winter with migrators from the north. Less well distributed, its congener common redstarter is common only in some regions of the territory and although it may live in humanized areas, it prefers a more forested habitat, such as oak and cork oak woods.

 

Being a cosmopolitan bird and therefore accustomed to human presence, it is common for the black redstart to nest in holes or recesses of houses and buildings (there are several reports of nests in boxes of blinds). His white-headed "cousin", though he may also build his nest in buildings, tends to prefer holes in trees or rocks. 


To date, 54 bird species have been registered in this urban park of Quinta da Marialva in Corroios. Some are just wintering, some arrive in summer and there are also some residents like a nesting couple of black redstarts, extremely tolerant to the humans who walk around every day.

There are also a number of migratory passers-by, especially between late August and mid-November. Finding one of these birds is always a pleasant surprise and that is exactly the case for this common redstart. Could he be visiting his "cousins"?

 

- Common Redstart (Phoenicurus phoenicurus)

- Quinta da Marialva - Corroios - Portugal (04-11-2017)

 

- Black Redstart (Phoenicurus ochruros

- Quinta da Marialva - Corroios (01-04-2017)

13
Abr18

Onde observar: Lezíria Grande - O Shangri-la da passarada

Se há locais que merecem ser visitados pelo menos uma vez antes de morrermos, há aqueles que se pudéssemos visitávamos todos os dias da nossa vida... Penso que para qualquer "birdwatcher", a Lezíria é um daqueles sítios em que poderíamos viver felizes para sempre.

 

Tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeruginosus)

- Águia-sapeira ou Tartaranhão-ruivo-dos-pauis / Eurasian Marsh Harrier (Circus aeruginosus)

- Lezíria Grande (23-12-2017) 

 

É verdade que não são as paisagens mais deslumbrantes... uma planície infindável emoldurada por dois rios (Tejo e Sorraia) e recortada por várias linhas de água, talhões de arroz a perder de vista, alguns estradões, uma ermida, umas poucas construções decrépitas e a ausência quase total de árvores e vegetação arbustiva são tudo o que podemos esperar ver num passeio pela Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. Bem, tudo talvez não...

 

Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa)

- Milherango ou Maçarico-de-bico-direito / Black-tailed Godwit (Limosa limosa) et al.

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Os apreciadores da natureza - e acima de tudo os observadores de aves - têm aqui um ponto de passagem quase obrigatório, pelo menos uma vez na vida. Para mim, este será um dos poucos locais no nosso país onde as actividades humanas parecem estar em razoável equilíbrio com uma exuberante explosão de vida selvagem.

 

Perdiz-do-mar (Glareola pratincola)

- Perdiz-do-mar / Collared Pratincole (Glareola pratincola)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Enormes bandos de íbis-pretas, gansos-bravos, milherangos, cegonhas e patos interagem com as aves de rapina que deles se alimentam, águias-pesqueiras devoram as suas presas no topo dos seus poisos preferidos, miríades de pequenas aves coexistem com lebres, javalis, raposas, sacarrabos... e todo este fervilhar de vida acontece lado a lado com o pastoreio do gado e com a actividade agrícola intensiva dos Homens e da sua maquinaria. Ainda assim a vida prospera.

 

Colhereiro (Platalea leucorodia)

- Colhereiro / Eurasian Spoonbill (Platalea leucorodia)

- Lezíria Grande (10-04-2016)

 

Aqui, quase todos os dias há algo novo para ver, seja uma espécie nova que chegou, um comportamento interessante ou uma raridade que, literalmente, desce dos céus. 

 

Águia-pesqueira (Pandion haliaetus)

- Águia-pesqueira / Osprey (Pandion haliaetus

- Lezíria Grande (07-01-2017)

 

Para mim este é, sem sombra de dúvidas, o paraíso das aves.

 

Sisão (Tetrax tetrax)

- Sisão / Little Bustard (Tetrax tetrax)

- Lezíria Grande (11-03-2017)

 

[EN]

If there are places that deserve to be visited at least once before we die, there are those that we could visit every day of our lives... I think that Lezíria Grande in Vila franca de Xira (Portugal) is one of those places where any birdwatcher could live happily ever after.

 

It is true that those are not the most breathtaking landscapes... an endless plain framed by two rivers (Tejo and Sorraia) and cut by several water lines, rice fields everywere, some dirt roads, a hermitage, a few decrepit constructions and the almost total absence of trees and shrubby vegetation are all that we can expect to see on a stroll through the marshlands of Vila Franca de Xira. Well, maybe not all...

 

Nature lovers - and most of all birdwatchers - have an almost obligatory crossing point here, at least once in their lifetime. To me, this will be one of the few places in Portugal where human activities seem to be in reasonable balance with a lush burst of wildlife.

 

Enormous flocks of glossy ibis, wild geese, black-tailed godwits, storks and ducks interact with the birds of prey that feed on them, ospreys devour their prey at the top of their favorite spots, myriads of small birds coexist with hares, wild boars, foxes, mongooses... and all this buzzing of life happens side by side with cattle grazing and the intensive agricultural activity of Men and their machinery. Yet life thrives.

 

Here, almost every day there is something new to see, whether it is a new species that has arrived, an interesting behavior or a rarity that literally descends from the heavens. For me this is, without a doubt, the paradise of birds.

07
Mar18

Gaivotas em terra...

As gaivotas têm sido acarinhadas pelas gentes do mar desde os tempos em que a sua presença nos céus era a única forma dos navegadores perceberem que estavam próximos de terra. A sua importante acção de limpeza (ao devorarem os restos de peixe atirados borda fora) era apreciada por todos e os seus guinchos a ecoar nos ares eram sinónimo de bom agoiro. 
 

Gaivota-de patas-amarelas (Larus michahellis)

- Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis)

- Ilha da Berlenga (21-05-2017)

 

Hoje, o lixo nas ruas atraiu as gaivotas para o interior das cidades e os aterros a céu aberto fomentaram o aparecimento de enormes aglomerados junto a zonas urbanas, resultando numa alteração do paradigma. Estas aves são agora vistas como indesejáveis, sendo que muitos as consideram mesmo uma praga. 

  

Gaivota-de-bico-fino (Larus genei)

- Gaivota-de-bico-fino (Chroicocephalus genei)

- Castro Marim (03-12-2017)

 

A grande maioria das gaivotas que vemos pertence a uma das duas espécies mais comuns no nosso país - a gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus) e a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) - mas, segundo o portal avesdeportugal.info, ocorrem em Portugal mais de 20 espécies. 

 

Famego (Larus canus)

- Famego (Larus canus)

- Parque da Paz - Almada (03-02-2018)

 

Com vários tamanhos, formatos e plumagens, estas aves podem ser invernantes, residentes, ocasionais ou raras, havendo de tudo um pouco e para todos os gostos, assim as saibamos identificar.

 

Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla)

- Gaivota-tridáctila (Rissa tridactyla)

- Lagoa de Albufeira - Sesimbra (20-01-2018)

 

Algumas são distinguíveis essencialmente pelo tom de cinzento do manto, mas tentar identificá-las nos seus diversos estágios imaturos é o maior desafio e uma verdadeira dor de cabeça (requer bastante experiência de campo e algum estudo), razão pela qual este é geralmente dos últimos grupos de aves aos quais os observadores novatos se dedicam...

 

Gaivota-prateada (Larus argentatus)

- Gaivota-prateada (Larus argentatus)

- Trafaria (19-11-2016) 

 

Podemos encontrar várias espécies de gaivotas num qualquer parque urbano, mas algumas espécies (como a gaivota-tridáctila, por ex.) são essencialmente pelágicas e raramente se aproximam da costa. A melhor hipótese de encontrar um destes bichos em terra é visitar portos de abrigo ou praias durante ou imediatamente a seguir a tempestades no mar.

 

Gaivota-de-cabeça-preta (Larus melanocephalus)

- Gaivota-de-cabeça-preta (Ichthyaetus melanocephalus)

- Lagoa dos Salgados (03-12-2017)

 

O inverno é a melhor época do ano para observar gaivotas em Portugal continental, devido ao maior número de espécies presentes no nosso território.

 

Guincho-comum (Larus ridibundus)

- Guincho-comum (Chroicocephalus ridibundus)

- Cova da Piedade (20-12-2015)

 

Embora os sentimentos difiram em relação às gaivotas, poucos serão aqueles que não apreciam os espectáculos dados por estas aves, como aquele que ocorre na Caparica quando chegam os barcos dos pescadores da arte-xávega. Um verdadeiro turbilhão vivo de movimento, guinchos e penas que merece ser contemplado pelo menos uma vez na vida...

 

Gaivota-d'Asa-Escura (Larus fuscus)

- Gaivota-d'asa-Escura (Larus fuscus)

- Cais do Ginjal - Almada (08-03-2016)

 

[EN]

Seagulls ashore

 

Seagulls have been cherished by sea people since the days when their presence in the skies was the only way for navigators to realize that they were close to land. Its important cleaning action (by devouring the scraps of fish tossed overboard) was appreciated by all, and its squeals echoing in the sky were synonymous with good omen.

Today, the garbage in the streets has attracted seagulls into the cities and open-air landfills have encouraged the emergence of large clusters close to urban areas, resulting in a paradigm change. These birds are now seen as undesirable and many consider them to be a plague.

 

The vast majority of the seagulls we see in Portugal belong to one of the two most common species here - the Lesser Black-backed Gull (Larus fuscus) and the Yellow-legged Gull (Larus michahellis) - but according to avesdeportugal.info, more than 20 species occur in this country.

With various sizes shapes and plumages, these birds can be wintering, resident, occasional or rare.

 

Some are distinguishable essentially by the shade of gray in the mantle, but trying to identify them in their several immature stages is the biggest challenge and a real headache (requires a lot of field experience and some study). Which is why this is usually one of the last bird groups to which novice observers dedicate themselves...

We can find several species of seagulls in any urban park, but some species (such as the Black-legged Kittiwake, for example) are essentially pelagic and seldom approach the coast. The best chance to find one of these animals on land is to visit ports or beaches during or immediately following storms at sea.

Winter is the best time of year to observe seagulls in mainland Portugal, due to the greater number of species present in the territory.


Although the feelings differ in relation to seagulls, few will be those who do not appreciate the shows given by these birds, like the one that occurs in Costa da Caparica when the art-xávega fishing boats arrive. A real whirlwind of movement, squeals and feathers that deserves to be contemplated at least once in lifetime...

 

Picture 1

- Yellow-legged Gull (Larus michahellis)

- Berlenga Island - Peniche (05/21/2017)

 

Picture 2

- Slender-billed Gull (Chroicocephalus genei)

- Castro Marim (12/03/2017)

 

Picture 3

- Mew Gull (Larus canus)

- Almada (02/03/2018)

 

Picture 4

- Black-legged Kittiwake (Rissa tridactyla)

- Lagoa de Albufeira - Sesimbra (01-20-2018)

 

Picture 5

- European Herring Gull (Larus argentatus)

- Trafaria - Almada (11-19-2016)

 

Picture 6

- Mediterranean Gull (Ichthyaetus melanocephalus)

- Lagoa dos Salgados - Albufeira (12/03/2017)

 

Picture 7

- Black-headed Gull (Chroicocephalus ridibundus)

- Cova da Piedade - Almada (12/20/2015)

 

Picture 8

- Lesser Black-backed Gull (Larus fuscus)

- Almada (08-03-2016)

27
Jan18

1º Censo Nacional de Garça-branca-grande

Na sequência do bem-sucedido Censo de Águia-pesqueira (2015, 2016 e 2017) organizado pelo portal Aves de Portugal, foi decidido levar a cabo o 1º Censo Nacional de Garça-branca-grande nos pretéritos dias 20 e 21 de Janeiro de 2018. Este projecto de ciência-cidadã resultou numa participação de 168 voluntários e na contabilização de 347 a 374 garças-brancas-grandes (Ardea alba), 691 a 778 colhereiros (Platalea leucorodia) e 19 a 21 cegonhas-pretas (Ciconia nigra).

 

Garça-branca-grande (Egretta alba)

- Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Estuário do Sado (24-01-2016)

 

Segundo João Tomás e Gonçalo Elias (equipa organizadora), "o intervalo obtido aponta para um total de 347 a 374 garças-brancas-grandes no território nacional. Analisando a tabela e o mapa de resultados é possível perceber que a população invernante desta espécie se concentra sobretudo em áreas de arrozal, como o vale e a foz do Mondego, as lezírias do baixo Tejo e ainda o estuário do Sado. Não menos importantes são as zonas húmidas costeiras com algumas produção de arroz associada, como é o caso da Ria de Aveiro. Também as albufeiras e açudes dos distritos de Santarém, Évora, e Beja têm um peso importante na escolha desta espécie para passar os meses de Inverno. Por fim, um pequeno número de indivíduos distribui-se ao longo da faixa costeira dos distritos de Viana do Castelo, Porto, Leiria e Faro e ainda em albufeiras e açudes dos distritos do interior centro-norte, como são os casos da Guarda, Castelo Branco e Portalegre."

 

Na opinião da organização, "este censo foi um sucesso a todos os níveis: grande adesão de voluntários, elevado grau de cobertura do território nacional, excelente organização das equipas nos locais de maior dimensão, condições meteorológicas muito favoráveis e acima de tudo muitas garças-brancas-grandes."

 

A situação desta espécie como como ave invernante no nosso país, que era essencialmente desconhecida, ganhou nova luz e a sua evolução poderá agora ser avaliada com a realização de futuros censos.

 

Os resultados detalhados, quer por local visitado (página 1) quer por distrito (página 2) podem ser consultados aqui.

Pode ainda ser visualizado o mapa nacional com os locais visitados e respectivos totais de indivíduos contados, neste link.
 
As diferentes cores significam:
  • branco: 0 aves observadas;
  • verde: 1-4 aves observadas;
  • laranja: 5-9 aves observadas;
  • vermelho: 10-19 aves observadas;
  • vermelho escuro: 20 ou mais aves observadas.
 

Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Garça-branca-grande (Ardea alba)

- Alcochete (21-01-2018)

 
Neste censo coube-me a responsabilidade e o prazer de coordenar a região do Estuário do Tejo - Margem Sul, tarefa que foi facilitada pelo excelente desempenho dos 12 voluntários que comigo prospectaram toda a zona do estuário (e vales adjacentes) desde o Seixal até Benavente, passando pela Lagoa de Albufeira e pelo Sesimbra Natura Park. A nossa equipa logrou observar 46 a 47 garças e 117 a 118 colhereiros, não tendo sido observada qualquer cegonha-preta.
 
 
[EN]
 1st Great Egret Portuguese Census
 
Following the successful Osprey Census (2015, 2016 and 2017) organized by the Aves de Portugal portal, it was decided to carry out the 1st Great Egret Portuguese Census in the past 20 and 21 January 2018. This citizen science project resulted in a participation of 168 volunteers and in the accounting of 347 to 374 Great Egrets (Ardea alba), 691 to 778 spoonbills (Platalea leucorodia) and 19 to 21 black storks (Ciconia nigra).
 
According to João Tomás and Gonçalo Elias (national coordinators), "there were counted a total of 347 to 374 Great White Egrets in Portuguese territory. Analyzing the table and the results map it is possible to notice that the wintering population of this species is mainly in areas of rice fields, such as the valley and the mouth of the Mondego, the low Tagus river basins and the Sado estuary. No less important are the coastal wetlands with some associated rice production, such as Ria de Aveiro. In addition, the reservoirs and dams of the districts of Santarém, Évora and Beja play an important role in this species choice of wintering grounds. Finally, a small number of individuals are distributed along the coastal strip of the districts of Viana do Castelo, Porto, Leiria and Faro and also in reservoirs and dams of the north-central interior districts, such as Guarda, Castelo Branco and Portalegre."

According to the organization, "this census was a success at all levels: great volunteers adhesion, high degree of coverage of the portuguese territory, excellent teams organization at the largest sites, very favorable weather conditions and above all many great egrets. "
 
The situation of this species as a wintering bird in Portugal, which was essentially unknown, has gained new light and its evolution can now be evaluated with future censuses.

Detailed results, either by site visited (page 1) or by district (page 2) can be found here.

The national map with the visited sites and their individuals numbers can also be consulted in this link.
 
The different colors mean:
  • white: 0 birds observed;
  • green: 1-4 birds observed;
  • orange: 5-9 birds observed;
  • red: 10-19 birds observed;
  • dark red: 20 or more birds observed.
 
In this census it was my responsibility and pleasure to coordinate the Tagus Estuary - South Bank, a task that was facilitated by the excellent performance of the 12 volunteers who with me prospected the entire area of the estuary (and adjacent valleys) from Seixal to Benavente, passing by the Lagoa de Albufeira and Sesimbra Natura Park. Our team managed to observe 46 to 47 great egrets and 117 to 118 spoonbills as no black stork was observed.
 
Pictures:
 
  • Great Egret (Ardea alba)
  • Estuário do Sado - Setúbal - Portugal (24-01-2016)
  • Great Egret (Ardea alba)
  • Alcochete - Portugal (21-01-2018)
18
Dez17

Em queda livre

Embora seja uma ave bastante comum nas nossas águas e muitas vezes avistada a partir da costa, não a encontraremos nas nossas praias ou falésias. 

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

O alcatraz só poisa em terra firme quando está extremamente debilitado ou quando pretende nidificar. Mas, como esta espécie não nidifica no nosso país, as imagens que mais facilmente conseguiremos reter são o seu poderoso voo ou os seus espectaculares mergulhos quando caem a pique dos céus na tentativa de capturar um peixe mais descuidado.

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

Nesta espécie relativamente fácil de reconhecer devido ao seu porte e formato do corpo, os juvenis apresentam um tom pardo malhado ou manchado, ao passo que os adultos são essencialmente brancos com a ponta das asas preta. O seu corpo fusiforme permite-lhe os espantosos mergulhos e, quando visto ao longe, dá-lhe a aparência de ter duas cabeças - "uma para cada lado".

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

Numa visita da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) à Reserva Natural das Berlengas, tivémos a oportunidade de os ver bem de perto a rondar a embarcação e detectámos mesmo  3 destas belas aves poisadas num rochedo dos Farilhões, coisa que deixou todos a bordo bastante entusiasmados com a possibilidade de que estivessem a tentar nidificar por ali. É algo a tentar verificar no futuro...

 

Alcatraz (Morus bassanus)

 

- Alcatraz ou Ganso-patola (Morus bassanus)

- RN Berlengas (21-05-2017)

 

[EN]

Free fallin'

Although it is a quite common bird in portuguese waters and often sighted from the coast, we will not find him on our beaches or cliffs.

 

The northern gannet only lands when he is extremely weak or when he intends to nest. But as this species does not nest in Portugal, the images that we will most easily retain are their powerful flight or the spectacular dives when they free fall from the skies in an attempt to capture a more careless fish.

 

Relatively easy to recognize due to the size and shape of his body, juveniles have a brownish speckled tone while adults are essentially white with black wingtips. His fusiform body allows for the amazing dives and, when seen at a distance, gives him the appearance of having two heads - "one to front and to the back".

 

On a visit to the Berlengas Nature Reserve organized by SPEA (Portuguese Society for the Study of Birds), we had the opportunity to see them very close around the boat and we even detected 3 of these beautiful birds standing on a cliff at Farilhões, something wich got everyone on board rather enthusiastic about the possibility that they were trying to nest there. It's something to try to check in the future...

 

- Northern Gannet (Morus bassanus)

- Berlengas Nature Reserve, Peniche - Portugal (21-05-2017)

 

15
Dez17

Pais & filhos

♪♫ It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know... ♪♫

 

Decorria o ano de 1970 quando Cat Stevens cantou esta música, com ela relembrando ao mundo o quão importante e complexa é a relação entre pais e filhos.

 

De facto, nos animais mais evoluídos (nomeadamente nos mamíferos e nas aves) a dependência dos progenitores por parte das crias é gritante, tanto ao nível do suporte de vida (alimentação e protecção) como da aprendizagem dos comportamentos e estruturas sociais.

 

Galeirão-comum (Fulica atra)

 

Dedicados de forma extremosa à criação e educação dos seus juvenis, os galeirões são no entanto pais bastante ríspidos, administrando por vezes verdadeiras sovas às quais as crias nem sempre sobrevivem. É assim a natureza: protectora, porém crua e brutal.

 

Uma coisa é certa: aqueles que chegarem à fase adulta estarão preparados para sobreviver às agruras de uma vida selvagem.      

 

- Galeirão-comum (Fulica atra)

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Sesimbra (4-06-2017)

 

[EN]

Father & son

 

In 1970 Cat Stevens sang this song and reminded the world how important and complex the relationship between parents and children is.

 

In fact, in the more advanced animals (especially mammals and birds), the offspring dependence from their parents is striking, both in terms of life support (feeding and protection) and in the learning of social behaviors and structures.

 

Extremely dedicated to the upbringing and education of their juveniles, coots are nevertheless rather harsh parents, sometimes administering true beatings to which youngsters do not always survive. Nature is protective but also crude and brutal.

 

One thing is sure: those who reach adulthood will be prepared to survive the hardships of a life in the wild.

 

- Coot (Fulica atra)

Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena - Portugal (4-06-2017)

08
Dez17

Turistas

Nas praias da frente atlântica de Almada todos os anos estivam milhares de turistas, vindos um pouco de todo mundo. Atraídos pelo nosso ameno clima e pelos extensos areais do concelho, alguns são veraneantes regulares, outros visitam esta zona pela primeira (e possivelmente única) vez...

Chegado o inverno, continua a ser possível encontrar com frequência por ali grupos de bípedes, mas mais provavelmente do tipo emplumado. Tal como os humanos, também estes visitantes chegam genericamente em pequenos grupos.

 

Pilrito-escuro (Calidris maritima)

 

No entanto, (também como algumas pessoas) certos elementos tendem a aparecer sozinhos e, na ausência dos seus pares, acabam por tentar a integração no seio de grupos mistos.
Um caso paradigmático é o desta ave oriunda do norte da Europa que, desde 2015, tem escolhido as praias da margem sul como zona de invernada. Tendo já sido observada em números de 2 ou 3, na maioria das vezes é avistado um indivíduo a alimentar-se entre as rochas, por vezes solitário, noutras ocasiões acompanhado por pilritos-das-praias e/ou rolas-do-mar.

Sendo este bicho relativamente raro no nosso território, parece que Almada está a tornar-se num local bastante consistente para a sua observação.

- Pilrito-escuro (Calidris maritima)
- Almada (28-01-2016)

 

Pilrito-escuro (Calidris maritima)

 

[EN]

Turists

 

On the beaches of Almada's Atlantic front there are thousands of tourists every year, coming from around the world. Attracted by our mild climate and the extensive beaches of the county, some are regular holidaymakers, others visit this area for the first (and possibly the only) time ...

 

When winter arrives, it is still possible to find groups of bipeds, but more likely of the feathered type. Like humans, these visitors also generally come in small groups.

 

However (as some people also) certain elements tend to appear alone and, in the absence of their peers, end up trying to integrate into mixed groups.

A paradigmatic case is this bird from northern Europe that, since 2015, has chosen the beaches of Almada as a wintering zone. Having already been observed in numbers of 2 or 3, most of the time an individual is seen feeding among the rocks. Sometimes solitary, in other occasions accompanied by Sanderlings and/or Ruddy Turnstones.

 

Being a relatively rare animal in our territory, it seems that Almada is becoming a very consistent place for its observation.

 

- Purple Sandpiper (Calidris maritima)

- Almada - Portugal (28-01-2016)

Eu

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