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bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

bicho do mato

Aqui fala-se de natureza, aves, bichos em geral e do que mais me passar pela cabeça

22
Dez25

Natal em família - os bichos lá da terra

Natal, época de juntar a família e rever aqueles a quem a vida não nos permite estar mais próximos, durante a maior parte do ano. Tal como tantos, principalmente entre os que habitam nas grandes áreas metropolitanas do país, também eu tenho esse hábito sazonal de "migrar" até à terra que me viu nascer, para passar a quadra.

Obviamente que, sendo eu o bicho-do-mato que sou, aproveito cada minuto "livre" para explorar a região de um ponto de vista naturalista. Confesso que me dá um especial gozo observar a natureza por ali e ir tentando caracterizar a biodiversidade da zona, tanto quanto me permite o pouco tempo que lá passo. Sempre que a oportunidade surge, vou dar uma volta pelos campos do Cercal, vou espreitar o estuário do Mira a Milfontes, ou vou apreciar a calma invernante de Morgavel, por exemplo.

Narceja-comum (Gallinago gallinago)Narceja-comum (Gallinago gallinago) Albufeira de Morgavel (24-12-2017)

Esta região é menos povoada por espécies icónicas, quando comparada com o Alentejo interior... aqui é muito improvável que vejamos grous, abetardas, cortiçóis ou águias-imperiais.

Ainda assim, há muito para ver, bastando estar atento para conseguir observar uma variedade bastante apreciável de aves.  Facilmente encontramos rapinas invernantes a patrulhar os campos e várias espécies aquáticas e limícolas, nas zonas húmidas. Há os passarinhos residentes e também aqueles que só nos visitam nesta altura do ano (a chamada fruta da época), há também algumas especialidades da zona e, de vez em quando, aparecem algumas espécies menos comuns ou até verdadeiras aves raras...

Pica-pau-galego (Dryobates minor) Cercal do Alentejo (25-12-2016)Lugre (Spinus spinus) Cercal do Alentejo (25-12-2021)
Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) Cercal do Alentejo (25-12-2016)Ganso-de-bico-curto (Anser brachyrhynchus) Sines (25-12-2017)
Tarambola-cinzenta (Pluvialis squatarola) V.N. Milfontes (24-12-2024)Trigueirão (Emberiza calandra) V.N. Milfontes (24-12-2016)
Tarambola-dourada (Pluvialis apricaria) V.N. Milfontes (24-12-2016)Gralha-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula) Ilha do Pessegueiro (25-12-2024)
Corvo (Corvus corax) Cercal do Alentejo (24-12-2024)Tarambola-dourada (Pluvialis apricaria) V.N. Milfontes (24-12-2016)
Petinha-de-richard (Anthus richardi) V.N. Milfontes (24-12-2016)Milhafre-real (Milvus milvus) Cercal do Alentejo (23-12-2019)
Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis) Cercal do Alentejo (24-12-2023)Felosinha (Phylloscopus collybita) Cercal do Alentejo (24-12-2024)
Picanço-real (Lanius meridionalis) V.N. Milfontes (24-12-2016)Milhafre-real (Milvus milvus) Cercal do Alentejo (22-12-2019)
Escrevedeira (Emberiza cirlus) Cercal do Alentejo (24-12-2024)Petinha-dos-prados (Anthus pratensis) Cercal do Alentejo (24-12-2024)
Alvéola-cinzenta (Motacilla cinerea) V.N. Milfontes (24-12-2016)Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo) Cercal do Alentejo (24-12-2024)

 

Claro que há muito mais para ver, na região: plantas, invertebrados, peixes, répteis, anfíbios e até alguns mamíferos. Mas é Natal, o foco está no convívio com a família. Vão sendo feitos uns registos de ocasião, não há tempo para muito mais... ainda assim é o suficiente para estar constantemente a ouvir a boca: "andas sempre de volta dos bichos". Pois.

Opilião (Leiobunum sp.) Cercal do Alentejo (24-12-2015)Falsa-viúva (Steatoda nobilis) Cercal do Alentejo (24-12-2021)
Aranha (Arctosa personata) Cercal do Alentejo (24-12-2023)Aranha-de-flancos-prateados (Zygiella x-notata) Cercal do Alentejo (24-12-2023)
Aranha-nómada-das-ervas-mediterrânica (Micrommata ligurina) Cercal do Alentejo (24-12-2023)Malhadinha (Pararge aegeria) Cercal do Alentejo (24-12-2023)

 

E pronto, termina a quadra, guardam-se na memória os momentos com a família, as paisagens tranquilas, a calma, o tempo que passa mais devagar, e enceta-se a viagem de regresso... a vida tem agora que voltar ao normal.

Monte do Caeiro - Cercal do Alentejo (24-12-2024)Monte do Caeiro - Cercal do Alentejo (24-12-2024)

 

Já os bichos do mato, esses ficam lá. Passa o tempo, mudam as estações, mudam algumas espécies, mas a vida selvagem continua presente em cada recanto.

Nerd que sou, curioso por natureza e pela Natureza, criei um pequeno projecto na plataforma iNaturalist, com o intuito de aglomerar as observações que vão sendo feitas na freguesia do Cercal do Alentejo. Até à data existem 1.590 observações, de 628 espécies, efectuadas por 88 observadores/naturalistas. Muito mais há para descobrir... basta andar de olhos abertos.

Se por lá passares, contribui.  ;)

06
Dez25

Os arautos de Athena

Reza a lenda que, enviado por Athena (a deusa da sabedoria), um mocho piou três vezes para informar o povo do assassinato de Julio César...

Talvez pela sua ligação histórica (ou mitológica) à deusa, estas pequenas rapinas sempre se viram associadas ao conhecimento e à sabedoria. O seu próprio nome científico parece reflectir essa ideia. 

Mocho-galego (Athene noctua) Cabo Espichel (23-07-2016) (1).JPGMocho-galego (Athene noctua) Sesimbra (23-07-2016)

 

Onde quer que residam as origens da sua nomenclatura, para mim será sempre um privilégio poder observá-lo, vigilante, no alto de uma qualquer ruína por esses campos de Portugal.

Mocho-galego (Athene noctua) Sagres (02-10-2016)Mocho-galego (Athene noctua) Almada (05-06-2025)
 
 
 
22
Mai25

BioBlitz Parque da Paz 2025

Que tal passar um dia divertido a descobrir a biodiversidade do Parque da Paz, com família e amigos, sempre com o apoio de especialistas na matéria? Traga espírito de explorador e venha conhecer de perto as muitas formas de vida que têm refúgio no pulmão da cidade de Almada. 

É já no próximo domingo, dia 25 de maio!

 

https://www.cm-almada.pt/bioblitz-parque-da-paz-2025

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BioBlitz Parque da Paz 2025_cogumelob.jpg

 

28
Nov24

Testemunho de uma vida ephemera

Se é verdade que a natureza nos oferece constantes lições de adaptação, perseverança e superação, também é certo que nos presenteia com incríveis exemplos de delicadeza e fragilidade.

Este pequeno animal, pertencente à ordem Ephemeroptera, é o único insecto que, passando por uma metamorfose incompleta, apresenta um estágio intermédio (subimago) de duração raramente superior a 24h, em que - apesar de ainda imaturo sexualmente - possui asas perfeitamente funcionais.

Ao contrário da sua fase larvar (ninfa) que pode durar vários anos, os adultos (imago) vivem vidas extremamente curtas, variando entre 5 minutos e um par de dias (conforme a espécie a que pertençam) e nunca se alimentarão, pois apenas dispõem de bocas vestigiais. O seu único objectivo é a reprodução.

 

Neste dia, eras atrás, uma destas frágeis criaturas "decidiu" passar uma boa parte da sua vida adulta na porta do meu carro, permitindo-me um vislumbre da sua delicada beleza e, despertando em mim a natureza filosófica do ser humano, proporcionou-me a contemplação da sua (e da minha própria) efemeridade.

Efémera (Ephemera glaucops)Efémera (Ephemera glaucops) Albufeira de Morgavel - Sines (23-09-2017)

10
Jun24

Portugal está na moda

País de clima temperado e variedade de paisagens, Portugal sempre foi um destino atractivo para visitantes de outras paragens. Isto é verdade para os humanos, mas vem também (cada vez mais) sendo verdade para outros animais - incluindo algumas aves.

Há muito que nos habituámos a ver os pequenos bicos-de-lacre como parte da nossa fauna, mas hoje em dia podemos também facilmente observar os áureos arcebispos e tecelões, bem como os bicos-de-chumbo e os mainás-de-crista. E que dizer dos vocais bandos de "papagaios" verdes (na verdade são periquitos) que deslumbram os transeuntes em Lisboa?

Todos estes bichos exóticos, embora acarretem potenciais impactos negativos para a biodiversidade nativa, oferecem um colorido diferente à fauna portuguesa, contrastante com as nossas "aborrecidas" e pardacentas aves autóctones, que apresentam formas e cores muito menos exuberantes.

 

Ou será que não é bem assim?

Camão (Porphyrio porphyrio) EILP (29-04-2017) (3).JPGCamão (Porphyrio porphyrioEspaço Interpretativo da Lagoa Pequena (29-04-2017)

 

Pois, também muito português é o terrivel hábito de desconsiderar o que é nosso, ignorando tantas vezes as maravilhas que temos em casa. Ainda assim, nos últimos anos, o paradigma parece ter mudado um pouco: fomos campeões, ganhámos festivais, somos cada vez mais reconhecidos e desejados pelos famosos... Quem diria, temos auto-estima.

 

E, que raios, (porque não dizê-lo?) temos também uma natureza fascinante.

Abelharuco (Merops apiaster) Castro verde (11-06-2016)Marrequinha (Anas crecca) Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena (18-12-2016)Pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica) Seixal (27-10-2016)Guarda-rios (Alcedo atthis) Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena (08-10-2016)Perdiz-do-mar (Glareola pratincola) Lezíria Grande - VFX (10-04-2016) Flamingo-rosado (Phoenicopterus roseus) Seixal (19-12-2015)Pintassilgo (Carduelis carduelis) Corroios (10-01-2021)Borrelho-ruivo (Eudromias morinellus) Sesimbra (20-05-2020)

 

Feliz dia de Portugal!

 

 

14
Mai24

BioBlitz Parque da Paz 2024

 
E que tal um dia divertido a descobrir a biodiversidade do Parque da Paz, com família e amigos, sempre com o apoio de especialistas na matéria? No próximo dia 26 de Maio, traga espírito de explorador e venha conhecer de perto as muitas formas de vida que têm refúgio no pulmão da cidade de Almada. Inscreva-se!
 

https://www.cm-almada.pt/bioblitz-parque-da-paz-2024

 

🦇🦉🐝🐛🦋🐌🐞🐜🦟🦗🕷🐢🐍🦎🐇🐀🦔🐾🐁🐦‍🍀☘️🌿🌱🌳🍄🌾

 

BioBlitz Parque da Paz 2024

Em paralelo, estará a decorrer o Almada Green Market, onde podem ser adquiridos produtos (hortícolas, artesanato e outros) de produção local e sustentável.
17
Out23

Percevejos: o ataque dos vampiros vegetarianos

Nos últimos tempos, após saber-se que França se debatia com uma praga de mini sugadores de sangue, a internet portuguesa tem sido inundada com notícias sobre os percevejos, esses malvados vampiros! E cá no burgo não nos podíamos ficar com uma praga caseira, como por lá. Não, os nossos percevejos seguem as modas e, como tudo o que é mau ultimamente, são... asiáticos. (Será que têm os olhos em bico?)

Percevejo-do-funcho (Graphosoma italicum)Percevejo-do-funcho (Graphosoma italicum) Trafaria (15-06-2019)

A ladainha repete-se nos mais diversos recantos on-line, desde os grandes meios de comunicação nacionais, até aos pequenos periódicos regionais: "depois dos problemas em França, a praga chegou cá. Parece que os bichos vivem nas camas e só saem à noite para se alimentarem do nosso fluido vital, no entanto não são um problema de saúde pública, sendo apenas uma preocupação para agricultores e fruticultores. (Hã?!) Escondem-se nas madeiras da cama e nos colchões e são quase impossíveis de erradicar, mas deitam um odor desagradável quando esmagados." (então mas...)   

Foram dias e dias a ler textos idióticos - aparentemente todos copiados uns dos outros - sem o menor rigor, sem o mínimo dos mínimos de investigação jornalística, com uma misturada de conceitos e de espécies digna de uma salada russa. 

Felizmente, após algumas reclamações de quem percebe um bocadinho do assunto, lá começam a surgir alguns esclarecimentos pouco entusiásticos. Parece que afinal são espécies diferentes. Diz que "os nossos invasores" são inofensivos para as pessoas, pois só atacam plantas. A realidade é tão menos dramática, tão pouco dada a sensacionalismos...

No entanto, após tamanha entropia noticiosa, sobra uma questão pertinente: afinal, o que raios é um percevejo?

Percevejo (Calocoris roseomaculatus) Seixal (06-05-2020)Maria-Fedida (Nezara viridula) Oliveira de Azeméis (13-09-2019)

Em traços gerais, percevejo é o nome comum atribuído aos insectos pertencentes à subordem Heteroptera, que está contida na ordem Hemiptera (que também compreende as cigarras e as cigarrinhas).

Os infames percevejos-da-cama (bed bugs, em inglês) pertencem à Cimicidae, umas das muitas famílias dentro desta subordem dos percevejos. Estes insectos são parasitas externos e alimentam-se de sangue, como as pulgas ou as carraças. Já os agora famosos percevejos-asiáticos (Halyomorpha halys), pertencem a uma família totalmente dispar (Pentatomidae) e alimentam-se exclusivamente de plantas.

Percevejo-das-camas (Cimex lectularius) Foto: Eric R. Eaton (2019)Percevejo-asiático (Halyomorpha halys) Foto: Chris Rorabaugh (2014)

Estes últimos começam a ser de facto um problema em Portugal, como já o são há algum tempo na Europa, não por atacarem pessoas, mas porque, sendo uma espécie exótica invasora, têm causado graves prejuízos em explorações agrícolas. Já em 2019, a presença deste insecto no nosso país  tinha dado origem a esclarecimentos do governo dirigidos aos agricultores e a seminários de instituições científicas.

Então, na prática, ambos são pragas. De natureza diferente, mas ainda assim pragas. Qual é o grande problema de toda esta confusão e desinformação? Os danos colaterais, diria eu...

Percevejo (Sciocoris sideritidis) Seixal (06-12-2021)Percevejo (Chorosoma schillingii) Sagres (05-11-2021)Percevejo (Prionotylus brevicornis) Caparica (04-06-2021)Percevejo (Graphosoma semipunctatum) Seixal (30-05-2021)Percevejo (Cydnus aterrimus) Torrão (08-05-2021)Percevejo (Syromastus rhombeus) Lagoa de Albufeira (05-07-2020)Percevejo-do-solo (Spilostethus pandurus) Cabo Espichel (28-05-2020)Percevejo (Cyphodema instabilis) Fernão Ferro (18-05-2020)

À hora que escrevo estas linhas, existem 21.917 observações de 517 espécies de percevejos registadas na plataforma de "ciência cidadã" Biodiversity4All, em Portugal. Destas, apenas 5 observações são de 2 espécies de percevejos-da-cama: Cacodmus vicinusCimex lectularius. Incluem-se ainda 117 observações de percevejo-asiático. 

Ora, baseando-nos apenas nos dados retirados desta plataforma e relembrando que ela é meramente um repositório de informação avulsa registada por cidadãos comuns, encontramos 3 espécies de insectos problemáticas. Três! Por oposição a 514 outras espécies de percevejos, na sua maioria autóctones e perfeitamente inofensivas.

Percevejo (Odontotarsus callosus)Percevejo (Odontotarsus callosus) Fernão Ferro (19-05-2020)

Nestas matérias de biodiversidade, quando é lançada a confusão, seja por necessidade de sensacionalismo ou por incompetência dos media e até das entidades oficiais, geralmente há vítimas inocentes. Aconteceu, por exemplo, com o autóctone vespão-europeu (Vespa crabro) que, a reboque da cruzada anti vespa-asiática (Vespa velutina), se vê capturado nas armadilhas não selectivas de gente que não quer saber da sua importância ecológica e que não entende nem quer entender a diferença entre as espécies. E corre o risco de acontecer também com mais de meia centena de espécies autóctones de insectos que têm o azar de serem chamados de percevejos.

Percevejo (Micrelytra fossularum) Seixal (01-05-2020)Percevejo (Gonocerus insidiator) Seixal (23-04-2020)Percevejo (Eurygaster austriaca) Seixal (19-04-2020)Percevejo (Coreus marginatus) Seixal (18-04-2020)Percevejo-da-tília (Pyrrhocoris apterus) Seixal (18-04-2020)Percevejo (Closterotomus norwegicus) Seixal (18-04-2020)Percevejo-barco (Enoplops scapha) Seixal (11-04-2020)Percevejo (Centrocoris variegatus) Seixal (11-04-2020)Percevejo-das-malvas (Oxycarenus lavaterae) Seixal (03-04-2020)Percevejo (Camptopus lateralis) Seixal (18-03-2020)Percevejo-da-couve (Eurydema ornata) Seixal (21-07-2019)Percevejo-mediterrânico (Carpocoris mediterraneus atlanticus) Trafaria (15-06-2019)

Estes animais, como polinizadores, têm uma função ecológica de extrema importância para os ecossistemas nativos e até para as nossas actividades agrícolas. É desolador pensar que, por terem um aspecto genérico semelhante a determinadas espécies ou até pelo mero facto de terem o mesmo nome comum, estes bichos possam vir a sofrer represálias derivadas do medo que nos é instigado por uma série de meios de comunicação social que, eles sim e ao contrário destes percevejos, estão sempre "sequiosos de sangue".

Percevejo (Heterotoma planicornis)Percevejo (Heterotoma planicornis) Ribeira de Cabrela, Sintra (16-05-2021)

17
Mai23

BioBlitz Parque da Paz 2023

No próximo dia 28 de Maio vai decorrer o BioBlitz Parque da Paz, em Almada. As muitas actividades gratuitas, acompanhadas por especialistas, garantem diversão e aprendizagem para miúdos e graúdos, sempre com a natureza como pano de fundo. 

BioBlitz Parque da Paz 2023


As inscrições são limitadas a 25 participantes por saída de campo e podem ser efectuadas no link acima. As oficinas, exposições e jogos não necessitam de inscrição.

Em paralelo, estará a decorrer o Almada Green Market, onde podem ser adquiridos produtos (hortículas, artesanato e outros) de produção local e sustentável.

Vale a pena a visita!

28
Fev23

Censo nacional de coruja-das-torres

A SPEA está a dinamizar um censo de coruja-das-torres e ajuda de cada um de nós pode ser preciosa.

Coruja-das-torres (Tyto alba)Coruja-das-torres (Tyto alba) Vila Franca de Xira (12-08-2021)

Estas belas aves nocturnas, em declínio no nosso país, convivem em relativa proximidade connosco, pelo que todos podemos ajudar a obter conhecimento sobre o número dos seus efectivos. Caso queiram participar no censo, basta seguir as instruções que estão no link que coloquei no início. Para esclarecimento de dúvidas, ou envio dados, podem contactar-me directamente através do endereço danny.bicho.do.mato@gmail.com.

O conhecimento é o primeiro passo para a conservação e a ciência cidadã pode ter uma palavra a dizer neste âmbito.

 

22
Nov22

Onde observar - Sagres, ponto de encontro dos que não sabem o caminho

Para aqueles maluquinhos que fazem da observação de aves o seu hobbie (e às vezes a sua obsessão), as migrações primaveril (pré-nupcial) e outonal (pós-nupcial) apresentam oportunidades únicas de observação, pois trazem de passagem algumas espécies que dificilmente podemos observar noutras alturas do ano. A migração pós-nupcial é especialmente profícua, pois é no fim de verão/início de outono que as aves juvenis, nascidas mais a norte na Europa, empreendem a sua longa jornada a caminho de terras mais quentes... umas seguem para África, outras invernam por cá, na Península Ibérica.

Nesta época do ano, entre meados de agosto e meados de novembro (grosso modo), por todo o país surgem bichos de passagem, a caminho do Sul. É uma altura incrível, onde qualquer ave pode aparecer em qualquer sítio. Mas há um local específico para onde todos parecem convergir, tanto as aves como os observadores que as procuram. 

Bem-vindos a Sagres, a capital da observação de aves em Portugal. 

Esmerilhão (Falco columbarius)Esmerilhão (Falco columbarius) Sagres (07-11-2021)

 

Mas o que torna esta região tão atractiva nesta altura do ano?

Bem, é sabido que ninguém nasce ensinado... nem mesmo os animais, por muito bons que sejam os seus instintos. Após a reprodução, com a diminuição de horas de luz do dia, as aves migratórias começam paulatinamente a encetar o seu percurso a caminho de paragens mais meridionais. Umas seguem em bando, outras de forma mais isolada, mas todas elas são empurradas para sul pela sua bússola interna. Sucede que os adultos, tendo já efectuado pelo menos uma migração anteriormente, têm o azimute mais afinado e seguem directos para Gibraltar, o ponto onde irão atravessar o Mediterrâneo.

Já os putos, mais inexperientes e destrambelhados, vão descendo o país um pouco mais "à toa", mais dependentes dos ventos e da orografia do terreno. Só "sabem" que têm que seguir mais ou menos para os lados do sul, mas não sabem a rota, pelo que muitos acabam por aproximar-se da costa oeste e utilizam o mar como rumo. No entanto, entrando na península de Sagres, voltam a dar de caras com o mar na costa sul, ficam baralhados e, muitas vezes, permanecem a circular ali na região vários dias até finalmente se orientarem e seguirem para Gibraltar.

Se há um espectáculo que merece ser visto pelo menos uma vez, por aqueles que têm fraquinho por estes bichos emplumados, é o de dezenas de indivíduos de várias espécies de aves planadoras a circular pelos céus, à procura do caminho para um sítio que nunca viram...

Águia-cobreira (Circaetus gallicus) Sagres (04-10-2022)Cegonha-preta (Ciconia nigra) Sagres (02-10-2022)Bútio-vespeiro (Pernis apivorus) Sagres (02-10-2022)Gavião (Accipiter nisus) Sagres (02-10-2022)Açor (Accipiter gentilis) Sagres (01-10-2022)Grifo (Gyps fulvus) Sagres (04-11-2021)Grifo (Gyps fulvus) Sagres (04-11-2021)Grifo (Gyps fulvus) Sagres (04-11-2021)Abutre-preto (Aegypius monachus) Sagres (05-11-2021)Britango (Neophron percnopterus) Sagres (25-10-2019)Cegonha-preta (Ciconia nigra) Sagres (05-10-2018)Águia-de-bonelli (Aquila fasciata) Budens (07-10-2017)

 

Mais para fins de outubro, é especialmente impressionante observar isto a suceder com bandos de centenas de grifos. Chega a haver milhares destas aves a circular pela região ao mesmo tempo.

Grifo (Gyps fulvus)Grifo (Gyps fulvus) Sagres (04-11-2021)

 

Não é, portanto, de estranhar que ali tenha nascido o Festival Observação de Aves & Atividades de Natureza de Sagres, que este ano teve a sua 13ª edição. Todos os anos, geralmente na semana do feriado do 5 de outubro, dezenas de visitantes de várias nacionalidades vão observar de perto a migração e participar nas diversas actividades disponibilizadas pela organização.

Birdwatching2022-Website-Slider-PT.jpg

 

Mas as pessoas que se deslocam a Sagres nos inícios de outono não vão apenas à procura de rapinas. Entre aves residentes e migradoras, terrestres e marítimas, já foram observadas mais de 300 espécies na região. Há muito para ver...

Chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) Sagres (08-10-2022)Tarambola-cinzenta (Pluvialis squatarola) Sagres (07-10-2022)Toutinegra-do-mato (Sylvia undata) Sagres (07-10-2022)Papa-figos (Oriolus oriolus) Sagres (06-10-2022)Tarambola-dourada (Pluvialis apricaria) Sagres (05-10-2022)Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) Sagres (05-10-2022)Cotovia-arbórea (Lullula arborea) Sagres (03-10-2022)Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus) Sagres (02-10-2022)Estorninho-malhado (Sturnus vulgaris) Sagres (07-11-2021)Cotovia-escura (Galerida theklae) Sagres (07-11-2021)

Melro-de-colar (Turdus torquatus)

Galheta (Gulosus aristotelis) Sagres (07-11-2021)Melro-de-colar (Turdus torquatus) Sagres (07-11-2021)Tordo-zornal (Turdus pilaris) Sagres (25-10-2019)Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus) Sagres (06-10-2017)Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) Sagres (06-10-2017)Casquilho (Oceanites oceanicus) ao largo de Sagres (06-10-2017)Alma-de-mestre (Hydrobates pelagicus) ao largo de Sagres (06-10-2017)Alcatraz (Morus bassanus) ao largo de Sagres (06-10-2017)Toutinegra-de-bigodes (Curruca iberiae) Sagres (05-10-2017)Papa-amoras-comum (Curruca communis) Sagres (05-10-2017)Mocho-galego (Athene noctua) Vila do Bispo (02-10-2016)Trigueirão (Emberiza calandra) Sagres (02-10-2016)Torcicolo (Jynx torquilla) Vila do Bispo (30-09-2016)Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) Vila do Bispo (30-09-2016)Corvo (Corvus corax) Sagres (07-11-2021)Pardela-balear (Puffinus mauretanicus) Sagres (36-10-2019)Melro-azul (Monticola solitarius) Boca do Rio (10-06-2016)Chasco-ruivo (Oenanthe hispanica) Sagres (10-06-2016)

 

Entre todas estas espécies, há sempre algumas que chamam mais a atenção ou geram mais procura, quer seja por serem especialidades da região, ou por serem aves mais incomuns ou até raras.

Sisão (Tetrax tetrax)Sisão (Tetrax tetrax) Sagres (30-09-2016)

Borrelho-ruivo (Charadrius morinellus) Sagres (07-10-2022)Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) Sagres (02-10-2022)Petinha-marítima (Anthus petrosus) Sagres (26-10-2019)Grifo-pedrês (Gyps rueppellii) Sagres (05-10-2017)

 

Com tantas aves a circular na zona, é inevitável que acabem por interagir connosco e com o nosso modo de vida.

Esta interacção é especialmente preocupante nos parques eólicos da região, que representam um perigo muito real para grandes planadoras, como águias, cegonhas e abutres. As empresas gestoras destes parques contratam, no período mais crítico do ano, consultoras que colocam equipas no terreno, que garantem uma monitorização permanente. Estas equipas dispõem inclusivamente da capacidade de parar os geradores, em caso de perigo eminente.

Felizmente, estas medidas de mitigação têm mostrado ser bastante eficientes.

 

Outras interacções aves/humanos podem parecer mais inócuas, mas nem sempre é bem assim.

Os extra-maluquinhos que se decidam a levantar bem cedo para dar uma volta pela zona, arriscam-se a ter surpresas como dar de caras com um bando de dezenas ou até centenas de abutres a dormitar no chão. Claro que a tentação de nos aproximarmos é bastante difícil de resistir... as fotos que poderíamos conseguir, se chegássemos perto...

No entanto, os resultados disso tendem a ser bastante perniciosos para as aves. O mais provável é que estas se vão assustar e levantar voo mais cedo do que o suposto, acabando por não descansar tanto quanto precisavam. Não esqueçamos que são aves enormes, a meio de uma viagem de milhares de km... toda a energia poupada é preciosa.

E, se os fizermos levantar voo assustados nas imediações de um parque eólico, mais do que meramente pernicioso, o resultado pode ser catastrófico.

Grifo (Gyps fulvus)

Grifos (Gyps fulvus) Sagres (07-11-2021)

 

De qualquer forma, podemos apreciar à distância e até conseguir algumas fotos sem incomodar os bichos. Basta que tenhamos em mente mais o seu interesse do que o nosso.

As fotos acima foram todas conseguidas a uma distância segura, de dentro do carro, parado na berma de uma estrada alcatroada. Não serão imagens tecnicamente perfeitas, mas são excelentes recordações de um incrível "momento National Geographic", num dia em que decidi dar uma volta à toa, ao nascer do dia, sem percurso nem destino definidos.

 

Definitivamente, no outono, Sagres é o ponto de encontro dos que não sabem o caminho...

 

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